segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Falando sobre Educação...

Entrevista com Alê Braga (professor e educador) - Revista de Domingo do Jornal "O Globo"


1 – O que você viu na Finlândia?

A frase “piores escolas” não faz muito sentido por lá. A diferença entre a pior e a melhor é mínima. Todas são boas. É mais fácil entrar na faculdade de Medicina que na de Pedagogia. Para dar aula em qualquer nível, só com Mestrado. Professor é a carreira mais desejada, ao lado do médico. O salário não é maior do que a média dos países ricos, mas é principalmente por uma questão de respeito.

2 –  Algum caso lá o impressionou em especial?

Para uma professora que ouvimos, todo aluno tem que ter a chance de atingir o seu potencial. Ela só tem aluno problema. Cuida de quem está com algum obstáculo: de comportamento, aprendizagem, falta de concentração, questão familiar. Está ali para mostrar que ter problema é normal e para achar a solução junto com o aluno. Afinal, todos temos dificuldades em algum momento da vida escolar. Ela diz: “ Temos sempre que cuidar dos mais fracos. Considero isso uma medida de civilidade.” O foco na Finlândia é tão deixar nenhum aluno para traz.

3 – É verdade que em Xangai o Estado teve que criar leis para limitar as horas de estudo em casa?

Tanto em Xangai como na Coréia do Sul há esforços do governo para diminuir a pesada carga de estudo. Em Xangai, os professores são cobrados para reduzir os deveres de casa, lá, as melhores escolas foram responsabilizadas por ajudar as piores. Visitamos a que era pior de um distrito, e hoje é organizada e com bons resultados. Na Coréia, há a determinação oficial de reduzir os cursos de reforço, que no passado recente chegavam a ir até de madrugada. Hoje o horário é restrito: até 22h, 23h. Mas eles estão longe de conseguir pôr limites, por causa da pressão das famílias. A educação é muito pragmática, o objetivo é o sucesso, os seja, entrar nas melhores universidades. Se o vizinho investe em estudo, é preciso se dedicar mais.


Não é uma pressão muito grande sobre os alunos?

O que a Coréia fez como nação é incrível, mas ninguém da equipe do programa colocaria seu filho numa escola de lá. Não vi sorrisos. Existe outra medida que não resultados. Um professor disse: “Toda criança está recebendo a mensagem de que ou você é doutor em Harvard ou deu errado”.Entrevistamos um jovem que estudo todo dia no mínimo de 8h às 22h. E nos fins de semana “bem menos”, umas dez horas. Disse que quer ir ao MIT, depois Harvard, e trabalhar em Manhattam como advogado.

E ser professor no Brasil ainda atrai?

A idéia de ensinar ainda encanta muita gente, várias pessoas falam em ser professor com brilho nos olhos, mas quando param para pensar, desistem. É urgente valorizar a carreira, Eu dava aula em faculdade e os alunos perguntavam: “Você trabalha onde? “ Eu respondia: “Como assim? Sou seu professor, estou fazendo o que na sua frente?” Diziam: “Não, estou falando de trabalho mesmo”. E não é só melhorar salário. Lembro da minha mãe, que foi professora por 35 anos, corrigindo prova de madrugada. Em Xangai, ouvimos um professor. Das oito horas diárias de trabalho, só duas eram na sala. No resto do tempo, ele preparava a aula , corrigia prova , se reunia com outros professores e visitava a família dos alunos.

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