segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Livros

Começei a ler o livro de Rubem Alves; "Variações sobre o prazer".
Delícia! Realmente, um grande prazer.
Prazer comparável a uma degustação, no sentido mais sublime que esta palavra puder expressar.
No sentido de irmos provando pouco a pouco, os tempêros, os aromas, as combinações e os arranjos que a escrita deste singular autor nos proporciona.
Rubem tem a serenidade na escrita. Fala de sentimentos, sensações e estados da alma tão profundos , de uma forma suave quase como se fosse uma brisa que entra pela janela e nos refresca a intimidade dos pensamentos de uma forma inesperada.
Alguns livros me proporcionam esta emoção.
Uma das grandes questões que ele fala logo no inicio do livro é sobre a liberdade da escrita, dos pensamentos e porque não dizer, das emoções.
Porque encadeá-las dentro de um único formato quando temos tantas formas de nos expressarmos, tantas quantas forem os nossos transbordamentos ?
Foi de lá que tirei e postei por aqui a poesia de Fernando Pessoa.
Vejam o que ele escreve sobre formas e métodos da escrita:

" No País dos Saberes" há regras precisas que regulam a fala e a escrita. Regras claras, rigorosamente definidas. Quem tropeça é expulsa. para entrar no "País dos Saberes" há que se passar por rituais de exame de linguagem. tais rituais têm o nome de "defesa de tese". nas defesas (evidentemente deve haver um ataque) seja mestrado, seja de doutoramento, não se presta atenção no que o postulante à admissão diz.mas se prestará rigorosa atenção no como ele diz.Qualquer que é permitido, desde que o como  seja obedecido. não importa o que o postulante escreveu, importa  o seu domínio da gramática da linguagem do saber, científico ou filosófico."


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