quarta-feira, 16 de novembro de 2011

O PLANO DIVINO E A SOCIEDADE TEOSÓFICA - I. K. Taimni

 Uma das idéias mais inspiradoras e iluminadoras que a Filosofia Oculta deu ao mundo moderno é aquela da operação de um Grande Plano por detrás dos fenômenos, aparentemente caóticos e sem propósito, que estão eternamente ocorrendo nas diferentes partes do universo. Ninguém que observe o trabalho da Natureza, mesmo que ocasionalmente, pode razoavelmente duvidar que haja alguma espécie de Inteligência operando por detrás dos fenômenos naturais. Mas há uma grande distância entre esta crença vaga e geral, e a concepção definida de que tudo na manifestação, desde um sistema solar até um grão de poeira, é governado pela Lei e é parte de um Grande Plano, que está gradualmente se desenvolvendo no universo, em suas diferentes partes e em diferentes épocas.
A ciência está interessada somente na investigação destes fenômenos naturais e não está preocupada em saber se há ou não um plano por detrás deles. A filosofia apenas pergunta se existe um tal plano. Mas o Ocultismo sabe e afirma, fundamentado no conhecimento direto, que há um Plano por detrás de todo o universo manifestado, e que cada unidade neste vasto esquema, seja grande ou pequena, está executando uma parte deste Plano. Assim como na execução do projeto de um grande edifício o esquema total pode ser dividido em projetos menores com muitas ramificações, cada unidade realizando sua parte em coordenação com as outras, assim também o Divino Arquiteto usa todo o universo manifestado para a execução do Seu Plano, dividindo Seu trabalho entre sistemas solares e planetas que aparecem em diferentes regiões do espaço no correr da vastidão do tempo. Cada unidade neste estupendo esquema preocupa-se somente com a tarefa que lhe compete, embora ela esteja intimamente relacionada com a totalidade do esquema e nele se encaixe de uma maneira perfeita.
É natural que nos perguntemos qual poderia ser o propósito deste poderoso e infinito esquema, e os filósofos têm especulado em vão, desde tempos imemoriais, sobre o “porquê” do universo. O estudante de Filosofia Esotérica compreende que o conhecimento a respeito destas questões últimas está além do alcance do intelecto humano e que, portanto, é inútil procurar por uma solução intelectual do “porquê” da manifestação. Este Grande Mistério do universo está oculto nas profundezas da Consciência Divina e somente aqueles que podem mergulhar profundamente naquele incomensurável oceano de conhecimento podem conhecer diretamente algo deste Supremo Segredo.
Mas há um aspecto deste propósito divino na manifestação que podemos ver e compreender. É que ele provê um campo para a evolução da Vida em todos os seus diferentes estágios. A investigação oculta tem mostrado, definitivamente, que nosso sistema solar é um vasto teatro no qual a Vida está evoluindo em suas miríades de formas e elevando-se, através de diferentes estágios, às alturas de esplendor divino, o qual não tem limites e está completamente além da imaginação humana. Este aspecto do Plano o qual podemos alcançar intelectualmente, e cuja apresentação ao mundo é uma das principais preocupações da Sociedade Teosófica, dá um novo sentido à vida e transforma a história natural e humana, de um panorama sem propósito de mudanças biológicas e sociológicas, num vasto desfile no qual vemos marchando firmemente para a meta a nós destinada. Ninguém que realmente tenha compreendido o significado desta concepção pode deixar de empenhar-se de todo o coração no fascinante trabalho que torna possível a realização deste esquema evolutivo.
Como este Plano Divino, que vemos operando na evolução da vida e da forma em toda a parte, não é uma mera crença piedosa ou uma especulação filosófica, mas, na realidade, é como o funcionamento de uma fábrica moderna, ele naturalmente requer os serviços de um vasto exército de agentes que são responsáveis pelo funcionamento de suas diversas partes e por sua conclusão bem sucedida. Estes agentes são as hierarquias de Anjos e Adeptos que desde os planos mais sutis guiam as forças da Natureza e realizam as mudanças e ajustes nas instituições humanas que são necessárias à operação eficiente e harmoniosa do Plano.
Uma destas hierarquias atuando em nossa Terra é a Grande Fraternidade Branca, a qual consiste de Super-homens que atingiram a Libertação, mas permanecem em contato com a nossa humanidade, para levar adiante o trabalho relacionado ao esquema evolutivo. Todos estes Adeptos, que preferem ser chamados de nossos Irmãos Mais Velhos, ainda que estejam incomensuravelmente acima de nós, não possuem as mesmas características ou capacidades, nem estão fazendo a mesma espécie de trabalho. Eles desenvolveram-se por diferentes linhas e têm diferentes partes do Plano para realizar. Mas como a mais estreita união de consciência e uma sabedoria consumada caracteriza a todos Eles, o estupendo trabalho de guiar e controlar a evolução humana prossegue harmoniosa e eficientemente à medida que as raças vão se sucedendo e as eras passam umas após as outras.
Como os membros desta Hierarquia Oculta constituem o governo interno do mundo e são responsáveis pela evolução ordenada de toda a vida neste planeta, Deles partem os vários movimentos que gradualmente vão mudando as condições no mundo, de acordo com os requisitos do Plano; por Eles são guiadas a ascensão e a queda das civilizações, o desenvolvimento de raças e sub-raças, à medida que estas se sucedem uma após a outra no palco do mundo e provêm as múltiplas condições para a evolução da humanidade. O crescimento desses vários movimentos em diferentes partes do mundo e sua reunião para o conflito ou para a fusão harmônica, vistos do exterior, parecem ser produtos de mero acaso nas mudanças sociais e políticas, mas, vistos com a visão interna, este panorama que o Tempo nos apresenta nada mais é do que o desdobramento do Plano Divino em nossa Terra, guiado e controlado por seus agentes invisíveis por trás do véu dos acontecimentos.
A Sociedade Teosófica é um destes movimentos, lançada no mundo por alguns membros da Fraternidade Branca com um propósito definido. Não podemos pretender conhecer ou compreender qual é este propósito em sua totalidade, mas, pelo que nos foi revelado, está claro que este movimento tem, no momento atual, pelo menos três funções bem definidas, ainda que não especificadas. Estas podem ser assim apresentadas:
1. Dar à humanidade certas verdades mais profundas da vida, que são necessárias para o próximo passo na evolução humana.
2. Instilar certos princípios diretivos universais nas mentes das pessoas em geral, tais como o da Fraternidade, de modo que possa se tomar factível o advento de uma ordem mundial melhor.
3. Prover agentes no mundo exterior que compreendam o Plano de modo geral, podendo assim, conscientemente cooperar com os Irmãos Mais Velhos no trabalho que Eles estão executando para o melhoramento da raça humana.
Deste modo, vemos que a fundação da Sociedade Teosófica é parte de um movimento definido para erguer um canto do véu que, até agora, vinha ocultando da humanidade os mistérios mais profundos da vida e Aqueles que possuem as chaves destes mistérios. Provavelmente, chegou o tempo de dar à humanidade uma oportunidade de cooperar diretamente com seus Irmãos Mais Velhos que, desconhecidos e não reconhecidos, têm por eras guiado a humanidade, educando-a e trazendo-a ao presente estágio da evolução. Mas esta cooperação pode tomar-se uma realidade definida e uma força na direção do progresso somente quando as verdades da Filosofia Esotérica permearem o pensamento mundial e realizarem as mudanças fundamentais necessárias na vida e nos pontos de vista do homem médio. No presente momento, no mundo, a Sociedade Teosófica é um pequeno núcleo de tais homens, que estão tentando compreender estas verdades e preparando-se, consciente ou inconscientemente, para este trabalho em conjunto com seus Irmãos Mais Velhos, agora e no futuro. Assim que este núcleo cresça e a maior influência da Sociedade Teosófica trouxer condições mais favoráveis ao mundo para a aceitação destas verdades, pode-se esperar que os Irmãos Mais Velhos darão uma direção mais direta nos assuutos do mundo, tomando-se assim possível para nós avançar mais rápida e facilmente para a meta a nós destinada.
Assim vemos que a Sociedade Teosófica não é exatamente como as outras sociedades espalhadas pelo mundo afora, nas quais um grupo de pessoas se associam e trabalham em conjunto para atingir um objetivo definido. Como outras sociedades, ela também tem um trabalho definido a fazer no mundo, isto é, o estudo e a disseminação de verdades concernentes aos problemas mais profundos da vida. Mas ela tem outra função muito mais importante, e esta é a de servir como um agente direto no trabalho dos Irmãos Mais Velhos para a reforma e regeneração do mundo.
Esta última função da Sociedade Teosófica é muito importante e deveria ser perfeitamente compreendida por todo membro que queira tomar parte ativa em seu trabalho. Pode haver alguns membros em nossa Sociedade que preferem pensar nela como uma mera associação para o estudo e disseminação de certas idéias, que não aceitam este ponto de vista de sua ligação com os Irmãos Mais Velhos, e que podem mesmo nem acreditar na existência de tais seres. Tais pessoas têm direito a ter os seus pontos de vista pessoais e elas podem ser membros muito úteis da Sociedade. Mas a grande maioria de seus membros tem convicção definida, baseada em fatos bem comprovados, de que a Sociedade Teosófica não é um mero corpo acadêmico, mas um instrumento direto dos Irmãos Mais Velhos através do qual esperam realizar mudanças definidas no mundo, com o conhecimento e a cooperação de seus membros.
Esse fato, da ligação vital da Sociedade com Aqueles que são os verdadeiros guias da humanidade, confere uma dignidade especial ao nosso trabalho, tangenciando quase o sagrado, e dá à maioria de seus membros ativos aquela inspiração e entusiasmo que são tão necessários numa tarefa desta natureza. Isso os habilita a permanecer firmes e imperturbáveis nas crises periódicas que ocorrem na Sociedade e às vezes abalam-na até suas fundações. Eles sentem, em tais ocasiões, que sua lealdade aos Grandes Seres e aos princípios universais que Eles corporificam, transcende quaisquer diferenças que possam surgir com relação aos métodos de trabalho e, portanto, aconteça o que acontecer, não desertam do trabalho da grande causa que a Sociedade representa. O vasto Plano lá está, e cada membro pode planejar seu próprio trabalho cuidadosamente, e executá-lo da melhor maneira que lhe seja possível, sabendo que quaisquer que sejam suas limitações, ele de algum modo será usado no trabalho muito maior que os Irmãos Mais Velhos estão executando, incessantemente, para o soerguimento da humanidade.
FONTE:
      TAIMNI, I. K. Princípios de trabalho da Sociedade Teosófica. Trad. Milton Lavrador, Rev. Marina Vollares Lenz Cesar. Brasília: Ed. Teosofica, 1994. 135 p.

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