quinta-feira, 3 de novembro de 2011

O que é meu guardei para você?

Ontem vendo um filme, “Repo Man – O Resgate de Órgãos” que conta a história do comércio de órgãos em um futuro onde as empresas têm modelos de máquinas para cada situação de saúde como; novos olhos, novo coração, novo rim, novo tudo.  As pessoas que adquirem um destes produtos passam a pagar uma mensalidade pelo uso. Caso não consigam pagar, a União (Estado) manda os chamados “coletadores” que recuperam o órgão e a pessoa morre. Não sei se estamos tão distantes de um cenário destes.
Bem, em uma cena o antigo “coletador” que virou um transplantado, vira de uma hora outra, de caçador em caça, está tendo um diálogo com uma mulher com quem está vivendo um romance. Ele pergunta; “o que você tem de aparelhos em você? Ela vai enumerando tantos itens que ele pergunta”; o que não é aparelho?”e ela responde; “Meus lábios” e o beija como se dissesse; “estes são teus”.
Tantas associações com comércio de órgãos, falta de acesso a medicamentos desenvolvidos pela indústria, indústria da beleza onde rifamos o que somos para adquirir a imagem de algo que não existe na promessa de uma “eterna juventude” que nunca vai chegar...
Fiquei pensando e sentindo esta resposta; “Só tenho os meus lábios e estes são teus”. Ali naquele instante, nada mais importava que não o afeto, o amor, a liga que dá sentido a humanidade dos homens ou nos homens. O que temos de mais valioso em nós que podemos dar ao outro em troca de nada? O que nos sobre se tirarmos a casca que não somos?
Uma frase tão simples com tantas interpretações. Tenho algo que é só meu e que ofereço a ti como prova de meu amor e da vontade de querer comungar contigo. Temos tantas coisas boas que se escondem nas nossas roupas, na nossa máquina, nossos sentidos...
Às vezes tudo pode ser tão pouco.
Pode durar a eternidade de um sorriso, de um olhar, de um abraço.
O que é meu que dou para você?

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