quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Preciosidades que o tempo nos reserva...

Pois é, neste feriadão de tempo incerto, chuva e frio nada melhor do que procurar conforto em uma boa leitura. Por sinal, boas leituras já que acabei concluindo dois saborosos livros.  “Variações sobre o prazer” de Rubem Alves e “Rimbaud na África” de Charles Nicholl.
O de Rubem Alves revelou-se uma pequena paixão, daquela em que não queremos abrir mão. Cada arranjo de seu pensamento se revelou, realmente, uma pequena degustação para o prazer dos sentidos, dos pensamentos e do espírito.
Justamente por causa do fim do livro me vi querendo continuar o que havia terminado. Manter-me ligado em uma emoção boa e pura. Fui, então, em busca de outras opções no cardápio de meu “restaurante” particular, minha pequena biblioteca a quem intitulei afetivamente como sendo; “O meu cantinho”.
O livro sobre a vida do poeta Rimbaud assim como o de Rubem Alves, me levou para uma viagem, me fez acompanhá-lo na trajetória de sua vida, intensa e aventureira. Espírito inquieto, alma cigana, a procura de sentido, de um sentido que imaginou ter perdido quando saiu de Paris.
O livro procura retratar seus últimos 11 anos, exatamente aqueles referentes ao período que passou na África como comerciante de armas e de outros produtos, sempre se movimentando pelos países africanos no meio de caravanas  e na companhia daqueles a quem aprendeu a respeitar. Aprendeu a língua árabe, o Corão a ponto de discutir sobre a religião e sobre o Islã.
Um jovem em busca de sua melodia.
Nunca parado, sempre se movimentando, se locomovendo , se navegando.
Acompanhamos o autor pelos locais por onde Rimabud passou, o jovem, o homem, o homem novo, de nova identidade. Em cada casa, sob cada telhado, temos a sensação de que a qualquer momento vamos encontrá-lo. Provavelmente ele nos perguntaria sobre o que queremos comprar, o que precisamos enviar, para onde queremos ir e que negócios podemos fazer.
Uma alma angustiada mas sem mêdo.
Como imaginá-lo com medo, se só enfrentou todas as adversidades em uma terra estranha longe da família e sem amigos.
Tornou-se em algo para o qual não se programou. Se reinventou.


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