quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Voltando ao Fernando, grande Pessoa...

As bolas de sabão que esta criança
Se entretém a largar de uma palhinha
São translucidamente uma filosofia toda.
Claras, inúteis e passageiras como a Natureza.
Algumas mal se veem no ar lúcido.
São como a brisa que passa e mal tocas as flores
E que só não sabemos que passa
porque qualquer coisa se aligeira em nós
E aceita tudo mais nitidamente.

Fernando Pessoa, Obra poética, p.218. Do livro "Variações sobre o prazer - Rubem Alves

Um comentário:

  1. Adoro o poeta. Merece a homenagem pelo que nos deixou e ontem vi no noticiário um pouco da história dele na cidade de Lisboa e o bondinho que ele percorreu.. ´´Tudo vale a pena se a alma não é pequena.``
    Tenho um poema guardado e memorizado que diz: Contemplo um lago mudo que uma brisa estremece.Não sei se penso em tudo ou se tudo me esquece.O lago nada me diz,não sinto a brisa mexê-lo,não sei se sou feliz,nem se desejo sê-lo. Trêmulos vínculos risonhos na água adormecida,por que eu fiz dos sonhos a minha única vida?``

    ResponderExcluir