quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Inquietude da alma

Inquietude da alma

inquietude, agito, confusão...
Movimentos intercorrentes entre silêncio e concentração.
Tentativas de leituras, e nas palavras a chave da compreensão.
Inquietudes.
Silêncios e saltos da razão, da lógica e da emoção
que emocionada no silêncio da não resposta
cria a ilusão de tantas possibilidades de explicação.
Pulos, saltos e cacofonias.
Mente ou mentira da sua própria entonação.
palavras, letras,sentidos em ordem sequencial
sem sentido na expressão 
de um desejo.
Pura sublimação.
Alma saltitante,
vaga e sorrateira
presa de seus medos e fronteiras
que se alargam e se encolhem
diante das recusas e indiferenças 
expressas no espelho do outro
que por ser outro
não lhe deve pensamentos, palavras e e corações.
Muito menos apaixonados.
Quando muito, silenciosos e observadores distanciados pela razão
da não cumplicidade
pelo sentimento
que não é seu
continua a ser do outro.
Inquietudes,
infinitudes,
lastros sem concepção.
Modos e modulações
de uma alma
alargada pela emoção.
Alargamento expansivo e ilimitado
levando ao buraco negro da compreensão.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

A dança

A DANÇA

Não te amo como se fosse rosa de sal, topázio 
ou flecha de cravos que propagam o fogo: 
te amo secretamente, entre a sombra e a alma.

Te amo como a planta que não floresce e leva 
dentro de si, oculta, a luz daquelas flores, 
e graças a teu amor vive escuro em meu corpo 
o apertado aroma que ascender da terra.

Te amo sem saber como, nem quando, nem onde, 
te amo diretamente sem problemas nem orgulho: 
assim te amo porque não sei amar de outra maneira, 

Se não assim deste modo em que não sou nem és 
tão perto que a tua mão sobre meu peito é minha 
tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.


Pablo Neruda