quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Natal! Para pensar no que importa.

Organiza o Natal
Carlos Drummond de Andrade

Alguém observou que cada vez mais o ano se compõe de 10 meses; imperfeitamente embora, o resto é Natal. É possível que, com o tempo, essa divisão se inverta: 10 meses de Natal e 2 meses de ano vulgarmente dito. E não parece absurdo imaginar que, pelo desenvolvimento da linha, e pela melhoria do homem, o ano inteiro se converta em Natal, abolindo-se a era civil, com suas obrigações enfadonhas ou malignas. Será bom.

Então nos amaremos e nos desejaremos felicidades ininterruptamente, de manhã à noite, de uma rua a outra, de continente a continente, de cortina de ferro à cortina de nylon — sem cortinas. Governo e oposição, neutros, super e subdesenvolvidos, marcianos, bichos, plantas entrarão em regime de fraternidade. Os objetos se impregnarão de espírito natalino, e veremos o desenho animado, reino da crueldade, transposto para o reino do amor: a máquina de lavar roupa abraçada ao flamboyant, núpcias da flauta e do ovo, a betoneira com o sagüi ou com o vestido de baile. E o supra-realismo, justificado espiritualmente, será uma chave para o mundo.

Completado o ciclo histórico, os bens serão repartidos por si mesmos entre nossos irmãos, isto é, com todos os viventes e elementos da terra, água, ar e alma. Não haverá mais cartas de cobrança, de descompostura nem de suicídio. O correio só transportará correspondência gentil, de preferência postais de Chagall, em que noivos e burrinhos circulam na atmosfera, pastando flores; toda pintura, inclusive o borrão, estará a serviço do entendimento afetuoso. A crítica de arte se dissolverá jovialmente, a menos que prefira tomar a forma de um sininho cristalino, a badalar sem erudição nem pretensão, celebrando o Advento.

A poesia escrita se identificará com o perfume das moitas antes do amanhecer, despojando-se do uso do som. Para que livros? perguntará um anjo e, sorrindo, mostrará a terra impressa com as tintas do sol e das galáxias, aberta à maneira de um livro.

A música permanecerá a mesma, tal qual Palestrina e Mozart a deixaram; equívocos e divertimentos musicais serão arquivados, sem humilhação para ninguém.

Com economia para os povos desaparecerão suavemente classes armadas e semi-armadas, repartições arrecadadoras, polícia e fiscais de toda espécie. Uma palavra será descoberta no dicionário: paz.

O trabalho deixará de ser imposição para constituir o sentido natural da vida, sob a jurisdição desses incansáveis trabalhadores, que são os lírios do campo. Salário de cada um: a alegria que tiver merecido. Nem juntas de conciliação nem tribunais de justiça, pois tudo estará conciliado na ordem do amor.

Todo mundo se rirá do dinheiro e das arcas que o guardavam, e que passarão a depósito de doces, para visitas. Haverá dois jardins para cada habitante, um exterior, outro interior, comunicando-se por um atalho invisível.

A morte não será procurada nem esquivada, e o homem compreenderá a existência da noite, como já compreendera a da manhã.

O mundo será administrado exclusivamente pelas crianças, e elas farão o que bem entenderem das restantes instituições caducas, a Universidade inclusive.

E será Natal para sempre.

Ah! Seria ótimo se os sonhos do poeta se transformassem em realidade.

Texto extraído do livro "Cadeira de Balanço", Livraria José Olympio Editora - Rio de Janeiro, 1972, pág. 52.

Muro das lamentações

"Ao Muro Ocidental, também conhecido como Muro das Lamentações, os judeus logo aplicaram muitos dos mitos habitualmente relacionados com um lugar sagrado. Associaram-no com as tradições do Talmude sobre o muro ocidental do Devir, que de acordo com os rabinos,a Shekhinah abandonara e Deus prometera preservar para sempre. Como acreditavam que a Presença morava ali, passaram a tirar os sapatos ao entrar no recinto. Gostavam de escrever pedidos em pedaços de papel e colocá-los entre as pedras, para que pudessem continuar sempre diante de Deus. Afirmavam que a Porta do Céu se situava bem acima do oratório e que as preces ditas ali subiam diretamente para o Trono divino. Conforme o caraíta Moses Yerushalmi escreveu em 1658, "uma grande santidade repousa no Muro Ocidental,a santidade original que o impregnou então e para sempre".
Quando entravam no estreito recinto e contemplavam o muro que se erguia a sua frente, majestoso e protetor, os fiéis sentiam-se diante do sagrado. O muro se tornara um símbolo não só do divino, mas também do povo judeu. Apesar de toda a sua imponência, era uma ruína - um emblema de destruição e derrota. " Do Templo restara apenas um muro", assinalou Moses Yerushalmi, e ele evocava ausência e presença. Quando o tocavam e beijavam suas pedras, os judeus tinham a sensação de estabelecer contato com gerações passadas e com uma glória extinta. Como eles, o muro era um sobrevivente. Chorando ali, os fiéis lamentavam catarticamente tudo que haviam perdido no passado e no presente. Como o próprio Templo , o Muro Ocidental acabaria representando ao mesmo tempo Deus e a identidade judaica".

Livro: Jerusalém,uma cidade, três religiões.
Autor: Karen Amstrong

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Fraternidade

Por onde anda o espírito natalino?
Por onde a paz que não temos desejado?
Por onde o amor, este sentimento tão encolhido em nossos corações?
Por onde a Fraternidade que não nos comove mais?
Por onde você que não tem pensado nestas coisas?
Por onde andamos nós?
Em que ponto da estrada nos perdemos dos significados mais profundos da espiritualidade que sempre guiou a Humanidade na sua busca por aperfeiçoamento?
Não pensamos mais nestas perguntas.
Não nos dedicamos um tempo amoroso ainda que todos os anos, nesta época do ano, nossos corações sejam induzidos a se abrir um pouco mais.
Esta pequena abertura nos é insuflada pelos mistérios da Grande Vida, dos Grandes Mestres e da Grande Fraternidade Branca que emana para Humanidade seus raios de luz e energia.
Em tempos antigos este momento ou instante é chamado do solstício de verão. Após um longo período de frio, escuridão e fechamento (solstício de inverno - 21/06 hemisfério sul)comemora-se o impulso da vida em busca de luz, do calor e do renascimento da vida (solstício de verão 21/12 - hemisfério sul).
Portanto, nesta época de natal, encontramo-nos impelidos para uma maior abertura interna e de boa vontade com o próximo.
Inconscientemente nos sentimos mais propensos a buscar o melhor entendimento, a perdoar, a silenciar e refletir melhor sobre a reconstrução de caminhos e de pontes.
Onde anda este sentimento?
Mais do que o presente, ou, o melhor presente que podemos dar,  a nós mesmos é a possibilidade de desarmarmos os nossos corações e nos deixarmos navegar nesta onda espiritual que nos inflama nesta época.
Desacelerar nossa ânsia por coisas e pensarmos um pouco mais nas pessoas.
Que tal jogar seu GPS fora e deixar-se levar por todas as direções e indicações, todas as ruas, estradas, bairros, cidades, países e mares?
Deixar-se ir por aí levando o bem.
Precisamos soltar nossas amarras.
Desligar nossos celulares.
Deixar morrer esta bateria digital que nos exclui do mundo e da vida.
Estamos vivendo uma profunda solidão.
Estamos isolando as pessoas mantendo-as a uma margem segura de nosso abraço. Não conseguimos pensar mais na possibilidade de nos perdermos nos braços de um outro alguém. 
Faça uma reflexão.
Pense na possibilidade de começar a viver e renascer com o sol.
O sol de uma nova vida!
Feliz Natal!

José Vicent Payá Neto

Realizações!

Faça o bem!
Faça sempre o bem!
Faça a todo instante, em todas as situações e em todos os contextos.
Fazer o bem pode ser contrariar.
Fazer o bem pode ser calar.
Fazer o bem pode ser negar.
Fazer o bem pode ser tudo aquilo que traga o bem estar, a boa conversa, o bom diálogo, as boas emoções, os bons pensamentos e as boas energias.
Fazer o bem é estar no reto caminho da senda espiritual.
Fazer o bem é antes de tudo mostrar a si próprio o que é certo e o que é errado.
O que colabora e o que não colabora com e para a vida.
Fazer o bem é celebrar junto com a natureza o avanço de todas as formas de vida no desenvolvimento da vida, da forma e da consciência.
Somos feito grãos!
Cabemos na palma da mão.
Temos um destino e infinitas possibilidades.
As escolhas serão sempre nossas ainda que a vida não nos deixe escolhas.
Uma porta que se abre, uma janela que se escancara, um teto que desaba, um furacão que passa.
Nada é constante. Toda mudança é contínua.
Tudo nos transforma. Seja no silêncio da nossa alma. Seja no ruído de nossa lamentação.
Obstáculos, pontes, trilhas e atalhos.
Caminhada. Caminhos. Caminhantes.
Ganesha nos acompanha livrando-nos das árvores que caem na nossa frente ou mostrando que não estão ali por acaso.
Será preciso serrá-las, arrumá-las e colocá-las na beira da estrada.
Pode ser que um andarilho que passe pela mesma estrada possa necessitar delas para se aquecer em uma noite fria.
Cada obstáculo superado é uma nova possibilidade que se abre no universo.
Uma estrela que desponta no universo e brilha intensamente na galáxia.
Estrela guia que nos conduz e mantém no caminho do bem.
Do Bem estar e da Fraternidade.
Nossa jornada ou nesta jornada, não estamos desamparados e sozinhos.
Somos todos,
um só!

José Vicent Payá Neto

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Somos de todas as cores!!!

Entre fevereiro e março comemora-se na Índia a chegada da primavera. A vitória do bem sobre o mal. É o Festival de Holi que atrai tantas pessoas de diferentes lugares do mundo.
A chegada da primavera traz, na vida e na natureza, a expectativa da boa renovação. A renovação das estações e a chegada da luz, do calor, de novas cores que representam o renascimento da vida.
Somos como as estações.
Temos nossos climas que oscilam entre intensidade solar e invernais recolhimentos.
Somos assim. São nossas emoções, pensamentos e atitudes que acabam por nos trazer, feito maré a consequência do que plantamos.
Nossa sorte é que a luz intensa que não cessa de brilhar dentro de nós nos convoca a brilhar na vida e no mundo.
Nem sempre respondemos ao seu doce, silencioso e constante chamado. Teimamos em continuar "levando a vida" ou " vivendo do concreto". Tolos pássaros engaiolados que desistiram de voar.
Somos feitos para brilhar!
Somos de cores múltiplas para pintar novos cenários lambuzando de pinceladas de amor e afetividade ao nosso semelhante.
Somos todas as cores!
Somos todos os Deuses!
Somos todas as religiões!
Somos a ausência de todas as religiões!
Porém, 
somos todos essências perfumadas do Divino que habita em nós.
Centelhas de vida evoluindo por eras e eras!
Jogue suas melhores cores na Vida!
Deixe chegar a primavera de sua vida à vida de todos os demais.
Seja o clorido que falta!
Viva!
Seja seu melhor sorriso!
Ainda que possa doer, sua dor será menos doída com a cor do amor que existe em todos nós!

José Vicent Payá Neto

Jerusalém - uma cidade, três religiões

"....Não obstante, os cristãos se consideravam superiores a esse tipo de devoção. Diziam com orgulho que sua fé era puramente espiritual e não dependia de santuários e lugares santos. Sua surpreendente reação à descoberta do sepulcro mostra que os mitos da geografia sagrada estão profundamente arraigados a psique humana.
Um choque repentino ou um inesperado reencontro com um dos símbolos palpáveis de nossa fé e de nossa cultura pode redespertar esse entusiasmo por um espaço sagrado, sobretudo após um período de perseguição, em que as pessoas sofreram  com especial intensidade a ameaça de aniquilação.
Nunca podemos dizer com certeza que superamos estes mitos primordiais: mesmo no mundo científico do século XX não somos imunes a sua atração, como nos demostra Jerusalém. Ao ver o sepulcro do Ressuscitado, os cristãos sentiam o choque do reconhecimento e, pela primeira vez, eram impelidos a arraigar-se num local físico, a construir sua morada no mundo profano, a apropriar-se dessa área sagrada. Esse benéfico elo co  o passado permitiu que se instalassem no centro da Aelia romana,abandonando sua posição marginal e assumindo um lugar totalmente novo no mundo".
Livro: Jerusalém - uma cidade, três religiões.
Autora: Karen Armstrong
Editora: Companhia das Letras

Livro maravilhoso pela reflexão que possibilita sobre a vinculação de cada um, a parir de sua perspectiva religiosa, com o sagrado e sua simbologia espiritual e interna. Cada religião construiu e constrói a partir de valores díspares, este vínculo ao longo da história. Para muitos a ligação não é com a concretude do lugar mas sim o "espaço-lugar"impermanente e imperecível que é edificado dentro do coração.
Cada um tem um lugar e ocupa um lugar.
Este lugar não obrigatoriamente está fora. Na maioria das vezes, o fora e visível, espelha a simbologia imaterial de nossas emoções e espiritualidade mais profundas.
Aquelas que sobrevivem ao tempo. Procure seu lugar.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Amor ao Próximo!



Conta-seta-se que, na antiga Judéia, um homem, ferido num assakto perto de Jericó, agonizava à beira da estrada. Passou um doutor da Lei, tinha pressa, não prestou atenção ao ferido, tão perto dos seus olhos.
Outras coisas eram mais importantes do que a vida ou a morte de alguém que ele nem conhecia. Passou um comerciante. Tinha pressa. Os mercados iam fechar, não havia tempo a perder com um desconhe cido fora do mercado.
E passou um samaritano. Os habitantes da Samaria eram em geral desprezados como inferiores. Esse parou. Desceu do cavalo, cuidou das feridas, levou o homem a uma estalagem, pagou pelo tempo em que cuidariam dele até que pudesse voltar. Não o conhecia. Mas o reconheceu.
Ele era o Próximo, o estranho. O homem ferido soube também que aquele era o seu próximo.
Próximos, um para o outro. É como, fortuitamente, acontece o amor. Uma transcendência cuidadosa".

E osque não luta, com o Anjo?
Artigo de Marcio Tavares D'amaral.
O Globo 12/12/2015.

Árvore armada ainda pouquinho.
Que neste e em todos os tempos possamos pensar e sentir mais o amor pelo próximo em nossos corações.
Vamos prestar um pouco mais de atenção a nossa volta e tentar olhar e encontrar nosso peóximo.
Aqui ou em qualquer lugar.
Neste plano ou em outros.
Vamos pensar em fazer o bem!
Não importa a quem.
Feliz Natal a todos!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Um banco qualquer

Me sentindo assim ou precisando de um lugar assim. Talvez, as duas coisas em uma só. Este momento que é de parada, desacelerada e introspecção.
Aparentemente, estamos ao longo de nossa vida cruzando espaços físicos e digitais. Nossas vidas se misturam em tantas conexões que não sabemos mas o significado de quietude. Nossa antiga praça virou uma Ágora digital. Não saímos mais de casa ou caminhamos até a praça mas próxima a procura daquele banquinho para poder sentar e fazer uma leitura ou apenas ficar de bobeira.
Não podemos mais dar bobeira. Tempo passa e a última hastag já nos convoca para mais uma manifestação, mais uma vocalização, mais uma demarcação de território.
Engraçado. Demarcar quando não mais temos ou sabemos onde começam os nossos espaços internos, nossas ruas, cruzamentos, nossas praças, nossos bancos...nossos silêncios.
Manhã? Entardecer? Verão? Inverno? 
Não sei mais.
Nem lembro que praça é esta. Só sei que este interlúdio até a próxima zapeada me dá a chance de parar por aqui, sentar e ficar quieto.
Talvez fique aqui até o anoitecer. Já começo a sentir o vento querendo conversar com minhas histórias, revirando minhas páginas de contos, acabados e inacabados.
Fecho os olhos e não sei se estou no céu, na praça, no bosque ou se já me fui. Sinto os abraços antigos daqueles que já se foram e sinto os abraços de todos aqueles que ainda não chegaram. Meus passados e meus sonhos.
Meu baú!
As folhas parecem ganhar vida a procura da pena que as faça sorrir. Faceira sobre o papel, encontra caminhos caligráficos para descobrir meus segredos e revelar meus sentidos mais ocultos do que revelados.
Aos poucos acho que começo a sorrir.
Parece que me lancei em uma viagem sem fim. Amarrei minha esperança na lua e vou deixar que ela me leve por este universo sem limites.
Assim,
da praça ou do banco,
vou voar pelas nuvens e constelações.
Vou sonhar, para quem sabe, por enquanto
não acordar.


José Vicent Payá Neto


Jerusalém















"O objetivo da procura religiosa sempre foi, na verdade, uma experiência, não uma mensagem. Queremos nos sentir verdadeiramente vivos e realizar o potencial de nossa humanidade, vivendo de modo a estar em sintonia com as correntes mais profundas da existência. Essa procura de uma vida superabundante - simbolizada por deuses poderosos e imortais - inspirou todas as grandes religiões: as pessoas desejavam ultrapassar a mortalidade e a insignificância da experiência terrena para encontrar uma realidade que complementasse sua natureza humana. No mundo antigo, elas achavam que, sem a possibilidade de viver em contato com esse elemento divino, a vida era insuportável".

Livro: Jerusalém - Uma cidade, três religiões
Autora: Karen Armstrong

Com a chegada do período natalino onde nossas emoções se encontram mais abertas e afeitas a sentirem a necessidade que temos de um pouco mais de espiritualidade e menos de materialidade, em que a estrela de Belém que anuncia o nascimento de Jesus nos mobiliza na busca de um sentido para nossas vidas, possamos nós nos dedicarmos a alguns momentos de reflexão interna.

Olhar para dentro de nossos corações e buscarmos o nosso lugar sagrado. Aquele onde nós encontramos silêncio, paz e harmonia. Que possamos ficar ali sentados, em paz e quietos. O tempo suficiente para reconquistarmos o controle sobre nós mesmos.

Que cada um consiga esta oportunidade. Não é fácil em meio a tantas provocações e solicitações externas de consumo. Nosso principal alimento não virá das formas. Virá do sentido!

José Vicent Payá Neto

Vazio


Ontem acordei pensando sobre esta sensação fugidia que fustiga incessantemente a nossa mente e o nosso coração por toda uma vida. A busca incessante pela felicidade.
Este estado de espírito que nos dá a sensação de que tudo está bem. 
Fiz uma retrospectiva da minha vida ponderando meus altos e baixos e buscando ao final chegar a um resultado nos diferentes campos das ansiedades. Realização física, profissional, pessoal e espiritual.
O balanço me trouxe a soma de todas angústias superadas, de todas alegrias conquistadas, de todos os tempos  e estações vividos. O verão quente da vida e o inverno do recolhimento.
O resultado?
Não tenho do que me queixar. 
Então porque ao final destes ciclos de ganhos e perdas, de vitórias e de derrotas, de quedas e superações fica a sensação de um vazio. De uma tela em branco como se faltasse uma tinta a ser jogada.
Porque não estamos acostumados ao estado de paz interna e da falta de uma adrenalina externa que nos coloque novamente em uma roda de expectativas e frustrações.
Como uma droga, vivemos no limite do movimento contínuo. Nos jogando no carrossel intermitente de falsas miragens e objetos a serem perseguidos.
A paz pode ser o vazio. Sim.
Vazio de expectativas. Apenas, uma vida para ser vivida buscando se fazer o melhor, desejando o melhor e trabalhando pelo melhor. Em prol do coletivo, seja, este, físico ou espiritual. Somos uma Humanidade que caminha a longas eras em busca do aperfeiçoamento. A evolução da vida, da forma e da consciência.
Tempo, neste caso, é recurso extremamente relativo. Não existem partidas ou chegadas. Existe o eterno movimento que se recicla e retroalimenta. Portanto, nunca estamos. Não concluímos nossa trajetória com uma nota. Ela está sempre se transmutando. Um portão que sempre se distancia de nossas mãos. Uma ponte que se estende para além das duas margens. Tempo e Espaço!
O espaço em branco no início talvez seja para refletir isto. O vazio da queda em que devemos nos abandonar. A queda na nossa mais profunda religiosidade ou espiritualidade.
Talvez desta forma,
ao cair no colo de Deus, possamos ter a sensação do amparo que tanto procuramos.

José Vicent Payá Neto


terça-feira, 9 de junho de 2015

Viva!

Que possamos unir nossas diferentes perspectivas por meio do afeto. Em tempos de mídias sociais que cada vez mais promovem a sensação do livre, leve e solto, que possamos encontrar um ponto comum de equilíbrio e respeito pela opinião e pelo próximo.
Que a tecnologia que aproxima e estreita distâncias possa ser isto, ou, apenas isto. Uma tecnologia e não uma arma de efeito letal e imediato que corrompe histórias, dilacera vidas e expõe o pior do ser humano. Sua incapacidade de lidar com o diferente, o alheio, o incompreensível, crenças, raças e cores.
Somos os dardos ou as flores que jogamos aos pés das pessoas. Podemos ser a sua mais doce lembrança ou a pior experiência de convívio.
Pensar é elemento cada vez mais desnorteador para as pessoas. Reféns de sua dose online de fragmentos multifacetados da realidade , a maioria prefere o caminho mais curto e imediato. Postar. Postar. Postar.
A palavra mais doce ou o sentimento mais afetuoso de proximidade desinteressada se perde em meio as torrentes de imagens, notícias e opiniões que se replicam indefinidamente por meio de seres replicantes.
Sim.
É nisto que estamos tornando. Seres replicantes.


Replicamos preconceito.
Replicamos inverdades.
Replicamos dogmas.
Replicamos intolerâncias.
Pior.
Replicamos a voz do vazio. De algo que nos chegou não se sabe de onde e nem para onde vai.
Perdemos a clareza de nosso maior dom. Pensamento e Reflexão.
Perdemos aquilo que nos faz únicos e nos torna diferentes da massa que segue infeliz o destino que sabe não ser seu.
Quem consegue, sabe. Quem sabe, sorri. Quem sorri, sabe que vive!


José Vicent Payá Neto

Lisboa - Castelo de São Jorge

Bom dia!
Cá estamos nós de novo para falar da próxima viagem. Como disse no último post, eu e Cris vamos começar nosso trajeto por Lisboa. Entre tantas opções e lugares para ver, olhar e paquerar, certamente alguns são nossa prioridade.
Os castelos certamente serão vistos e revistos já que tanto eu quanto minha querida Cris, adoramos.


Entre estes, o castelo de São Jorge será uma de nossas paradas.



Tenho uma ligação espiritual e devocional com São Jorge. Sua oração é belíssima e deixo aqui como um presente para todos. Para maiores informações sobre o castelo ver em http://castelodesaojorge.pt/historia/ .

Ó São Jorge, meu Santo Guerreiro, invencível na fé em Deus,
que trazeis em vosso rosto a esperança e a confiança,
abri meus caminhos. Eu andarei vestido e armado com vossas armas
para que meus inimigos, tendo pés, não me alcancem; tendo mãos,
não me peguem; tendo olhos, não me enxerguem;
nem pensamentos possam ter para me fazerem mal.
Armas de fogo o meu corpo não alcançarão, flechas e lanças se quebrarão
sem a meu corpo chegar, cordas e correntes se arrebentarão
sem o meu corpo amarrar. Glorioso São Jorge, em nome de Deus,
estendei vosso escudo e vossas poderosas armas,
defendendo-me com vossa força e grandeza. Ajudai-me a superar todo desânimo
e a alcançar a graça que Vos peço (fazer aqui o seu pedido).
Dai-me coragem e esperança, fortalecei minha fé e auxiliai-me nesta necessidade.

Viver a Vida!

VIVER A VIDA

A vida é muito preciosa, e precisamos aproveitá-la hoje, a cada momento. Porque depois pode ser tarde...

"Se eu pudesse novamente viver a vida...
Na próxima...trataria de cometer mais erros...
Não tentaria ser tão perfeito...
Relaxaria mais...
Teria menos pressa e menos medo.
Daria mais valor secundário às coisas secundárias.
Na verdade bem menos coisas levaria a sério.
Seria muito mais alegre do que fui.
Só na alegria existe vida.
Seria mais espontâneo...correria mais riscos, viajaria mais.
Contemplaria mais entardeceres...
Subiria mais montanhas...
Nadaria mais rios...
Seria mais ousado...pois a ousadia move o mundo.
Iria a mais lugares onde nunca fui.
Tomaria mais sorvete e menos sopa...






Teria menos problemas reais...e nenhum imaginário.
Eu fui dessas pessoas que vivem preocupadamente
Cada minuto de sua vida.
Claro que tive momentos de alegria...
Mas se eu pudesse voltar a viver, tentaria viver somente bons momentos.
Nunca perca o agora.
Mesmo porque nada nos garante que estaremos vivos amanhã de manhã.
Eu era destes que não ia a lugar algum sem um termômetro...
Uma bolsa de água quente, um guarda chuvas ou um paraquedas...
Se eu voltasse a viver...viajaria mais leve.
Não levaria comigo nada que fosse apenas um fardo.
Se eu voltasse a viver
Começaria a andar descalço no início da primavera e...
continuaria até o final do outono.
Jamais experimentaria os sentimentos de culpa ou de ódio.
Teria amado mais a liberdade e teria mais amores do que tive.
Viveria cada dia como se fosse um prêmio
E como se fosse o último.
Daria mais voltas em minha rua, contemplaria mais amanheceres e
Brincaria mais do que brinquei.
Teria descoberto mais cedo que só o prazer nos livra da loucura.
Tentaria uma coisa mais nova a cada dia.
Se tivesse outra vez a vida pela frente.
Mas como sabem...
Tenho 88 anos e sei que...estou morrendo."

Inveja mata!


Tem gente que acorda infeliz, dorme infeliz, vive infeliz e espalhando rancor e mágoa. Gente que se acha no direito de julgar os outros e de atribuir defeitos onde são incapazes de ver sinceridade e liberdade.
Liberdade das pessoas em construírem afetos, novas amizades e cobri-las de atenção e carinho.
Na boa, para estas pessoas só um recado:vai ser feliz!
Se é que isto é possível com cabeças tão depressivas!
Não enche o saco e para de ficar julgando o próximo como se fosse baluarte do bom comportamento.
Ou seja, vai construir alguma coisa.
Vai tentar servir de exemplo para os outros.
Vai construir uma referência profissional.
Vai tentar ter um amor para chamar de seu.
Vai construir pontes.
Vai ler um pouco e ter mais bagagem!
Por outro lado,
Largue o rancor,
Largue o ódio,
Largue a mágoa,
Largue a inveja,
Largue a infelicidade.


Porque depois não adianta reclamar da depressão.
A depressão somos nós que construímos.
Somos nossa luz ou escuridão.
Prefiro continuar espalhando luz e criando luz ao meu redor.
Sempre com novas amizades!
Sempre com minha linda família!
Sempre sendo referência no meu trabalho!
Sempre amando e sendo amado pelo meu amor e meus filhos.
Se liga!
Tempo passa!
Quem quer ser feliz, tem serenidade para caminhar!

José Vicent Payá Neto

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Pessoa

Ultimamente tenho lido e relido sempre com intensa paixão os escritos de Fernando Pessoa. Disse a minha amada que me sentia mais do que nunca, Pessoa tal intensidade de lucidez com que desbravava seus versos, rimas e poesias.
Não sei como este sentimento de proximidade me surgiu. Sei apenas que um belo dia, sentei-me no pequeno sofá da sala de leitura e abri um livro com alguns de seus escritos. Escritos de Álvaro de Campos, capa roxa e singela em uma pequena edição de bolso.
aos poucos fui folheando e procurando um porto por onde começar minha viagem para além de onde meus olhos são capazes de ver e meu coração de sentir. Criar a confiança dos indecisos, o farol dos ensombrecidos e o ardor dos leve de espírito.
Alguém que como ele sempre se sentiu tangenciando a vida. Vivendo-a das bordas de pequenas aventuras solitárias em viagens insólitas e nem sempre das mais seguras. Pensei ter encontrado um cais, um porto de onde saíssem vários navios para vários destinos. Encontrei um navio balançando calmamente nas ondas incertas da razão. Inseguro do que viria pela frente, subi a bordo e tentei não me virar. Não mais encontrar a segurança dos muros e das telhas que me protegem de mim mesmo.
Me voltei para a desconfiança do incerto e imprevisível. Apostei minhas fichas em um jogo de azar justamente por não ter cartas marcadas.
Destino? Desconhecido. Trajetória? Inconstante. Chegada? Nem sei mais.
Pessoa tem me feito bem. Tem me mostrado que ainda que em momentos de solidão e incompreensão.
De poesias rasgadas e alguma desilusão, é possível seguir em frente. Sem medo ainda que sem coragem. Seguir apenas. Viver já que viver só vale a pena se a vida não é pequena.
Fui!

José Vicent Payá Neto

Nova jornada - 2017

Semana que se inicia com muita luz, cor e vida! Hora de compartilhar novos projetos e novas expectativas. 
Eu e Cris pretendemos fazer uma nova viagem de lua de mel. Sim, mais uma viagem de lua de mel. Esta doce e gostosa sensação de frescor que acompanha nosso sentimento de amor e de afeto.
Começamos a rascunhar um possível roteiro tem mais ou menos 01 mês. Viagem longa, daquelas que se esticam até o último suspiro. Em 30 dias a estimativa inicial é de conhecer cerca de 26 novos lugares e uma velha conhecida de nossos corações. Paris.
Loucura? Não vai dar para ver tudo com calma? Besteira, é melhor ir para poucos lugares e aproveitar mais?Talvez sim. talvez não. Toda viagem começa com um sonho, uma vontade, uma certa dose de loucura de querer abraçar o mundo com nossos pequenos braços mas imensos desejos.
Assim, a partir de hoje vou começar a postar aqui neste humilde espaço, um pouco das imagens e comentários sobre os lugares que pretendemos conhecer. Uma viagem portanto compartilhada com os leitores do Blog. Esperamos comentários e dicas de quem por acaso tenha passado pelos lugares aqui mostrados.
Segue abaixo, um pouco da história desta linda cidade. Já gostei!!!

"Segundo a lenda, Lisboa foi fundada por Ulisses. O nome deriva de "Olissipo", palavra que, por sua vez, tem a sua origem nas palavras fenícias "Allis Ubbo', que significam "porto encantador".
O mais provável é Lisboa ter sido fundada pelos Fenícios e construída ao estilo mourisco, bem patente nas fortes influências árabes. Aliás, a cidade foi controlada pelos Mouros durante 450 anos. No século XII, os Cristãos reconquistaram Lisboa, embora só em meados do século XIII é que esta se tornou a capital do país.
No início da Época dos Descobrimentos, Lisboa enriqueceu ao tornar-se um importante centro para o comércio de jóias e especiarias.
Porém, o grande passo em frente da expansão portuguesa chegou em 1498, quando Vasco da Gama descobriu o Caminho Marítimo para a Índia. Foi esse efetivamente o começo da Época de Ouro da cidade, caracterizada pelo estilo Manuelino na arquitetura, nome que advém do monarca da época, D. Manuel I, e que se caracteriza tipicamente pela utilização de motivos marítimos na sua decoração. Ao longo dos séculos, Lisboa cresceu e foi mudando naturalmente. Mais tarde, quando o centro da cidade foi destruído quase por completo pelo Terramoto de 1755, foi o Marquês de Pombal que se encarregou da sua reconstrução, criando assim a chamada Baixa Pombalina, uma área comercial que ainda hoje mantém a maior parte da sua traça original.
Lisboa é uma capital histórica, um pot-pourri com um carácter e um encanto fora do comum, onde 800 anos de influências culturais diversificadas se misturam com as mais modernas tendências e estilos de vida, criando contrastes verdadeiramente espetaculares.
Com vários motivos de encantamento, Lisboa Convida!" Fonte: http://www.visitlisboa.com/Conteudos/Menu-Principal/Lisboa/Historia.aspx?lang=pt-PT.


É pegar o bonde e embarcar nesta viagem romântica por uma cidade que deu ao mundo o maravilhoso Fernando Pessoa, nascido em 1888.
Acho que se fecharmos os olhos em algum ponto da cidade, em alguma esquina durante uma caminhada, em um bar ou tabacaria enquanto degustamos um bom vinho poderemos sentir sua presença e escutar seus lindos poemas.

Tabacaria

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo.
que ninguém sabe quem é
( E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes
e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.



quarta-feira, 3 de junho de 2015

"cadeados" do amor

Os cadeados do amor que por tanto tempo firmaram, na "Ponte dos Amantes", juras eternas de corações apaixonados do mundo inteiro e de todas as épocas estão sendo retirados em função dos danos que estão causando a estrutura da ponte.
Para onde irão?
Os corações que por ali passaram conseguirão se adaptar em um novo local?
Perguntas e devaneios de quem não colocou um cadeado mas apenas registrou visualmente tantas histórias, fictícias ou não, que aquela ponte alimenta e alimentou por tantas eras.
Amor não se prende e paixão não se tranca. Fazer o que com a chave que fica nas mãos ou de dele ou dela? Ilusão de que podemos manter tudo sob controle ainda que o gesto seja apenas, ou tão apenas, uma doce ilusão de que os amantes resistirão bravamente as agruras e à passagem do tempo.
Tantas idas e vindas, tantos tempos e contratempos.
Nuances dos que por um instante congelam todas as previsões e expectativas para tão somente se banhar naquela ternura desnudada da entrega.
Entrega acima de tudo da razão. Esta indesejável companhia que quando vem acompanhada do medo nos impede de viver aquilo que a vida tem de mais belo. A imprevisibilidade da paixão ou instantaneidade do amor.
Como dizia o poeta,
"posto que é chama, que seja eterno enquanto dura".


José Vicent Payá Neto


sexta-feira, 29 de maio de 2015

Um amor...

http://awebic.com/pessoas/a-alegria-no-rosto-deste-cara-quando-ele-ve-como-sua-futura-esposa-sera-com-90-anos-e-indescritivel/#.VWcFiLaD3eI.facebook

e aí, Cristina Bastos? Preparada? hehehehe!!!
Pois é, ontem eu estava revendo e relendo os cartões e bilhetes que você fez para mim nestes últimos 15 anos. Automaticamente fui relembrando em meu coração, todos aqueles que escrevi para você.
Principalmente daqueles coloridos onde gravei meu nome e telefone na esperança de uma hora te entregar e poder falar com você.
Vi as fotos de nossos filhos. Luiz Felipe Azeredo Pedro Payá Bruna VieiraEm especial, os primeiros registros da escola do Pedro Payá.
Os primeiros traços, cores e desenhos.
Um filme bom passou na minha cabeça. O filme de nossa vida, de nossas viagens, das nossas aventuras e desventuras, choros e risos, brigas e reconciliações, surpresas e rotinas.
Você é tudo isto para mim. O amor da minha vida!
Um amor que não envelhecerá como nossos corpos.
Um amor que não vai falhar como as nossa memória.
Um amor que não vai...
acabar.
Ao te olhar daqui a 20, 30 ou quem sabe a 40 anos vou dizer exatamente o que este rapaz disse para sua noiva no futuro que visitou.
Se meus olhos falharem, te olharei com as lembranças vivas do meu coração.
Se meus ouvidos falharem, te escutarei no silêncio da minha lembrança mais profunda.
Se minhas pernas me faltarem ainda assim caminharei aos teus braços.
Se minha voz sumir te falarei com a paixão dos meus olhos.
SE eu não mais estiver aqui, você saberá certamente, que foi, é e será o amor da minha vida. De todas as vidas!
Te amo!


José Vicent Payá Neto

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Elogio da Sombra

Elogio da Sombra

A velhice (tal é o nome que os outros lhe dão)
pode ser o tempo de nossa felicidade.
O animal morreu ou quase morreu.
Restam o homem e sua alma.
Vivo entre formas luminosas e vagas
que não são ainda a escuridão.
Buenos Aires,
que antes se espalhava em subúrbios
em direção à planície incessante,
voltou a ser La Recoleta, o Retiro,
as imprecisas ruas do Once
e as precárias casas velhas
que ainda chamamos o Sul.
Sempre em minha vida foram demasiadas as coisas;
Demócrito de Abdera arrancou os próprios olhos para pensar;
o tempo foi meu Demócrito.
Esta penumbra é lenta e não dói;
flui por um manso declive
e se parece à eternidade.
Meus amigos não têm rosto,
as mulheres são aquilo que foram há tantos anos,
as esquinas podem ser outras,
não há letras nas páginas dos livros.
Tudo isso deveria atemorizar-me,
mas é um deleite, um retorno.
Das gerações dos textos que há na terra
só terei lido uns poucos,
os que continuo lendo na memória,
lendo e transformando.
Do Sul, do Leste, do Oeste, do Norte
convergem os caminhos que me trouxeram
a meu secreto centro.
Esses caminhos foram ecos e passos,
mulheres, homens, agonias, ressurreições,
dias e noites,
entressonhos e sonhos,
cada ínfimo instante do ontem
e dos ontens do mundo,
a firme espada do dinamarquês e a lua do persa,
os atos dos mortos,
o compartilhado amor, as palavras,
Emerson e a neve e tantas coisas.
Agora posso esquecê-las. Chego a meu centro,
a minha álgebra e minha chave,
a meu espelho.
Breve saberei quem sou.

Jorge Luis Borges

terça-feira, 26 de maio de 2015

Relembranças - Paris 2008 Capela Nossa Senhora da Medalha Milagrosa

Uma sensação silenciosa de agradecimento me aquece nestes dias. Tenho conversado muito com meus filhos e minha querida Cris sobre o sentido de agradecermos pelo que temos, conquistamos,perdemos, recuperamos ou agraciados pela vida.
Nada ocorre ou vem por acaso. Surge do nada e toma nossas vidas de assalto. Há um sentido de ordenamento naquilo que , por vezes, é desconexo ou aparentemente em desacordo com os nossos padrões e percepções de ordem.
Na maioria das ocasiões nos desestruturamos com este sempre e inesperado mistério que é a vida.
Quando algo de muito valor nos é dado temos logo um sentimento interno de que não somos merecedores de tanta sorte. Se nos faltam oportunidades de ter uma melhor sorte na vida, reclamamos que somos injustiçados. Assim, vamos vivendo espremidos nesta esquizofrênica relação de amor e ódio conosco. Rigorosos em excesso, fechamos nossos portões e nos encastelamos nas nossas angústias e medos. Medo de viver a vida e suas surpresas. Tememos a sorte de sermos agraciados ou punidos. Queremos certeza e segurança ainda que estas sejam meras ilusões de um mundo fluido e impermanente.

Relembrando minha viagem a paris com meu amor, encontrei estas fotos de quando visitamos a Capela de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa. Um endereço delicado e sensível no agitado centro de Paris.
Nas duas vezes em que lá estivemos, tanto em 2008 quanto em 2010, tivemos dificuldade de encontrar a porta de entrada. Parecia uma miragem que se dissolvia a cada tentativa de localização.
Mistério...
Nas duas vezes lá paramos em silêncio, sentamos em um de seus bancos e assistimos uma celebração. Uma pequena celebração da vida espiritual. Lembro-me de que acendi uma vela e de olhos fechados orei agradecendo por tudo que a vida tinha me dado. Mais do que agradecer aquele momento, reconheci de coração aberto, toda minha trajetória até aquele ponto. Não estava só. Estava com todos meus medos, fantasmas, heróis, reis e rainhas, pobres e ricos, mulheres e homens, crianças nascidas e mortas, rios e mares, ventos e tempestades.
Lá estava EU inteiro. Porque não agradecer? Viva a Vida!

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Fernando, esta incrível Pessoa!

Hoje, recordando o passado,
Não encontro nele quem não fui...
A criança inconsciente na casa cessaria,
A criança maior errante na casa das tias já mortas,
O adolescente inconsciente ao cuidado do primo padre tratado por tio,
O adolescente maior enviado para o estrangeiro (mania do tutor novo),
O jovem inconsciente estudando na Escócia, estudando na Escócia...
O jovem inconsciente já homem cansado de estudar na Escócia...
O jovem inconsciente tão diverso e tão estúpido depois...
Não tenho nada de comum com o que foi,
Não tenho nada de igual com o que penso,
Não tenho nada de seu com o que poderia ter sido.
Eu...
Vendi-me de graça e deram-me feijões por troco...
Os feijões dos jogos de mesa da minha infância varrida...
Não! Só quero a liberdade!
Amor, glória, dinheiro são prisões.
Bonitas salas? Bons tapetes? Tapetes moles?
Ah, mas deixem-me sair e ir ter comigo.
Quero respirar o ar sozinho,
Não tenho pulsações em conjunto,
Não sinto em sociedade por quotas,
Não sou senão eu, não nasci senão quem sou, estou cheio de mim.
Onde quero dormir? No quintal...
Nada de paredes_ só o grande entendimento-
Eu e o universo,
E que sossego, que paz não ver antes de dormir o espectro do guarda-fato
Mas o grande esplendor, negro e fresco de todos os astros juntos,
O grande abismo infinito para cima
A pôr brisas e bondades do alto na caveira tapada de carne que é minha cara,
Onde só os olhos - outro céu- revelam o grande céu subjetivo,
Não quero! deem-me a liberdade!
Quero ser igual a mim mesmo.
Não me capem com ideais!
Não me vistam as camisas de forças de maneiras!
Não me façam elogiável ou inteligível! Não me matem em vida!

Fernando Pessoa.

Mandala



Ontem, domingo, tarde da noite, conclui minha primeira Mandala colorida.
Uma nova moda e instala nestes tempos de tanta violência e agressividade humanas. Tiros, facadas, mortes, prisões..
Desatinos de um tempo enlouquecido pelo consumo e pela instantaneidade da vida. Um clique. Um zap. Um toque. Um instante que não pode mais ser vivido na intimidade de quem o sentiu ou percebeu. Obsessivamente sentimos o impulso incontrolável de compartilhar.  Tudo. A vida em fractais sucessivas vistos e revistos por milhões de anônimos que nunca nos dirigiram uma palavra, um olhar, um silêncio, um vazio onde nossa alma possa se acomodar no colo de uma sensibilidade alheia.
Esta Mandala recebeu as cores destes tempos, desta dúvidas e destas angústias. Uma necessidade central de encontrar luz e brilho em uma escuridão de perspectivas e de lágrimas jogadas ao vento.
Tentativa insana de expressar e forçar a miríade de cores que habitam nossas mentes e corações tão sequiosos de calor. Daquela sensação indolente de ficar recebendo luz e calor no silêncio secreto de nossos quartos, camas e penteadeiras.
Almas em desalinho que procuram a costura suave de linhas sinuosas e sensíveis que buscam o caminho do ponto e contraponto. Unindo tecidos esgarçados e desconectados de vestes. Tempos difíceis em que procuramos recantos sagrados e internos para compartilhar nossas súplica mais sinceras por paz. A nossa paz.
A paz do mundo. De todo mundo!

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Relembranças do coração

Momento saudade.
Lembranças da minha viagem a Paris em 2008. Primeira viagem de lua de mel com o amor da minha vida, Cris. 
Foram momentos inesquecíveis. Passear por uma das cidades mais românticas, de mãos dadas e com uma sensação de que aquele era o local certo, com a pessoa certa e no momento certo.
Aqui estava eu, recém chegado e já desfrutando dos encantos de Montmartre. Um sol tímido aquecendo aqueles que foram dias de frio intenso.


Este ano de 2008 foi um ano marcante na minha vida. Estávamos comemorando 5 anos de união e 8 de namoro. Como separar união e namoro? Impossível. É possível, aos apaixonados, imaginar um tempo que corre cronologicamente como um relógio?
Difícil saber o início dos amores e dos encantamentos do nosso coração. Quando começam?
Na palavra. 
No silêncio?
No olhar?
Em que momento nos entregamos por completo aquela perda de razão e sentido.
No mais das vezes queremos que o tempo pare e não transpasse nossa esperança de que a magia é eterna.
Queremos aprisionar os segundos como um doce marcador de nossos beijos e abraços. Paixão assim...