sexta-feira, 29 de maio de 2015

Um amor...

http://awebic.com/pessoas/a-alegria-no-rosto-deste-cara-quando-ele-ve-como-sua-futura-esposa-sera-com-90-anos-e-indescritivel/#.VWcFiLaD3eI.facebook

e aí, Cristina Bastos? Preparada? hehehehe!!!
Pois é, ontem eu estava revendo e relendo os cartões e bilhetes que você fez para mim nestes últimos 15 anos. Automaticamente fui relembrando em meu coração, todos aqueles que escrevi para você.
Principalmente daqueles coloridos onde gravei meu nome e telefone na esperança de uma hora te entregar e poder falar com você.
Vi as fotos de nossos filhos. Luiz Felipe Azeredo Pedro Payá Bruna VieiraEm especial, os primeiros registros da escola do Pedro Payá.
Os primeiros traços, cores e desenhos.
Um filme bom passou na minha cabeça. O filme de nossa vida, de nossas viagens, das nossas aventuras e desventuras, choros e risos, brigas e reconciliações, surpresas e rotinas.
Você é tudo isto para mim. O amor da minha vida!
Um amor que não envelhecerá como nossos corpos.
Um amor que não vai falhar como as nossa memória.
Um amor que não vai...
acabar.
Ao te olhar daqui a 20, 30 ou quem sabe a 40 anos vou dizer exatamente o que este rapaz disse para sua noiva no futuro que visitou.
Se meus olhos falharem, te olharei com as lembranças vivas do meu coração.
Se meus ouvidos falharem, te escutarei no silêncio da minha lembrança mais profunda.
Se minhas pernas me faltarem ainda assim caminharei aos teus braços.
Se minha voz sumir te falarei com a paixão dos meus olhos.
SE eu não mais estiver aqui, você saberá certamente, que foi, é e será o amor da minha vida. De todas as vidas!
Te amo!


José Vicent Payá Neto

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Elogio da Sombra

Elogio da Sombra

A velhice (tal é o nome que os outros lhe dão)
pode ser o tempo de nossa felicidade.
O animal morreu ou quase morreu.
Restam o homem e sua alma.
Vivo entre formas luminosas e vagas
que não são ainda a escuridão.
Buenos Aires,
que antes se espalhava em subúrbios
em direção à planície incessante,
voltou a ser La Recoleta, o Retiro,
as imprecisas ruas do Once
e as precárias casas velhas
que ainda chamamos o Sul.
Sempre em minha vida foram demasiadas as coisas;
Demócrito de Abdera arrancou os próprios olhos para pensar;
o tempo foi meu Demócrito.
Esta penumbra é lenta e não dói;
flui por um manso declive
e se parece à eternidade.
Meus amigos não têm rosto,
as mulheres são aquilo que foram há tantos anos,
as esquinas podem ser outras,
não há letras nas páginas dos livros.
Tudo isso deveria atemorizar-me,
mas é um deleite, um retorno.
Das gerações dos textos que há na terra
só terei lido uns poucos,
os que continuo lendo na memória,
lendo e transformando.
Do Sul, do Leste, do Oeste, do Norte
convergem os caminhos que me trouxeram
a meu secreto centro.
Esses caminhos foram ecos e passos,
mulheres, homens, agonias, ressurreições,
dias e noites,
entressonhos e sonhos,
cada ínfimo instante do ontem
e dos ontens do mundo,
a firme espada do dinamarquês e a lua do persa,
os atos dos mortos,
o compartilhado amor, as palavras,
Emerson e a neve e tantas coisas.
Agora posso esquecê-las. Chego a meu centro,
a minha álgebra e minha chave,
a meu espelho.
Breve saberei quem sou.

Jorge Luis Borges

terça-feira, 26 de maio de 2015

Relembranças - Paris 2008 Capela Nossa Senhora da Medalha Milagrosa

Uma sensação silenciosa de agradecimento me aquece nestes dias. Tenho conversado muito com meus filhos e minha querida Cris sobre o sentido de agradecermos pelo que temos, conquistamos,perdemos, recuperamos ou agraciados pela vida.
Nada ocorre ou vem por acaso. Surge do nada e toma nossas vidas de assalto. Há um sentido de ordenamento naquilo que , por vezes, é desconexo ou aparentemente em desacordo com os nossos padrões e percepções de ordem.
Na maioria das ocasiões nos desestruturamos com este sempre e inesperado mistério que é a vida.
Quando algo de muito valor nos é dado temos logo um sentimento interno de que não somos merecedores de tanta sorte. Se nos faltam oportunidades de ter uma melhor sorte na vida, reclamamos que somos injustiçados. Assim, vamos vivendo espremidos nesta esquizofrênica relação de amor e ódio conosco. Rigorosos em excesso, fechamos nossos portões e nos encastelamos nas nossas angústias e medos. Medo de viver a vida e suas surpresas. Tememos a sorte de sermos agraciados ou punidos. Queremos certeza e segurança ainda que estas sejam meras ilusões de um mundo fluido e impermanente.

Relembrando minha viagem a paris com meu amor, encontrei estas fotos de quando visitamos a Capela de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa. Um endereço delicado e sensível no agitado centro de Paris.
Nas duas vezes em que lá estivemos, tanto em 2008 quanto em 2010, tivemos dificuldade de encontrar a porta de entrada. Parecia uma miragem que se dissolvia a cada tentativa de localização.
Mistério...
Nas duas vezes lá paramos em silêncio, sentamos em um de seus bancos e assistimos uma celebração. Uma pequena celebração da vida espiritual. Lembro-me de que acendi uma vela e de olhos fechados orei agradecendo por tudo que a vida tinha me dado. Mais do que agradecer aquele momento, reconheci de coração aberto, toda minha trajetória até aquele ponto. Não estava só. Estava com todos meus medos, fantasmas, heróis, reis e rainhas, pobres e ricos, mulheres e homens, crianças nascidas e mortas, rios e mares, ventos e tempestades.
Lá estava EU inteiro. Porque não agradecer? Viva a Vida!

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Fernando, esta incrível Pessoa!

Hoje, recordando o passado,
Não encontro nele quem não fui...
A criança inconsciente na casa cessaria,
A criança maior errante na casa das tias já mortas,
O adolescente inconsciente ao cuidado do primo padre tratado por tio,
O adolescente maior enviado para o estrangeiro (mania do tutor novo),
O jovem inconsciente estudando na Escócia, estudando na Escócia...
O jovem inconsciente já homem cansado de estudar na Escócia...
O jovem inconsciente tão diverso e tão estúpido depois...
Não tenho nada de comum com o que foi,
Não tenho nada de igual com o que penso,
Não tenho nada de seu com o que poderia ter sido.
Eu...
Vendi-me de graça e deram-me feijões por troco...
Os feijões dos jogos de mesa da minha infância varrida...
Não! Só quero a liberdade!
Amor, glória, dinheiro são prisões.
Bonitas salas? Bons tapetes? Tapetes moles?
Ah, mas deixem-me sair e ir ter comigo.
Quero respirar o ar sozinho,
Não tenho pulsações em conjunto,
Não sinto em sociedade por quotas,
Não sou senão eu, não nasci senão quem sou, estou cheio de mim.
Onde quero dormir? No quintal...
Nada de paredes_ só o grande entendimento-
Eu e o universo,
E que sossego, que paz não ver antes de dormir o espectro do guarda-fato
Mas o grande esplendor, negro e fresco de todos os astros juntos,
O grande abismo infinito para cima
A pôr brisas e bondades do alto na caveira tapada de carne que é minha cara,
Onde só os olhos - outro céu- revelam o grande céu subjetivo,
Não quero! deem-me a liberdade!
Quero ser igual a mim mesmo.
Não me capem com ideais!
Não me vistam as camisas de forças de maneiras!
Não me façam elogiável ou inteligível! Não me matem em vida!

Fernando Pessoa.

Mandala



Ontem, domingo, tarde da noite, conclui minha primeira Mandala colorida.
Uma nova moda e instala nestes tempos de tanta violência e agressividade humanas. Tiros, facadas, mortes, prisões..
Desatinos de um tempo enlouquecido pelo consumo e pela instantaneidade da vida. Um clique. Um zap. Um toque. Um instante que não pode mais ser vivido na intimidade de quem o sentiu ou percebeu. Obsessivamente sentimos o impulso incontrolável de compartilhar.  Tudo. A vida em fractais sucessivas vistos e revistos por milhões de anônimos que nunca nos dirigiram uma palavra, um olhar, um silêncio, um vazio onde nossa alma possa se acomodar no colo de uma sensibilidade alheia.
Esta Mandala recebeu as cores destes tempos, desta dúvidas e destas angústias. Uma necessidade central de encontrar luz e brilho em uma escuridão de perspectivas e de lágrimas jogadas ao vento.
Tentativa insana de expressar e forçar a miríade de cores que habitam nossas mentes e corações tão sequiosos de calor. Daquela sensação indolente de ficar recebendo luz e calor no silêncio secreto de nossos quartos, camas e penteadeiras.
Almas em desalinho que procuram a costura suave de linhas sinuosas e sensíveis que buscam o caminho do ponto e contraponto. Unindo tecidos esgarçados e desconectados de vestes. Tempos difíceis em que procuramos recantos sagrados e internos para compartilhar nossas súplica mais sinceras por paz. A nossa paz.
A paz do mundo. De todo mundo!

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Relembranças do coração

Momento saudade.
Lembranças da minha viagem a Paris em 2008. Primeira viagem de lua de mel com o amor da minha vida, Cris. 
Foram momentos inesquecíveis. Passear por uma das cidades mais românticas, de mãos dadas e com uma sensação de que aquele era o local certo, com a pessoa certa e no momento certo.
Aqui estava eu, recém chegado e já desfrutando dos encantos de Montmartre. Um sol tímido aquecendo aqueles que foram dias de frio intenso.


Este ano de 2008 foi um ano marcante na minha vida. Estávamos comemorando 5 anos de união e 8 de namoro. Como separar união e namoro? Impossível. É possível, aos apaixonados, imaginar um tempo que corre cronologicamente como um relógio?
Difícil saber o início dos amores e dos encantamentos do nosso coração. Quando começam?
Na palavra. 
No silêncio?
No olhar?
Em que momento nos entregamos por completo aquela perda de razão e sentido.
No mais das vezes queremos que o tempo pare e não transpasse nossa esperança de que a magia é eterna.
Queremos aprisionar os segundos como um doce marcador de nossos beijos e abraços. Paixão assim...

segunda-feira, 4 de maio de 2015

"Sal da Terra". Sebastião Salgado I

Ontem assisti o filme “Sal da Terra” documentário dirigido por Wim Wenders.
Ao longo dos quase 120 minutos de filme não sentimos o tempo passar. Ficamos presos às lentes e ao olhar deste poeta da imagem. Reféns de sua sensibilidade e delicadeza, que lentamente vão nos apresentando um mundo que não vemos, sentimos, conhecemos mas que, sobretudo, existe, sofre e pulsa.
Desconforto? Certamente esta foi uma das inúmeras sensações ao longo da sucessão de imagens instantâneas, duras e infinitas que nos foram sendo apresentadas. Sem entrada. Como prato principal deste mundo tão vasto e imperfeito ou infinitamente perfeito para quem o saiba compreender e descobrir nele toda a sua potencialidade e força.
Um mundo que agoniza abraçado a um mundo que renasce a cada segundo. Inviolado Puro. Virgem. Esta é a contradição se é que se pode colocar desta forma. Fim e começo. Começo e fim. Quando pensamos que nada mais nos resta em meio a tantas guerras, intolerâncias, fanatismos, fome e miséria encontramos regiões com povos intocados, com necessidades mínimas vivendo já desde muito tempo e a muitas gerações. Vivendo longe da urgência do tempo e da angústia do consumo. Descomprimidos dos prazos e dos compromissos inadiáveis de uma sociedade doente. Vítima do próximo “desejo” ou da última postagem.

Paradoxo? Contradição? Ou, simplesmente, a vida, incessante em seu eterno vir a Ser!

https://www.youtube.com/watch?v=djTFzYLiAw0