terça-feira, 26 de maio de 2015

Relembranças - Paris 2008 Capela Nossa Senhora da Medalha Milagrosa

Uma sensação silenciosa de agradecimento me aquece nestes dias. Tenho conversado muito com meus filhos e minha querida Cris sobre o sentido de agradecermos pelo que temos, conquistamos,perdemos, recuperamos ou agraciados pela vida.
Nada ocorre ou vem por acaso. Surge do nada e toma nossas vidas de assalto. Há um sentido de ordenamento naquilo que , por vezes, é desconexo ou aparentemente em desacordo com os nossos padrões e percepções de ordem.
Na maioria das ocasiões nos desestruturamos com este sempre e inesperado mistério que é a vida.
Quando algo de muito valor nos é dado temos logo um sentimento interno de que não somos merecedores de tanta sorte. Se nos faltam oportunidades de ter uma melhor sorte na vida, reclamamos que somos injustiçados. Assim, vamos vivendo espremidos nesta esquizofrênica relação de amor e ódio conosco. Rigorosos em excesso, fechamos nossos portões e nos encastelamos nas nossas angústias e medos. Medo de viver a vida e suas surpresas. Tememos a sorte de sermos agraciados ou punidos. Queremos certeza e segurança ainda que estas sejam meras ilusões de um mundo fluido e impermanente.

Relembrando minha viagem a paris com meu amor, encontrei estas fotos de quando visitamos a Capela de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa. Um endereço delicado e sensível no agitado centro de Paris.
Nas duas vezes em que lá estivemos, tanto em 2008 quanto em 2010, tivemos dificuldade de encontrar a porta de entrada. Parecia uma miragem que se dissolvia a cada tentativa de localização.
Mistério...
Nas duas vezes lá paramos em silêncio, sentamos em um de seus bancos e assistimos uma celebração. Uma pequena celebração da vida espiritual. Lembro-me de que acendi uma vela e de olhos fechados orei agradecendo por tudo que a vida tinha me dado. Mais do que agradecer aquele momento, reconheci de coração aberto, toda minha trajetória até aquele ponto. Não estava só. Estava com todos meus medos, fantasmas, heróis, reis e rainhas, pobres e ricos, mulheres e homens, crianças nascidas e mortas, rios e mares, ventos e tempestades.
Lá estava EU inteiro. Porque não agradecer? Viva a Vida!

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