segunda-feira, 4 de maio de 2015

"Sal da Terra". Sebastião Salgado I

Ontem assisti o filme “Sal da Terra” documentário dirigido por Wim Wenders.
Ao longo dos quase 120 minutos de filme não sentimos o tempo passar. Ficamos presos às lentes e ao olhar deste poeta da imagem. Reféns de sua sensibilidade e delicadeza, que lentamente vão nos apresentando um mundo que não vemos, sentimos, conhecemos mas que, sobretudo, existe, sofre e pulsa.
Desconforto? Certamente esta foi uma das inúmeras sensações ao longo da sucessão de imagens instantâneas, duras e infinitas que nos foram sendo apresentadas. Sem entrada. Como prato principal deste mundo tão vasto e imperfeito ou infinitamente perfeito para quem o saiba compreender e descobrir nele toda a sua potencialidade e força.
Um mundo que agoniza abraçado a um mundo que renasce a cada segundo. Inviolado Puro. Virgem. Esta é a contradição se é que se pode colocar desta forma. Fim e começo. Começo e fim. Quando pensamos que nada mais nos resta em meio a tantas guerras, intolerâncias, fanatismos, fome e miséria encontramos regiões com povos intocados, com necessidades mínimas vivendo já desde muito tempo e a muitas gerações. Vivendo longe da urgência do tempo e da angústia do consumo. Descomprimidos dos prazos e dos compromissos inadiáveis de uma sociedade doente. Vítima do próximo “desejo” ou da última postagem.

Paradoxo? Contradição? Ou, simplesmente, a vida, incessante em seu eterno vir a Ser!

https://www.youtube.com/watch?v=djTFzYLiAw0

Nenhum comentário:

Postar um comentário