quarta-feira, 3 de junho de 2015

"cadeados" do amor

Os cadeados do amor que por tanto tempo firmaram, na "Ponte dos Amantes", juras eternas de corações apaixonados do mundo inteiro e de todas as épocas estão sendo retirados em função dos danos que estão causando a estrutura da ponte.
Para onde irão?
Os corações que por ali passaram conseguirão se adaptar em um novo local?
Perguntas e devaneios de quem não colocou um cadeado mas apenas registrou visualmente tantas histórias, fictícias ou não, que aquela ponte alimenta e alimentou por tantas eras.
Amor não se prende e paixão não se tranca. Fazer o que com a chave que fica nas mãos ou de dele ou dela? Ilusão de que podemos manter tudo sob controle ainda que o gesto seja apenas, ou tão apenas, uma doce ilusão de que os amantes resistirão bravamente as agruras e à passagem do tempo.
Tantas idas e vindas, tantos tempos e contratempos.
Nuances dos que por um instante congelam todas as previsões e expectativas para tão somente se banhar naquela ternura desnudada da entrega.
Entrega acima de tudo da razão. Esta indesejável companhia que quando vem acompanhada do medo nos impede de viver aquilo que a vida tem de mais belo. A imprevisibilidade da paixão ou instantaneidade do amor.
Como dizia o poeta,
"posto que é chama, que seja eterno enquanto dura".


José Vicent Payá Neto


Nenhum comentário:

Postar um comentário