segunda-feira, 8 de junho de 2015

Pessoa

Ultimamente tenho lido e relido sempre com intensa paixão os escritos de Fernando Pessoa. Disse a minha amada que me sentia mais do que nunca, Pessoa tal intensidade de lucidez com que desbravava seus versos, rimas e poesias.
Não sei como este sentimento de proximidade me surgiu. Sei apenas que um belo dia, sentei-me no pequeno sofá da sala de leitura e abri um livro com alguns de seus escritos. Escritos de Álvaro de Campos, capa roxa e singela em uma pequena edição de bolso.
aos poucos fui folheando e procurando um porto por onde começar minha viagem para além de onde meus olhos são capazes de ver e meu coração de sentir. Criar a confiança dos indecisos, o farol dos ensombrecidos e o ardor dos leve de espírito.
Alguém que como ele sempre se sentiu tangenciando a vida. Vivendo-a das bordas de pequenas aventuras solitárias em viagens insólitas e nem sempre das mais seguras. Pensei ter encontrado um cais, um porto de onde saíssem vários navios para vários destinos. Encontrei um navio balançando calmamente nas ondas incertas da razão. Inseguro do que viria pela frente, subi a bordo e tentei não me virar. Não mais encontrar a segurança dos muros e das telhas que me protegem de mim mesmo.
Me voltei para a desconfiança do incerto e imprevisível. Apostei minhas fichas em um jogo de azar justamente por não ter cartas marcadas.
Destino? Desconhecido. Trajetória? Inconstante. Chegada? Nem sei mais.
Pessoa tem me feito bem. Tem me mostrado que ainda que em momentos de solidão e incompreensão.
De poesias rasgadas e alguma desilusão, é possível seguir em frente. Sem medo ainda que sem coragem. Seguir apenas. Viver já que viver só vale a pena se a vida não é pequena.
Fui!

José Vicent Payá Neto

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