quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Muro das lamentações

"Ao Muro Ocidental, também conhecido como Muro das Lamentações, os judeus logo aplicaram muitos dos mitos habitualmente relacionados com um lugar sagrado. Associaram-no com as tradições do Talmude sobre o muro ocidental do Devir, que de acordo com os rabinos,a Shekhinah abandonara e Deus prometera preservar para sempre. Como acreditavam que a Presença morava ali, passaram a tirar os sapatos ao entrar no recinto. Gostavam de escrever pedidos em pedaços de papel e colocá-los entre as pedras, para que pudessem continuar sempre diante de Deus. Afirmavam que a Porta do Céu se situava bem acima do oratório e que as preces ditas ali subiam diretamente para o Trono divino. Conforme o caraíta Moses Yerushalmi escreveu em 1658, "uma grande santidade repousa no Muro Ocidental,a santidade original que o impregnou então e para sempre".
Quando entravam no estreito recinto e contemplavam o muro que se erguia a sua frente, majestoso e protetor, os fiéis sentiam-se diante do sagrado. O muro se tornara um símbolo não só do divino, mas também do povo judeu. Apesar de toda a sua imponência, era uma ruína - um emblema de destruição e derrota. " Do Templo restara apenas um muro", assinalou Moses Yerushalmi, e ele evocava ausência e presença. Quando o tocavam e beijavam suas pedras, os judeus tinham a sensação de estabelecer contato com gerações passadas e com uma glória extinta. Como eles, o muro era um sobrevivente. Chorando ali, os fiéis lamentavam catarticamente tudo que haviam perdido no passado e no presente. Como o próprio Templo , o Muro Ocidental acabaria representando ao mesmo tempo Deus e a identidade judaica".

Livro: Jerusalém,uma cidade, três religiões.
Autor: Karen Amstrong

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