segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Um banco qualquer

Me sentindo assim ou precisando de um lugar assim. Talvez, as duas coisas em uma só. Este momento que é de parada, desacelerada e introspecção.
Aparentemente, estamos ao longo de nossa vida cruzando espaços físicos e digitais. Nossas vidas se misturam em tantas conexões que não sabemos mas o significado de quietude. Nossa antiga praça virou uma Ágora digital. Não saímos mais de casa ou caminhamos até a praça mas próxima a procura daquele banquinho para poder sentar e fazer uma leitura ou apenas ficar de bobeira.
Não podemos mais dar bobeira. Tempo passa e a última hastag já nos convoca para mais uma manifestação, mais uma vocalização, mais uma demarcação de território.
Engraçado. Demarcar quando não mais temos ou sabemos onde começam os nossos espaços internos, nossas ruas, cruzamentos, nossas praças, nossos bancos...nossos silêncios.
Manhã? Entardecer? Verão? Inverno? 
Não sei mais.
Nem lembro que praça é esta. Só sei que este interlúdio até a próxima zapeada me dá a chance de parar por aqui, sentar e ficar quieto.
Talvez fique aqui até o anoitecer. Já começo a sentir o vento querendo conversar com minhas histórias, revirando minhas páginas de contos, acabados e inacabados.
Fecho os olhos e não sei se estou no céu, na praça, no bosque ou se já me fui. Sinto os abraços antigos daqueles que já se foram e sinto os abraços de todos aqueles que ainda não chegaram. Meus passados e meus sonhos.
Meu baú!
As folhas parecem ganhar vida a procura da pena que as faça sorrir. Faceira sobre o papel, encontra caminhos caligráficos para descobrir meus segredos e revelar meus sentidos mais ocultos do que revelados.
Aos poucos acho que começo a sorrir.
Parece que me lancei em uma viagem sem fim. Amarrei minha esperança na lua e vou deixar que ela me leve por este universo sem limites.
Assim,
da praça ou do banco,
vou voar pelas nuvens e constelações.
Vou sonhar, para quem sabe, por enquanto
não acordar.


José Vicent Payá Neto


Nenhum comentário:

Postar um comentário