segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Peregrinando - Nascimento

" A mais extraordinária história que o mundo já ouviu tem início 2 mil anos atrás, em um pequeno povoado de uma província periférica do Império Romano.
Ali um jovem temente a Deus recebeu a visita de um anjo. seu cotidiano deveria ser como o de outra jovem qualquer daquela cultura: cuidar da casa, do quintal, onde haveria pequenos animais e uma roça de subsistência, e cultivar uma vida religiosa baseada em encontros semanais na sinagoga, nas festas e nas celebrações anuais".
" como uma jovem simples reagiria a uma situação como essa? Maria responde: Eis aqui a serva do Senhor, assim se cumpra em mim a Sua palavra. O que quer dizer: que assim seja, que assim se cumpra em mim, eis aqui o meu útero. É a partir dessa absoluta vulnerabilidade e entrega que essa história vai ser escrita".
" Nossos passos de fé não são guiados por uma lógica pragmática e racional. A fé, ao contrário, surge na contramão daquilo que conseguimos explicar e compreender. A fé acontece quando ouvimos a voz de Deus e, perante ela, nos vulnerabilizamos e entregamos a Ele nosso útero, metáfora do espaço nas profundezas de nossa alma onde podemos ser fertilizados por Deus para gerar vida em nós e através de nós".
Trechos do livro  "Caminho do Peregrino - Seguindo os passos de Jesus na Terra Santa de Laurentino Gomes e Osmar Ludovico".
Em um de seus livros, a ocultista e fundadora da Sociedade Teosófica faz menção a mesma expressão , ÚTERO DO MUNDO , para designar o nascimento da Vida e sua Manifestação. Para os indianos, conhecido como Manvântara.
A passagem do livro me fez recordar exatamente desta analogia esotérica e está na raiz de todos os ensinamentos filosóficos, religiosos e ocultistas seja de que corrente for.
O nascimento da Vida, sua Manifestação e a explosão das centelhas de Vida que vão povoar os universos e seus respectivos mundos dando início ao Grande Ciclo de evolução.
A palavra chave aqui é VIDA!
A VIDA que habita todos nós. Que habita a todas as formas de vida desde os reinos elementais, minerais, vegetais, animais, humanos e super humanos.
A VIDA que requer um recipiente para ser depositada e ,a ser desenvolvida. A este processo, nascimento, o útero da mundo acolhe a fertilidade do logos e coloca em movimento toda a Roda da Eternidade.
Em um aspecto mais íntimo, esta VIDA precisa de nossa coragem e de nossa disponibilidade para se expressar em sua totalidade. Esta energia precisa pulsar. Anseia por seguir seu curso. Deseja voltar a fonte divina extasiada e satisfeita das experiências que lhe restituíram o sentido mais pleno da espiritualidade.
Nós temos esta abertura.
Em certa medida somos este útero que precisa gerar e dar nascimento a Vida Divina que existe em nós. Nosso parto vem desta fragilidade e vulnerabilidade, interna e externa.
Este nascimento acontece todos os dias, todas as noites e em todas as idades.
Buscamos eternamente a tal da felicidade. Esta só virá ao descobrirmos que não está depositada no trono das coisas passageiras e transitórias.
Quando entendermos que Ter não é um verbo a ser conjugado como um mantra de busca espiritual.
Ao contrário, precisamos encontrar o prazer de estarmos conosco. De nos afeiçoarmos por aquilo que somos de forma incondicional.
O que fica de nós é aquilo que sempre fomos.
Não são as terras, as casas, o dinheiro, as relações, o trabalho...
Fica a nossa essência, e é ela que volta ao Logos com aquilo que conseguimos acumular de experiências. Lições ou constantes repetições.
Portanto, a metáfora da útero como espaço-tempo, é uma alegoria esotérica que nos mostra a infinitude, a inconstância e impermanência,a transitoriedade das coisas externas para dar vazão a música da vida.
Ao canto de todas as gerações e eras.
De todos os míticos e místicos Grandes Seres que estiveram entre nós. Não importa a Fé!
Vale o caminho!
Beijo no coração!

José Vicent Payá Neto



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