segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Trilha de bons pensamentos

Ao longo de minhas viagens na Europa onde passei por Paris, Bruxelas, Antuérpia, Amsterdam, Roma, Milão, Florença,Veneza,Nimes, Lyon e Marselha sempre que encontrava uma Igreja, entrava silenciosamente com minha querida Cris ajoelhava e agradecia por tudo que a vida tinha me proporcionado.
Orava a Deus não me vinculando a nenhuma religião mas a todos os meus guias espirituais fossem eles católicos ou não e, em Paz, agradecia por ter chegado até aquele ponto da estrada.
Assim foi por todos os trajetos. Invariavelmente eu me emocionava porque no meu canto mais silencioso e resguardado eu avivava e remexia nas memórias desta minha trajetória. Revirava as fotos da minha alma, arrumava as folhas do meu espírito e soprava a poeira de minhas dores.
A cada Igreja, fosse ela a NotreDame ou uma pequena igrejinha aberta aos domingos como foi em Paris em um domingo qualquer, entrávamos não para conhecer mas, sim, para agradecer.
Não temos este hábito. Em tempos velozes e furiosos de tantas intolerâncias acumuladas e de tantas fontes de dispersão nos esquecemos de sentar, fechar os olhos, e agradecer.
Não chegamos em um determinado lugar. Não estacionamos em um determinado ponto. Naquele instante, somos a soma de tudo que acumulamos. No instante seguinte outros fotogramas serão adicionados ao nosso filme.
Novas músicas irão tocar no nosso MP3.
Que instantes iremos guardar no caldeirão dos nossos sentimentos. Impossível saber. Portanto,a cada parada, a cada sentada, a cada reflexão, ao final me dirigia ao altar e acendia uma vela. Uma pequena vela. Sempre murmurava para mim mesmo; " que esta luz reflita a bem aventurança de meu caminho e que possa deixar uma trilha de felicidade atrás de mim, iluminando as curvas da vida. 
Procurava fazer um mapa luminoso que pudesse guiar aos que viessem depois. Um desejo humano de deixar sua marca na Terra, na Vida, no Mundo.
A cada nova igreja uma vela era acesa.
Logo, me veio a cabeça a imagem de uma procissão iluminando o caminho dos peregrinos. Nós, peregrinas de nossas jornadas. Trilhas que não estão fora mas dentro de nossa alma, espírito, coração e , sobretudo de nossas mentes.
Nunca sabemos ou saberemos as dificuldades que angustiam os outros. Que necessidades eles terão ou tem.
Quem sabe, deixando um pouco de luz não estaremos dando uma chance a que este outro fique mais próximo de nós.
Quem sabe, aos poucos, não iremos nos preocupar mais com as necessidades alheias e com calma e serenidade iremos tentar aliviar o caminho.
A jornada é de cada um.
Acompanhar e estar por perto com uma palavra amiga ou uma escuta silenciosa é nossa opção.
A presença na ausência se faz!
Feliz 2016!

José Vicent Payá Neto

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