segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Vazio da manhã

Hoje, um pouco assim. O que colocar numa folha em branco? Pegar a caneta e escrever. Na verdade, abrir o computador e olhar para a tela em branco e manter as mãos suspensas sobre o teclado.
Aqueles segundos de expectativa que separam o início de uma apresentação e a sua transcendência em um jorros de notas habilmente manuseadas pelo maestro.
Tantas composições quanto compositores passam por suas mãos e a tanto tempo que deixaram de ser mistério e se transformaram em hábito.
Será?
Assim, também na vida. Dia após dia a mesma expectativa quando abrimos os olhos e ainda deitados imaginamos o que nos aguarda. Desenrolar de hábitos sucessivos ou algo de novo para nos estimular? Normalmente, tudo na mesma.
Hoje, enquanto me levantava fui mentalizando cada ato na medida em que o executava. Acho que até cheguei a escutar o tique taque marcando o compasso deste dança.
Tudo parecia seguir em ordem, nota após nota, tom após tom, movimento após movimento. A sensação de ordem seguida da angústia da tempo se esvaindo. Não o tempo do tempo. O tempo da vida. Seguindo e se desfragmentando. Não ficou pegada. Se foi feito uma brisa levando a lembrança do que poderia ser um tempo de um novo dia.
Era para estar tudo em ordem. Era para estar tudo bem. Era para ser assim. Tique taque...
O que nos dá a sensação de perda e de vazio.
Quando o vazio não é preenchido deixando de ser ausência mas que não preenche espaço. Lacunas, dobras do tempo, folhas amassadas de uma letra não escrita. Vazio. O que falta?
Ou não falta nada? É apenas vazio. Aquele espaço entre o silêncio e o barulho.
Aquela fagulha de paz antes que tudo comece.
Aquela hora entre o despertar e o levantar.
Entre ouvir e falar.
Entre nascer e viver.
Paz.
Lembro de que quando criança, gostava de sentar ir a praça e olhar o balanço. Não queria sentar e me jogar no ar como todas crianças.
Queria apenas olhar aquela estética do não movimento que o balanço parado demonstrava.
Aquele instante de paz e ansiedade.
Em que esperamos os braços amorosos virem, em silêncio nos balançar. Lentamente.
Talvez seja esta a sensação de hoje pela manhã.
A necessidade de braços amorosos a me balançar. Aquele vazio cheio de alegria sabendo que ali, bem pertinho tem alguém que vai nos lançar na vida e nos amparar na volta.
Vai jogar nossos sonhos no alto ou colhe-los de volta.
Vazio pode ser espera.
Vazio pode ser silêncio.
Vazio pode ser isto.
Apenas ausência de barulho. 
Será que temos dificuldade de nos acostumarmos as coisas boas?


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