sexta-feira, 24 de junho de 2016

Pelas Portas de Ouro - Mabel Collins - A Lição

"Nenhum homem pode julgar a outro senão na medida do seu próprio discernimento; não prejudiques as tuas próprias possibilidades de desenvolvimento, condenando em outros a possessão de faculdades que não conheces.
O pensamento se lança com maior rapidez que o fluido elétrico; cada aspiração resplandescente relampagueia e chama a atenção do Mestre distante, que sempre vela.
"Confia ao Senhor tua carga", confia no Ser Superior. Usa do corpo como de um meio para dar maior força à conexão com o espírito e para abrir caminho às suas descidas.
Mata a ambição; é um inimigo mortal e covarde, cujo poder sobre ti se acha aumentado pela provação dos demais.
É Carma quem te manda a este mundo, ao qual chegas só, no qual te deixa só e do qual tirar-te sozinho. A Lei de Carma é a lei da conservação da energia, tanto nos planos mortais como nos espirituais da natureza.
O corpo é o retrato da mente. O artista ao contemplar suas discordâncias, deplora seu fracasso mas não sabe como remediá-lo. Isto é incumbência do espírito e uma vez isto verificado, fica no exterior um reflexo verdadeiro da Alma interna.
O mané que alimenta o espírito, se oculta à vista. O Espírito Universal o proporciona".

Pelas Portas de Ouro - Mabel Collins - A Lição

"Que é um Mahatma? É seu corpo físico? Não: pois tem que parecer mais ou menos depressa, se bem que pode ser conservado durante um período que para nós resulta larguíssimo. Um Mahatma é aquele que vive em sua individualidade mais elevada. E para O conhecer verdadeiramente deve-o ser por meio da individualidade na qual Ele permanece.
O saber aumente em proporção ao uso que fazemos dele mesmo; quanto mais ensinamos, tanto mais aprendemos. Portanto, busca a Verdade com a fé de uma criança e com a Vontade de um Iniciado e dá parte que possui àquele que não possui a necessária para o seu consolo durante a jornada. Um mero sussurro do mistério divino que chegue aos ouvidos de um caminhante exausto, borra em ti as manchas de muitas más ações cometidas durante tuas emigrações através da matéria.
Jamais a filosofia pode ser aprendida por meio de fenômenos. Trata de aniquilar o desejo pelos mesmos. A todos os estudantes de Ocultismo que existem no mundo lhes têm advertido seus Mestres que é um hábito que, satisfazendo-o, se desenvolve. Vale mais abandonar o estudo do que cair nos perigos da magia negra.

Que é o sentimento do Eu mesmo? Um hóspede passageiro, somente e tudo quanto com ele se relaciona à maneira do espelhismo do grande deserto. O homem é vítima daquilo que o rodeia enquanto vive na atmosfera da sociedade. Pode o Mahatma desejar favorecer-nos todo o possível e, entretanto, ser impotente para isso. A vontade do neófito  tem que ser também o imã que unicamente deve chamar a atenção do Mahatma. Segue suas atrações à maneira da agulha com seus arcano à presença de um Adepto; a mera consideração entusiástica não produz nenhum efeito.
As almas débeis se contentam com meros desejos; as grandes possuem vontades.
Em cada homem permanecem ocultos os germes de faculdades que jamais se desenvolverão na terra e que não têm referência alguma com este plano de conhecimento.

terça-feira, 21 de junho de 2016

Pelas Portas de Ouro - Mabel Collins - A Lição!

"O discípulo vai ao Mestre sem condições. Vai, porém, para não voltar. Para ele são dispensadas as ilusões da matéria e daí é um estrangeiro no mundo das ações, mesmo quando nele deva viver de novo.
Flamígero é o crisol da prova e grande é o perigo quando o neófito alcançou os "estados de exaltação", A cada um dos passos que dá, aguardam-no à espreita os inimigos do espírito, para destruir a soberania e rechaça-lo outra vez ao plano da matéria. Estes inimigos vivem na matéria e estão persuadidos de que sua existência permanece confinada nela; daí sua decisão em manter a matéria apartada do conhecimento do espírito. Sua segurança depende das trevas e do pecado, pois são filhos destas condições e cessarão de existir quando a lâmpada que arde no interior lance sua luz sobre o mundo.
As tentações obstruem o caminho daqueles que pedem muito, sem merecer nem sequer um pouco. Logo que o estudante se põe em contato com o oculto, encontra-se no umbral com os demônios que nele vagam; os demônios da concupiscência, da inconstância, da desconfiança e da covardia.

Deve o estudante encontrar em suas próprias intuições todas as provas necessárias para demonstrar a existência dos Mestres de Sabedoria nesta terra. Atrás do biombo dos sentidos repousa a alma do homem, fator insondável do universo , tão desconhecido para seu possuidor como para os que o observam. É a intuição seu único meio de comunicação e a linguagem da mesma é compreendida unicamente por aquele que possui os conhecimentos arcanos ou ocultismo.
Logo que o Mestre iniciou o seu discípulo, põe o selo do mistico sobre seus lábios e ainda os cerra para evitar o perigo da debilidade ou da indiscrição.

É o sentimento do isolamento pessoal o que causa a morte; a genuína filantropia põe o indivíduo em relação com o Espírito Divino e lhe concede assim a vida eterna. Sendo o Espírito Divino onipenetrante, todos aqueles que por si mesmo relacionados com outras entidades que gozam das mesmas relações.
Daí é que os Mahatmas permanecem em relação magnética e constante com todos aqueles que lograram libertar-se da natureza animal inferior. por este meio é com os Mahatmas têm que ser conhecidos ante tudo.
Até que o Mestre diga que vás a Ele, permanece com a humanidade e trabalha do modo mais altruístico em prol do seu progresso e adiantamento. Isto só pode ser causa da satisfação verdadeira".



segunda-feira, 20 de junho de 2016

Pelas Portas de Ouro - Mabel Collins

" A regra do Mahatma é aproximar-se a cada um, em cujo interior brilha, embora com o mais débil fulgor, o mais rápido vislumbre da verdade, com nossos pensamentos e ações e durante a noite, com as lutas da nossa alma.

A história do nosso desejo pelo desenvolvimento espiritual a escrevemos durante o dia, com cada uma de nossas aspirações da verdade, com nossos pensamentos e ações e, durante  a noite, com as lutas da nossa alma.

Nas páginas do livro do Carma, escritos estão, até em seus detalhes mais insignificantes, nossos esforços individuais; quando a débil vontade seja já suficientemente enérgica para impedir mais renascimentos neste mundo, no qual o espírito vive sonhando, encontraremos na Existência Real, todos os capítulos que tenhamos escrito durante todas as nossas transições. Então, unicamente seremos capazes de ler o livro inteiro, desde o princípio até o fim e poderemos conhecer a natureza da longa jornada desde o espírito à matéria, para voltar de novo ao todo.

O conflito da intuição contra a inteligência tem coberto a humanidade com as ruínas da desesperação. Jamais se renderá o homem a consentir ser o veículo permanente de nenhuma classe de ideias, a não ser que satisfaçam, por completo à totalidade da sua natureza; a união, tão só, da inteligência e da intuição, terminará o conflito.

Colhe o que puderes dos ensinamentos e, ao desenvolver a devoção, mantém, diante de ti, teu próprio exemplo".



O Mestre

Livro: Pelas Portas de Ouro
Autora: Mabel Collins

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Pelas Portas de Ouro - Mabel Collins

Terminando mais uma leitura teosófica maravilhosa. O Livro Pelas Portas de Ouro de Mabel Collins nos toca o coração e a nossa espiritualidade mais profunda.
Aquela que por vezes fica esquecida dentro de nós sufocada pela rotina diária e pelos desafios materiais do mundo físico. Aos poucos na queda na matéria vamos perdendo este vínculo com nossa realeza espiritual, nossa origem divina e cheia de luz. 
A lembrança do Logos Solar fica em algum canto de nossa mente como uma memória afetiva distante. Quando nos deparamos, nunca por acaso, com uma leitura espiritual como esta, somos tomados por completo por seus ensinamentos espirituais de enorme valia na trilha que todos devemos traçar em direção ao Logos Solar ainda que leve muitas vidas.
O livro resgata os valores necessários e as ferramentas que devemos colocar em nossas mochilas. Aprender a ver e ouvir com os sentidos internos são algumas delas.
Humildade no aprendizado, a principal. Boa leitura!

Resumo:

"A autora já é muito conhecida pelas várias e importantes obras que produziu sobre misticismo e ocultismo. Delas cumpre destacar Luz no Caminho, que é uma das mais citadas pelas autoridades de diferentes escolas filosóficas e religiosas ocidentais e orientais.
Pelas PORTAS DE OURO, do mesmo gênero, mostra os passos que cada peregrino tem de dar em sua longa jornada evolucionária para transpor os portais que o conduzem à meta final que é a conquista e posse da fonte inesgotável de felicidade que se oculta no íntimo de seu próprio ser. E nessa jornada não faltarão mãos amigas para ajudá-lo nos momentos precisos.
Em linguagem bem acessível, rica de exemplos e ilustrações, a autora põe a matéria ao alcance de toda inteligência, para suas reflexões e orientações prática na vida cotidiana.

"Oculta e escondida no coração do mundo e no coração do homem está  aluz que pode iluminar toda a vida, o futuro e o passado. Não devemos, por acaso, ir em sua busca? Seguramente alguns devem fazê-lo e então, talvez, estes adicionarão o que falta a este pobre pensamento fragmentário".

Livro: Pelas portas de ouro
Autor: Mabel Collins
Editora Pensamento

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Rubem Alves - final

Com base nos meus conhecimentos híbridos de psicanálise e magia, meu diagnóstico é o seguinte: você sofre de uma possessão demoníaca intermitente. Imagino seu sorriso de incredulidade ao ler isto.

Como é possível que um homem como Rubem Alves ainda acredite em demônios? Demônios são fantasias do imaginário religioso...
De fato, demônios são fantasias do imaginário religioso. As religiões os pintaram como seres repulsivos, com cara de bode, chifres na cabeça, peludos, com rabo, masculinos, genitais em forquilha para penetrar dois orifícios ao mesmo tempo e especialistas em soltar ventilações sulfúricas malcheirosas pelas ventas e partes inferiores. Invisíveis, vagam pelos espaços vazios à procura de ninhos onde botar seus ovos.

Escolhida a vítima, eles se aproximam e por meio de truques sedutores tentam entrar na casa onde desejam se aninhar. Se o dono da casa é bobo e acredita na conversa deles, entram , tomam posse do espaço e não entram, tomam posse do espaço e não saem pacificamente.

Você já deve ter ouvido falar: " Ele ficou fora de si". Se ficou fora de si, quem é que ficou dentro de si? Só pode ser um Outro que não ele. Então, naquele momento, o corpo já não é posse dele. Está sob controle de um Outro, que faz coisas que ele jamais faria.

Nos tribunais se usa falar em " privação dos sentidos" para se referir ao ficar "fora de si", enquanto "um outro" fica dentro de si. Isso quer dizer que a própria linguagem dos juízes e advogados reconhece como real essa situação em que o corpo fica possuído por uma entidade estranha. Assim, se o meu corpo cometeu um crime sob a condição de "privação de sentidos", isto é, enquanto estava possuído por um estranho, eu não cometi. Não sou culpado, não posso ser condenado.

Não descarte os demônios com seu sorriso zombeteiro. Pode ser que o nome e as imagens não sirvam mais. Mas a "coisa" continua a existir com outros nomes. É como um vírus de computador - ele entra sem permissão e faz a maior confusão. Pois assim são os demônios...

Vírus, demônios, dois nomes diferentes para a mesma coisa. Com uma diferença: é mais fácil se livrar dos vírus que dos demônios.

Livro: Sobre demônios e pecados
Autor: Rubem Alves

terça-feira, 14 de junho de 2016

Rubem Alves - Continuação

Sua descrição da metamorfose pela qual você passa me fez lembrar aquele personagem de um seriado, o Hulk. Normalmente homem simpático e franzino, de repente, quando provocado, ele se transformava num outro, um gigante. Ninguém diria que se tratava da mesma pessoa. Os olhos ficavam estranhos, vidrados, o corpo inchava com músculos descomunais, a pele verdejava, as roupas se rasgavam e ele ficava possuído por uma força e uma fúria incontroláveis. Ainda bem que não é isso que acontece com você, pois, se fosse, sua despesa com o alfaiate seria enorme...


Tudo acontece repentinamente. O conselho de contar até dez não serve para nada. Antes de começar a contagem você está possuído. Tudo em você fica diferente, e os outros o olham com espanto. Mas esse Outro em que você se transformou nem liga. Não há palavra que o segure. É como se fosse uma ejaculação de fúria. Aí, passado o surto, o Outro deixa a cena. Some. E você volta, coberto de vergonha, para o corpo onde o Outro o havia expulsado. É hora de tentar consertar os estragos.
Você sabe pedir desculpas. Isso é uma virtude. Mas também sabe que há coisas que não podem ser consertadas. pode ser que a pessoa magoada pelo Hulk o desculpe, mas é impossível que ela se esqueça do que viu. Ela viu o Outro que mora em você e de que ninguém gosta. Nem mesmo você.
Seu horror é triplo. Primeiro, o horror por aquilo que o Outro, com a sua cara faz.

Segundo, o horror de que os outros o tenham visto daquele jeito monstruoso. Você deve conhecer um brinquedinho, não sei o nome em português. Em inglês é jack-in-the-box. É um cubo de metal com uma manivela. O cubo metálico é bonitinho por fora. Aí, a gente vai rodando a manivela e, de repente, a tampa se abre e de dentro do cubo salta uma cabeça grotesca que nos dá um susto. Vendo o cubo fechado, ninguém suspeitaria da cabeça assustadora que está dentro dele. Pois você é parecido com o jack-in-the-box. Todo mundo fica com medo de rodar a manivela.
Terceiro, o simples horror de que more em você um hóspede desconhecido que está além do seu controle racional. Se conselhos racionais valessem alguma coisa, eu lhes daria vários, e até poderia escrever um livro de autoajuda sobre o assunto. Mas, quando o hóspede desconhecido entra em cena, já é tarde demais para fazer qualquer coisa. Até mesmo os anjos da guarda fogem...

Continua em outro post.

Livro: Sobre demônios e pecados
Autor: Rubem Alves

terça-feira, 7 de junho de 2016

O Plano Divino

Uma das ideias mais inspiradoras e iluminadoras que a Filosofia Oculta deu ao mundo moderno é aquela da operação de um Grande Plano por detrás dos fenômenos, aparentemente caóticos e sem propósito, que estão eternamente ocorrendo nas diferentes partes do universo. Ninguém que observe o trabalho da Natureza, mesmo que ocasionalmente, pode razoavelmente duvidar que haja alguma espécie de Inteligência operando por detrás dos fenômenos naturais. Mas há uma grande distância entre esta crença vaga e geral, e a concepção definida de que tudo na manifestação, desde um sistema solar até um grão de poeira, é governado pela Lei e é parte de um Grande Plano, que está gradualmente se desenvolvendo no universo, em suas diferentes partes e em diferentes épocas.
A ciência está interessada somente na investigação destes fenômenos naturais e não está preocupada em saber se há ou não um plano por detrás deles. A filosofia apenas pergunta se existe um tal plano. Mas o Ocultismo sabe e afirma, fundamentado no conhecimento direto, que há um Plano por detrás de todo o universo manifestado, e que cada unidade neste vasto esquema, seja grande ou pequena, está executando uma parte deste Plano. Assim como na execução do projeto de um grande edifício o esquema total pode ser dividido em projetos menores com muitas ramificações, cada unidade realizando sua parte em coordenação com as outras, assim também o Divino Arquiteto usa todo o universo manifestado para a execução do Seu Plano, dividindo. Seu trabalho entre sistemas solares e planetas que aparecem em diferentes regiões do espaço no correr da vastidão do tempo. Cada unidade neste estupendo esquema preocupa-se somente com a tarefa que lhe compete, embora ela esteja intimamente relacionada com a totalidade do esquema e nele se encaixe de uma maneira perfeita.

É natural que nos perguntemos qual poderia ser o propósito deste poderoso e infinito esquema, e os filósofos têm especulado em vão, desde tempos imemoriais, sobre o “porquê” do universo. O estudante de Filosofia Esotérica compreende que o conhecimento a respeito destas questões últimas está além do alcance do intelecto humano e que, portanto, é inútil procurar por uma solução intelectual do “porquê” da manifestação. Este Grande Mistério do universo está oculto nas profundezas da Consciência Divina e somente aqueles que podem mergulhar profundamente naquele incomensurável oceano de conhecimento podem conhecer diretamente algo deste Supremo Segredo.
Mas há um aspecto deste propósito divino na manifestação que podemos ver e compreender. É que ele provê um campo para a evolução da Vida em todos os seus diferentes estágios. A investigação oculta tem mostrado, definitivamente, que nosso sistema solar é um vasto teatro no qual a Vida está evoluindo em suas miríades de formas e elevando-se, através de diferentes estágios, às alturas de esplendor divino, o qual não tem limites e está completamente além da imaginação humana. Este aspecto do Plano o qual podemos alcançar intelectualmente, e cuja apresentação ao mundo é uma das principais preocupações da Sociedade Teosófica, dá um novo sentido à vida e transforma a história natural e humana, de um panorama sem propósito de mudanças biológicas e sociológicas, num vasto desfile no qual vemos marchando firmemente para a meta a nós destinada. Ninguém que realmente tenha compreendido o significado desta concepção pode deixar de empenhar-se de todo o coração no fascinante trabalho que torna possível a realização deste esquema evolutivo.
Como este Plano Divino, que vemos operando na evolução da vida e da forma em toda a parte, não é uma mera crença piedosa ou uma especulação filosófica mas, na realidade, é como o funcionamento de uma fábrica moderna, ele naturalmente requer os serviços de um vasto exército de agentes que são responsáveis pelo funcionamento de suas diversas partes e por sua conclusão bem sucedida. Estes agentes são as hierarquias de Anjos e Adeptos que desde os planos mais sutis guiam as forças da Natureza e realizam as mudanças e ajustes nas instituições humanas que são necessárias à operação eficiente e harmoniosa do Plano.
Uma destas hierarquias atuando em nossa Terra é a Grande Fraternidade Branca, a qual consiste de Super-homens que atingiram a Libertação mas permanecem em contato com a nossa humanidade, para levar adiante o trabalho relacionado ao esquema evolutivo. Todos estes Adeptos, que preferem ser chamados de nossos Irmãos Mais Velhos, ainda que estejam incomensuravelmente acima de nós, não possuem as mesmas características ou capacidades, nem estão fazendo a mesma espécie de trabalho. Eles desenvolveram-se por diferentes linhas e têm diferentes partes do Plano para realizar. Mas como a mais estreita união de consciência e uma sabedoria consumada caracteriza a todos Eles, o estupendo trabalho de guiar e controlar a evolução humana prossegue harmoniosa e eficientemente à medida que as raças vão se sucedendo e as eras passam umas após as outras.
Como os membros desta Hierarquia Oculta constituem o governo interno do mundo e são responsáveis pela evolução ordenada de toda a vida neste planeta, Deles partem os vários movimentos que gradualmente vão mudando as condições no mundo, de acordo com os requisitos do Plano; por Eles são guiadas a ascensão e a queda das civilizações, o desenvolvimento de raças e sub-raças, à medida que estas se sucedem uma após a outra no palco do mundo e provêm as múltiplas condições para a evolução da humanidade. O crescimento desses vários movimentos em diferentes partes do mundo e sua reunião para o conflito ou para a fusão harmônica, vistos do exterior, parecem ser produtos de mero acaso nas mudanças sociais e políticas, mas, vistos com a visão interna, este panorama que o Tempo nos apresenta nada mais é do que o desdobramento do Plano Divino em nossa Terra, guiado e controlado por seus agentes invisíveis por trás do véu dos acontecimentos.
A Sociedade Teosófica é um destes movimentos, lançada no mundo por alguns membros da Fraternidade Branca com um propósito definido. Não podemos pretender conhecer ou compreender qual é este propósito em sua totalidade mas, pelo que nos foi revelado, está claro que este movimento tem, no momento atual, pelo menos três funções bem definidas, ainda que não especificadas. Estas podem ser assim apresentadas:
1. Dar à humanidade certas verdades mais profundas da vida, que são necessárias para o próximo passo na evolução humana.
2. Instilar certos princípios diretivos universais nas mentes das pessoas em geral, tais como o da Fraternidade, de modo que possa se tomar factível o advento de uma ordem mundial melhor.
3. Prover agentes no mundo exterior que compreendam o Plano de modo geral, podendo assim, conscientemente cooperar com os Irmãos Mais Velhos no trabalho que Eles estão executando para o melhoramento da raça humana.


Deste modo, vemos que a fundação da Sociedade Teosófica é parte de um movimento definido para erguer um canto do véu que, até agora, vinha ocultando da humanidade os mistérios mais profundos da vida e Aqueles que possuem as chaves destes mistérios. Provavelmente, chegou o tempo de dar à humanidade uma oportunidade de cooperar diretamente com seus Irmãos Mais Velhos que, desconhecidos e não reconhecidos, têm por eras guiado a humanidade, educando-a e trazendo-a ao presente estágio da evolução. Mas esta cooperação pode tomar-se uma realidade definida e uma força na direção do progresso somente quando as verdades da Filosofia Esotérica permearem o pensamento mundial e realizarem as mudanças fundamentais necessárias na vida e nos pontos de vista do homem médio. No presente momento, no mundo, a Sociedade Teosófica é um pequeno núcleo de tais homens, que estão tentando compreender estas verdades e preparando-se, consciente ou inconscientemente, para este trabalho em conjunto com seus Irmãos Mais Velhos, agora e no futuro. Assim que este núcleo cresça e a maior influência da Sociedade Teosófica trouxer condições mais favoráveis ao mundo para a aceitação destas verdades, pode-se esperar que os Irmãos Mais Velhos darão uma direção mais direta nos assuntos do mundo, tomando-se assim possível para nós avançar mais rápida e facilmente para a meta a nós destinada.
Assim vemos que a Sociedade Teosófica não é exatamente como as outras sociedades espalhadas pelo mundo afora, nas quais um grupo de pessoas se associam e trabalham em conjunto para atingir um objetivo definido. Como outras sociedades, ela também tem um trabalho definido a fazer no mundo, isto é, o estudo e a disseminação de verdades concernentes aos problemas mais profundos da vida. Mas ela tem outra função muito mais importante, e esta é a de servir como um agente direto no trabalho dos Irmãos Mais Velhos para a reforma e regeneração do mundo.
Esta última função da Sociedade Teosófica é muito importante e deveria ser perfeitamente compreendida por todo membro que queira tomar parte ativa em seu trabalho. Pode haver alguns membros em nossa Sociedade que preferem pensar nela como uma mera associação para o estudo e disseminação de certas ideias, que não aceitam este ponto de vista de sua ligação com os Irmãos Mais Velhos, e que podem mesmo nem acreditar na existência de tais seres. Tais pessoas têm direito a ter os seus pontos de vista pessoais e elas podem ser membros muito úteis da Sociedade. Mas a grande maioria de seus membros tem convicção definida, baseada em fatos bem comprovados, de que a Sociedade Teosófica não é um mero corpo acadêmico, mas um instrumento direto dos Irmãos Mais Velhos através do qual esperam realizar mudanças definidas no mundo, com o conhecimento e a cooperação de seus membros.

Esse fato, da ligação vital da Sociedade com Aqueles que são os verdadeiros guias da humanidade, confere uma dignidade especial ao nosso trabalho, tangenciando quase o sagrado, e dá à maioria de seus membros ativos aquela inspiração e entusiasmo que são tão necessários numa tarefa desta natureza. Isso os habilita a permanecer firmes e imperturbáveis nas crises periódicas que ocorrem na Sociedade e às vezes abalam-na até suas fundações. Eles sentem, em tais ocasiões, que sua lealdade aos Grandes Seres e aos princípios universais que Eles corporificam, transcende quaisquer diferenças que possam surgir com relação aos métodos de trabalho e, portanto, aconteça o que acontecer, não desertam do trabalho da grande causa que a Sociedade representa. O vasto Plano lá está, e cada membro pode planejar seu próprio trabalho cuidadosamente, e executá-lo da melhor maneira que lhe seja possível, sabendo que quaisquer que sejam suas limitações, ele de algum modo será usado no trabalho muito maior que os Irmãos Mais Velhos estão executando, incessantemente, para o soerguimento da humanidade.
FONTE:
      TAIMNI, I. K. Principios de trabalho da Sociedade Teosófica. Trad. Milton Lavrador, Rev. Marina Vollares Len

Tempo

Tudo que precisamos em alguns momentos da nossa vida diante do corre corre torrencial de prazos, trabalho, casa, filhos, estudos e afins é uma boa parada.
Parar mesmo.Literalmente! 
Esquecer quaisquer consequências do nosso gesto e simplesmente parar.
Nem toda velocidade que nos impomos é necessária. Na maioria das vezes é apenas a repetição do que nos ensinaram, uma forma de fugirmos de nós mesmos ou apenas uma encenação de importância duvidosa já que nos trará sérias e desagradáveis consequências. A pior delas é não perceber que o tempo passou e qual o tempo que ocupamos dentro do tempo passado e corrido.
Vamos modelando uma forma de ser e de estar.
Sempre em trânsito entre estações, esquinas, ruas e becos.
Por vezes, sem saída.

Não vai adiantar termos nossa mala 007, nossos papéis, computadores e smartphone. Neste momento, seremos só nós mesmos com nossas escolhas. Corridas, esbaforidas e apressadas. Afinal, tempo é dinheiro. Rapidez é eficiência. Ousadia é maturidade. Trabalho é ...
Muro na cara quando perdemos uma pessoa próxima, quando adoecemos, quando uma paixão acaba, quando perdemos nosso emprego, quando vemos que nossos filhos cresceram, quando as horas diminuem sua pressa e nos mostram que algo passou. Ficou. Não foi conosco,

E aí?
Como é que vai ser agora?
Na hora que já é aurora e o tempo passou.
Vai querer quebrar o relógio e sue tique taque incessante?
Parra faz bem.
Parando, serenamos.
Serenando, acalmamos.
Acalmando, escutamos.
Escutando, vemos.
Vendo, notamos.
Notando, percebemos.


Que portas se abrem!
Quebre seus muros e salte do tempo que passa querendo te pegar.
Tempo é também tempo de ficar e de estar.
Na sua sempre preciosa companhia!
Namastê!

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Um pouco de Rubem Alves

A Possessão Demoníaca

Sabendo que em épocas passadas pratiquei a piscanálise, você pediu que eu fizesse o diagnóstico de uma perturbação que o aflige de tempos em tempos.
Li a descrição de seus sintomas com a maior atenção. Você é uma pessoa educada, profissional competente, maduro, generoso, respeitado. Mas, repentinamente, por causa de um pequeno incidente, passa por uma súbita metamorfose. Você deixa de ser o que normalmente é e passa a ser um outro, o Mr.Hyde monstruoso da novela de Robert Louis Stevenson, The Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde, publicada em português com o título O médico e o monstro.

Para início de conversa, devo informá-lo de que  a psicanálise é um tipo de feitiçaria,e , a se acreditar na opinião de William R. Fairbairn, psicanalista que todo mundo respeita, a função do terapeuta é exorcizar demônios. O paciente, então, é alguém que está  possuído por um poder estranho. O que varia não é a doença, mas a intensidade da febre.
Casos como o seu não são raros e ocupam um lugar destacado na literatura. Há de se levantar a hipótese de que todo mundo é louco por dentro. O que não é de todo mau, tanto assim que Fernando Pessoa dava graças a Deus por ser louco. Loucura e criatividade moram em quartos vizinhos...
Nos tempos em que eu era feiticeiro, estava atendendo uma paciente que disse:
- É eu tenho ideia fraca...
Em tom de brincadeira, interferi:
- Ato lá! Nesta sala somente eu tenho ideias fracas...
Ela ficou espantada e não entendeu. Aí expliquei:
- Eu penso as mesmas loucuras que você pensa...
Levantei-me e a chamei para ver o quadro de Hierondymus Bosch O jardim das delícias. É uma loucura completa. De onde Bosh tirou  aquelas imagens e cenas medonhas? De dentro da própria cabeça. Quer dizer: a cabeça de Bosch era um hospício, morada de loucuras. Mas ele não era louco. Era um artista, pintor. Ele não era louco porque suas ideias eram "fracas"> Ele sabia que não eram verdade. Não eram coisas. Eram criações de sua imaginação. Só existiam na cabeça dele. Agora, se ele pensasse que aquelas imagens e cenas eram realidade, seria um louco varrido. Seu lugar seria o hospício. Em vez disso, seu lugar é o Museu do Prado.


- Eu penso as mesmas coisas estranhas que você - continuei - Mas sei que são só pensamentos, nuvens brancas levadas por uma brisa. Eu mando neles. E com eles faço literatura. Mas seus pensamentos são fortes. as nuvens brancas se transformam em nuvens negras, e chove, com trovões e relâmpagos, e você fica toda molhada. Você não é dona deles. Eles mandam em você. Você fica "possuída" por eles...

* O Jardim das Delícias Terrenas é um tríptico de Hieronymus Bosch, que descreve a história do Mundo a partir da criação, apresentando o paraíso terrestre e o Inferno nas asas laterais. Ao centro aparece um Bosch que celebra os prazeres da carne, com participantes desinibidos, sem sentimento de culpa. A obra expõe ainda símbolos e atividades sexuais com vividez. Especula-se sobre seus financiadores, que poderiam ser adeptos do amor livre, já que parece improvável que alguma igreja tradicional a tenha encomendado.
Ligada à "utopia" por um lado, mas representando o lugar da vida humana por outro, Bosch revela uma atualidade do seu tempo, dado que essa vida está entre o paraíso e o inferno como se conta no Génesis. O tríptico, quando fechado, tem uma citação transcrita desse livro "Ele mesmo ordenou e tudo foi criado". Entre o bem e o mal está o pecado, preposição cristã. No jardim, painel central, estão representações da luxúria, mensagem de fragilidade nas envolvências do vidro e das flores, refletem um carácter efémero da vida, passagem etérea do gozo, do prazer.
Enquanto "utopia", porque transcreve de modo imaginário na imagem um "real", que mais se aproxima do surreal, e representa, mesmo que toda a sociedade e a cultura ocidental esteja marcada por essa estrutura, uma história “utópica” do seu tempo. Entre um “bem” e um “mal” está a vida e o pecado, de certo foi aplicado, mas no início seria apenas uma projeção.

Trítico fechado

O trítico fechado: A Criação do mundo,óleo sobre tábua, 220 x 195 cm.
quadro fechado na sua parte exterior alude ao terceiro dia da criação do mundo. Representa um globo terráqueo, com a Terra dentro de uma esfera transparente, símbolo, segundo Tolnay, da fragilidade do universo. Há apenas formas vegetais e minerais, não há animais nem pessoas. Está pintado em tons grises, branco e preto, o que se corresponde a um mundo sem o Sol nem a Lua embora também seja uma forma de conseguir um dramático contraste com o colorido interior, entre um mundo antes do homem e outro povoado por infinidade de seres (Belting.[1]
Tradicionalmente, a imagem que amostra o trítico fechado interpretou-se como o terceiro dia da criação. O número três era considerado um número completo, perfeito, já que em si mesmo encerra o princípio e o fim. E aqui, ao se fechar, transforma-se, no número um, no círculo: de novo nos permite vislumbrar a perfeição absoluta e, talvez, a trindade divina. No canto superior esquerdo aparece uma pequena imagem de Deus, com uma tiara e a Bíblia sobre os joelhos. Na parte superior pode-se ler a frase, extraída do salmo 33, IPSE DIXIT ET FACTA S(OU)NT / IPSE MAN(N)DAVIT ET CREATA S(OU)NT, que significa "Ele o diz, e todo foi feito. Ele o mandou, e tudo foi criado". Outros interpretam que pudera representar a Terra após o dilúvio.

Trítico aberto

Ao abrir-se, o trítico apresenta, no painel esquerdo, uma imagem do paraíso onde se representa o último dia da criação, com Eva e Adão, e no painel central representa a loucura solta: a luxúria. Nesta tábua central aparece o ato sexual e é onde se descobrem todos os prazeres carnais, que são a prova de que o homem perdera a graça. Por último temos a tábua da direita onde se representa a condena no inferno; nela o pintor amostra um palco apoteótico e cruel, no qual o ser humano é condenado pelo seu pecado.
A estrutura da obra, em si, também conta com um enquadre simbólico: ao abrir-se, realmente fecha-se simbolicamente, porque no seu conteúdo está o princípio e o fim humano. O princípio na primeira tábua, que representa o Gênesis e o Paraíso, e o fim na terceira, que representa o Inferno.
* Fonte: Wikipédia
Continua no próximo post.