segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Terapia pela escrita

Tem dias que nada parece engrenar. Nem o pensamento, nem o sentimento e muito menos a nossa rotina diária de casa-trabalho-casa. Existem momentos em que esta rotina ou a soma de todas as rotinas nas nossas vidas provoca pane geral. Folha em branco incapaz de gerar algo prazeroso ou, até mesmo, algo.
Folhas amassadas são a expressão do escritor sem ideias. Expressão máxima para falta de criatividade.
Confesso que tenho andado um pouco assim. A sucessão da mesmice tem sido árida e difícil de digerir. As folhas rasgadas do caderno da vida, vão se acumulando na mesa antes de irem para o lixo.
Lá pelos caminhos do inconsciente para adormecerem no porão, este canto da casa que não gostamos de abrir ou visitar com regularidade. Engraçado é que por conta disto resolvi escrever um pouco. 
Pensar cansa?
Os intelectuais dirão que o que cansa é a ignorância de não pensar.
Filosofias a parte, cansa. As pausas, longas ou curtas, são necessárias na nossa vida diária. A simetria da vida nos seus enredos diários pode enlouquecer. Por isto é bom sair da trilha de vez em quando. 
Como dizia Freud; "limpar a chaminé".
Uma certa recreação mental com direito a piquenique na praia é muito bom. Restaurador eu diria. Apenas não pensar em nada ou, não tão seriamente. Se dar o direito de rir das pequenas bobagens.
Somos muito condicionados e rapidamente adotamos uma rotina. Caminho traçado e aprendido. caminho seguido.
Temos a falsa impressão de que o conhecido e sabido nos alivia das intempéries da vida diária. Não!
Pelo contrário. Em algum instante começamos a rogar pelo novo, pelo desafiador, pela imprevisibilidade e pelo pequeno grande prazer da descoberta. Ainda que gere erro, perda ou dano. Queremos uma dose de alegria. Vem a nostalgia da infância e nos joga na cara as imagens sucessivas de quando éramos pequenos e tudo parecia uma grande aventura. A juventude e o frescor do vento, da chuva ou o silêncio solar da praia e das ondas quebrando no mar.
Abrimos os olhos.
Tudo passou. É um tempo que não volta. É um tempo que ficou.
Hora da terapia!
Hora de falar daquilo que nos incomoda, que está enrolado e enredado feito novelo de lã.
Não podemos ser o gato a enrolar mais ainda. Precisamos virar costureiros de nós mesmos. Puxar o fio e, lentamente, ir trazendo cada história que está ali, guardada a sete chaves.
Desfazer a bagunça de nossas tantas memórias.
Reaquecer nossas lembranças mais queridas e olharmos com calma o fogo arder na lareira da alma deixando queimar a madeira velha e os papéis embotados e mofados.
É hora de se deixar tocar pelas mãos leves e habilidosas dos curandeiros da alma. Deixar-nos tocar pela palavra sensível e, até mesmo, dolorosa daqueles que nos amam.
Hora de sentar, ouvir e deixar-se abraçar por você mesmo.
Hora de gostar de você mesmo.
Hora de reencontrar você mesmo.
De olhar no espelho e sorrir.
Prazer!
Te reconheço!

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Dê uma chance à Vida!


A vida é um caminhar constante que não começou agora. Esta trilha vem sendo percorrida a várias eras. O fio que sustenta esta longa caminhada são nossas escolhas. As opções que vamos construindo a cada segundo seja no pensamento, na palavra, na emoção ou na expressão física.
Assim, pouco a pouco, vamos tecendo novas redes que nem sempre nos sustentam mantendo-nos equilibrados e sempre em frente.
Um piscar de olhos e pronto a corda se rompe e nos desequilibramos podendo cair de forma profunda ou levemente. Aos poucos vamos percebendo e compreendendo que não precisamos fazer esta jornada de forma tão introspectiva e introvertida. Podemos olhar em volta e descobrir a alegria de ter alguém que nos ampare, conforte, escute e abrace.
Um abraço cala forte em nosso peito. Traz toda paz de que necessitamos. Tudo, as vezes, se resume nisto. Um abraço!
Porque? 
Porque aprendemos que temos que ser fortes.
Porque aprendemos que não podemos chorar.
Porque aprendemos que não podemos nos expor.
Porque aprendemos que não podemos falhar.
Porque aprendemos que temos que dar certo.
Porque aprendemos que não podemos sofrer.
Porque aprendemos que tudo tem que ser alegria.
Quando, na verdade, nem sempre está tudo claro, límpido, quentinho e reconfortante.
Está escuro, frio e estamos com um inexplicável desconforto.
Não sabemos sua procedência ou razão.
Hoje em dia, cada vez mais, nossa sociedade nos empurra para uma indústria da felicidade e da padronização dos sentidos. Com a chegada das Redes Sociais os espaços privados, poucos, se foram. Somos invadidos por hordas de comentários e posts nos martelando a necessidade de felicidade , bem estar e sucesso o tempo todo.
Não podemos mais acordar e dizer; "puxa, hoje não estou legal." Não! Hoje tem que ser; "Me sinto um falcão voando nas regiões mais altas do sucesso. Estou bem". Desconforto, desconforta. Principalmente àqueles que, assim, também se sentem mas que não podem se expressar.
Um grito parado no ar.
Abafado pela intolerância do nosso estilo de vida.
Este mês é a campanha contra a prevenção do suicídio. O amarelo é a cor da moda. Incrível como se percebem poucos compartilhamentos. Algo próximo do, "este problema não é comigo". Um grito parado e abafado no ar.

Falar é a melhor solução. Escutar é nossa obrigação. Para tanto precisamos começar a desacelerar nossa vida. Precisamos baixar nossas velas e deixar o barco entrar em uma certa zona de calmaria. Só assim vamos reparar nos pequenos peixes, nos corais, nas algas, no musgo, nos grandes peixes e, principalmente, nas redes. Nas redes jogadas ao mar e que aprisionam a vida sufocando-a até não mais poder.
Faça um favor a si mesmo.Fale!Grite!Pare!Abrace!Escute!Ampare!
Somos a toda Vida que existe dentro e fora de nós!

Como nós todos estamos vivos, obviamente, a vida já está em nós, portanto se temos qualquer dificuldade para saber o significado da vida, isso significa que nós não conhecemos realmente a nós mesmos, ou até mesmo que há uma distorção em nossa percepção e, portanto, nós não estamos realmente vendo o que é. Talvez essa seja a razão pela qual a reta visão ou reta percepção é o primeiro passo – de acordo com o Senhor Buddha – no Nobre Óctuplo Caminho para o Nirvana, o que significa que ninguém pode nos dizer qual é o significado da vida porque temos de vê-lo por nós mesmos. Como é dito em Cartas dos Mahatmas: “a iluminação tem de vir de dentro”. (Cartas dos Mahatmas para A.P.Sinnett. Brasília, Ed. Teosófica, 2001. v. 1. p. 134). 
De fato, conforme nossa vasta literatura, seria fácil dizer que “o propósito da vida é a evolução” e encerrar a investigação, mas como o Dr. Taimni diz sabiamente em Princípios de Trabalho da Sociedade Teosófica:  
“É natural que nos perguntemos qual poderia ser o propósito deste poderoso e infinito esquema, e os filósofos têm especulado em vão, desde tempos imemoriais, sobre o ‘porquê’ do universo. O estudante de Filosofia Esotérica compreende que o conhecimento a respeito destas questões últimas (Caracteriza o que se denomina em sânscrito comoatipraśna, ou seja, questão última além da compreensão do intelecto humano – N.A.). está além do alcance do intelecto humano e que, portanto, é inútil procurar por uma solução intelectual do ‘porquê’ da manifestação. Este Grande Mistério do universo está oculto nas profundezas da Consciência Divina e somente aqueles que podem mergulhar profundamente naquele incomensurável oceano de conhecimento podem conhecer diretamente algo deste Supremo Segredo. Mas há um aspecto deste propósito divino na manifestação que podemos ver e compreender. É que ele provê um campo para a evolução da Vida em todos os seus diferentes estágios”. (TAIMNI, I.K. Princípios de Trabalho da Sociedade Teosófica Brasília, Ed. Teosófica, 1994. p. 14).