segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Festa de aniversário!

A maior celebração da vida é estar vivo. Óbvio? Nem tanto. Levamos nossa vida meio no piloto automático.
Vamos descartando os dias até que chega a data do nosso aniversário e nos espantamos como o tempo passou rápido. Mais um ano se foi.
Quando crianças e adolescentes nem percebemos. Os dias parecem não passar e a sensação é de uma vida inteira com todo tempo do mundo para nossas expectativas e sonhos.
A vida passa muito rápido.
Em um cochilo e lá se vão tantos anos. Assistindo ao Rock in Rio nos surpreendemos com alguns cantores e suas bandas que teimam em desafiar o tempo. Nos emocionamos com suas canções e viajamos no tempo. Somos capazes de dizer onde estávamos, com quem estávamos e o que fazíamos em um certo tempo da nossa vida.
Este tempo passou. Ele não volta. Ele fica no passado. São nossas recordações e lembranças que voltam. Perguntas. Arrependimentos.Alegrias.Tristezas.Pessoas. Épocas.
Tudo está lá. Adormecido.
Aniversários deveriam ser antídotos contra o passado.
Que pudessem dissolver o próprio tempo deixando-nos livres para olhar o hoje. 
Perceber o valor da nossa própria companhia e do nosso Bem Querer.
Acho que esta é a verdadeira magia por traz da festa de aniversário.
A possibilidade de você ao apagar a velinha , desejar um novo recomeço e se perdoar pelo que passou.
Renovação!
Renovação da vida e dos propósitos.
São tantos papéis que são impostos. Tantas expectativas. Tantos planos.
A vida é breve.
Daqui a pouco sem avisar o trem apita e nos diz que é hora de partir.
Nosso aniversário deveria ser uma ocasião para nos despirmos.
Para deixar para trás nossas roupas velhas e os livros já lidos.
Arrumar nosso armário e deixá-lo leve.
Guardar as melhores imagens.
Se perdoar.
Perdoar os outros.
Fechar os olhos e desejar que a primeira fatia seja para você. Afinal, apesar de tudo, você chegou até aqui.
Daqui para frente não sabemos mas pode ser tudo diferente.
Comece então se amando!


segunda-feira, 3 de julho de 2017

Gaivota

Joguei uma gaivota pela janela.
Fiquei olhando ela ir embora.
Chovia, era domingo.
O céu estava encurralado entre dois prédios. Escuro.
Lá foi minha gaivota.
Chovia e fazia frio.
Até onde foi?
Não sei.
Perdi de vista.
O domingo acabou.
A janela ainda está aberta.
O menino?
Talvez ainda esteja lá.
Naquele domingo, naquela janela esperando ver até onde a gaivota voou.

José Vicent Payá Neto


Teatro da vida


Estava procurando uma imagem que pudesse ter relação com a expressão "entulhos emocionais" e acabei encontrando esta frase acima. Gritamos nem sempre de felicidade. Gritamos mais por nossos aborrecimentos do que por nossas realizações.Aprendemos, desde cedo a ser econômicos com nossa alegria.
Escutei muitas vezes quando pequeno, adolescente e adulto a frase; " para que tanta alegria e riso?". Claro que ninguém sobrevive sem algum nível de encolhimento emocional a tanta castração. É por isto que como diz a frase acima, a outra metade é silêncio. Os silêncios se acumulam em uma sinfonia sem nota ou acorde. Vamos adestrando nossa balança emocional. Calibrando as medidas. Tentando estabelecer um peso que gere equilíbrio permanente. Aceitação social.

A redoma começa cedo quando vamos inibindo nossos filhos quanto a sua curiosidade. Criamos os medos, tornamos as florestas mais escuras e ameaçadoras e tornamos a nossa casa e presença física sinônimo de segurança.
Ouvimos calados as histórias que nos contam e recontamos as mesmas histórias aos nossos filhos. A saudade que sentimos da infância muitas vezes é esta sensação de segurança e de estabilidade perdidas na vida madura para além das portas e janelas de casa.
O que era aventura virou solidão.
Invocamos as lembranças de uma infância que nos moldou de alguma forma.
Junto com a segurança as imagens esquecidas trazem retalhos de emoções muitas vezes guardadas a sete  chaves.

As flores ficaram pelo caminho. Estão ressecadas. O tempo parou.
Se voltarmos a olhar para trás corremos o sério risco de voltarmos a ser uma criança que não desabrochou, murchou e ficou lá esquecida na memória apagada da nossa mente. Não cresceu. Estas idas e vindas tem um custo. O custo de olhar para o que não mais somos e aceitar aquilo em que nos transformamos. Pensar que a mudança pode ser daqui para frente. Aquele tempo passado não volta.
Tenho pensado muito nisto. Talvez porque veja meu filho realizando sua jornada de uma forma mais leve e serena.
Penso que de alguma forma me reinventei e não deixei que o brilho dele se apagasse. Ao contrário, Aflorou em uma vida renovada de afeto contínuo.
Descobrir que podemos ser uma boa companhia para nós mesmos faz uma enorme diferença. Faz com que a vida seja um pouco mais leve. Faz com que novos encontros e reencontros sejam mais saudáveis.
Somos feitos de amor pois somos divinos por natureza. Somos livres e quando adormecemos experimentamos a possibilidade de uma vida mais plena em mundos diferentes e épocas variadas.
Este momento em que não somos aquilo que nos julgamos é que nos permite acreditar que existam outros enredos e outros sonhos a serem sonhados.
Não digo que seja fácil. O risco é que seja possível. 
É este risco que precisamos correr. Um risco por algo que nos faça bem.
A reconciliação nos dá paz. Deixa nossa roupa assentar. 
O show continua!
O espetáculo não acaba.
O palco da vida sempre se abre para uma nova peça.
Somos novamente crianças perdidas de nós mesmos. Sem tantas críticas e julgamentos.
Podemos pensar então na nossa velhice que tanto nos angustia como ponto de chegada, finitude, decrepitude de uma outra maneira.
Pois, também, esta roupa vai ficar pelo caminho. Com sua narrativa. Este é o segredo. Não tentarmos misturar as narrativas e os personagens.
Estes vão se sucedendo. Cada qual com sua dificuldade de memorizar a fala e o papel.
Porém, no final, ao final, todos vão ficando pelo chão.
O que sobra é aquilo que sempre esteve ali.
O brilho de cada um como criatura divina que nãos e apaga.


quarta-feira, 28 de junho de 2017

Varredura do Bem!

"Se fosse possível apagar da memória as pessoas que o feriram ou o frustraram, quem você apagaria? Quem você varreria da sua memória?...
...A necessidade neurótica de ser perfeito impede-nos de dar risadas de nossas tolices, e nossa estupidez, de nossas fobias e manias, o que asfixia a nossa capacidade de reciclar o lixo psíquico que adquirimos ao longo da vida. Somos ótimos para acumular detritos em nossa mente. Você recicla seus conflitos, desconstrói suas mágoas, abranda as suas perdas?"
Livro Gestão da Emoção de Augusto Cury

Comecei a leitura deste instigante livro ontem a noite. Fui na estante do escritório de casa e fiquei ali, exposto aos livros esperando que viessem conversar comigo e dar os seus motivos para que eu os escolhesse.
Este ou aquele.
Quem iria sair da estante e se jogar em meus braços me enlaçando com suas histórias, dicas e provocações?
Procurava uma leitura leve. Procurava algo que pudesse acomodar minha alma, minha mente e minhas emoções em um sofá despreocupando-me de grandes reflexões. Queria férias para cuca e para memória. Queria, como se diz, relaxar.
Como ando escrevendo, refletindo e maturando a questão do bem estar, escolhi o livro cujo texto compartilhei acima.
"Gestão da Emoção" de Augusto Cury. A vida é uma caixinha mesmo. Caixinha de grandes descobertas, músicas, surpresas e sobressaltos. Nos abre janelas e portas, na mesma proporção em nos fecha em copas.
Na verdade, não é a vida que faz algo conosco. É sobre como deixamos nos impactar com cada uma de suas brisas ou tormentas.
Deitado em minha cama com a cachorrinha aos meus pés pedindo um carinho dei de cara com a frase que abre esta postagem."Se fosse possível apagar da memória as pessoas que o feriram ou o frustraram, quem você apagaria? Quem você varreria da sua memória?...".
A pergunta veio como um trem na minha direção. Pensei logo nas pessoas que de alguma forma me atingiram de forma negativa, que deixaram marcas que ainda estão abertas, que me fizeram chorar. Na verdade, nos últimos dias estava pensando sobre este tema. Sobre as marcas emocionais e mentais que ficaram na minha cabeça e no meu coração ao longo destes anos. 
Estava lavando a louça depois do jantar e o movimento suave e repetido de ensaboar e deixar a água cair no prato em minhas mãos me fez pensar em como já era hora de perdoar algumas pessoas. 
Pensava mais em como elas tinha me dado coisas boas apesar de tudo. A mente faz isto conosco. É um solo fértil. Uma semente jogada, seja do bem ou do mal. Se deixarmos, cria raiz e vira árvore frondosa.
Destas que, ou nos acalmam ou nos ferem com seus galhos secos e emaranhados. Nos dá sombra ou arranha. 
Somo o jardineiro! Somos nós que deixamos o jardim exposto, que jogamos as sementes e que molhamos e regamos.
No jardim da nossa mente, os conflitos, as derrotas, as palavras, o riso,o choro, os silêncios, os elogios e as críticas são parte do adubo mental e emocional que vamos acumulando em camadas sobrepostas
.
O universo cabe em nós. O universo escuta nossos chamados e, em algumas situações, atende aos nossos pedidos.
O que pedimos?
O que desejamos?
Do que nos ressentimos?
Do que temos medo?
O provérbio já ensina;" cuidado com o que você pede. Você pode ser atendido?".
Como estamos sempre olhando para as nossas coisas, para nossa vida. Para nossas "tragédias" é difícil admitir que conseguimos ter um senso de oportunidade, para desejar o bem ao próximo. Que somos capazes de ser ser melhor do que nos imaginamos.
Esta é a questão?
Até quando vamos ficar lustrando aquilo que acumulamos dentro de nós? As vezes, uma vida inteira.
Pois é...
Que tal criarmos o nosso programa de reciclagem?
Reciclar implica em aprendermos a lidar conosco da melhor forma possível sem tanta culpa por nossos erros e falhas.
O perdão começa em nós.
Não é fácil colocar todo mundo ou tudo na sala para conversar.
Como na terapia, convidar para um passeio e uma caminhada um de cada vez pode ser uma boa ideia.
Abrir a porta da casa ou da nossa estufa e simplesmente convidar: "Ei, vamos dar uma volta? Vamos conversar um pouco?.
Freud fazia isto quando queria pensar nos seus pacientes e nas suas teorias.
Acho que podemos nos surpreender com o quanto de Bem podemos gerar para nós mesmos e para os outros. Veremos que somos capazes de olhar para aquela lembrança que não nos fazia bem e descobrir que ela pode sair da mesa, ser embrulhada e jogada fora quando o caminhão do lixo passar. As vezes não é fácil. As vezes será muito difícil e só o tempo e nossa coragem em enfrentar o desafio nos manterá no rumo certo. Rumo certo? Melhor pensar em estar sempre caminhando, em estar indo. Vivendo!
É possível ousar conosco. Sermos nosso próprio desafio. 
O importante é que não precisamos estar sozinhos nesta busca de sentido e paz interna.
Não precisamos nos bastar.
O Segredo é saber que tanto quanto ouvir, pedir ajuda é a melhor forma de encontrar uma solução.


segunda-feira, 26 de junho de 2017

Calma na alma.

A leitura liberta!
Um livro tem a possibilidade de nos levar para tantos outros lugares que não aquele em que nos encontramos.
Possibilita esta viagem criativa para dentro de outros mundos que não o nosso.
Um livro na mão é um portal aberto. Você é guiado por outros personagens para viagens que nem sonhou fazer.
Algumas, para dentro de si mesmo.
O texto da imagem foi exatamente o que pensei ao longo da semana que passou.
As vezes a rotina do dia a dia é tão massacrante que não aguentamos a entediante sequencia de ações que se repetem sem comando, apenas se sucedem em nossa vida. Andamos pelo mesmo trajeto para ir ao trabalho, voltamos pelo mesmo trajeto, arrumamos a mesa da mesma forma, comemos, tomamos banho, ligamos a televisão, desligamos a televisão, conversamos conversas diárias, dormimos e acordamos. Tudo novamente, mais uma vez.
Damos corda e seguimos em frente.
até o dia que o mundo cai na nossa cabeça. Uma doença, uma separação, uma morte, perda de emprego...
O que houve?
Estava tudo em ordem?
Como foi acontecer?
O inesperado bate na nossa porta e pede licença para entrar.
Não, não é o inesperado.
É a vida que corre sem a nossa autorização.
O tempo que passa sem a nossa atenção.
As pessoas que nascem, crescem, vivem e morrem sem a nossa ligação.
Conectados a rotina esquecemos o que acontece de verdade.
Porque comecei a falar disto tudo se na verdade comecei a falar sobre os livros.
Porque os livros trazem as especiarias que são capazes de nos abrir uma nova janela.
A janela do conhecimento.
Misturado no caldeirão das nossas emoções, a cada livro lido, vamos redescobrindo nosso tempero.
Reencontramos o riso, o choro, a dúvida, a interrogação, a explicação, o misticismo, o espiritualismo, a Vida.
Enfim, nos emocionamos.
O aprendizado nos emociona porque nos mostra que é possível.
Acalmar a alma que clama pelo voo, pelo bater de asas, pela imaginação perdida.
O livro faz isto.
Nos dá a asas para voar. As vezes voos cegos. As vezes voos só no equipamento em meio a tempestades.
Todas as estações e temperaturas.
Até mesmo voamos em céu de brigadeiro, azul e limpo. Onde vemos as nuvens e sentimos a brisa boa da calma. Da calma em nossa alma que segue serena sabedora de sua rota.
Sim, podemos encontrar esta calma.
Sim, podemos encontrar esta paz dentro de nós.
Ela vai durar o tempo que permitirmos.
O farfalhar das páginas viradas liberam o doce aroma dos livros novos.Puros e intactos.
Até aquele momento aquela história estava ali adormecida esperando o despertar.
Penso nisso sempre que entro em uma livraria. Principalmente naquelas em que tem um sininho na entrada que toca toda hora em que um cliente entra.
Quem será o escolhido?
Todos os personagens se aquietam e parecem sair dos livros e ficar em cima das capas dos livros acenando para que sejam os agraciados com a nossa atenção.
Seguimos, passamos os dedos e escolhemos um. Folheamos e deixamos novamente na pilha de livros.
Aquela será uma viagem que não faremos. Não naquele momento. Talvez nunca.
E se na nossa vida fosse assim?
Um dia abrimos a nossa livraria-coração e anunciamos a nossa presença. Certamente todas as nossas emoções e pensamos vão despertar.
Talvez, liberem o aroma das lembranças guardadas, das alegrias vividas e das dores esquecidas.
Vamos correr os dedos levemente...
A viagem?
Cabe a você responder?

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Sonhando acordado

Quando pequenos imaginamos mil possibilidades para nossa vida. Vida adulta ainda é uma imagem muito distante, embaçada e da qual não queremos nenhum tipo de lembrança.
O tempo presente é aquele da infância em que pensamos que este tempo não passa.
Na verdade, nem sabemos dele. Só lembramos quando somos acordados de nossas brincadeiras, sonhos e liberdade para cumprir uma obrigação. Ir dormir. Fazer o tal de dever de casa. Dever de casa para criança deveria ser sempre brincar, correr, pintar, rir e se distrair.
Vejo hoje, várias crianças com agendas de obrigações que mais parecem compromissos de um pequeno executivo. Falta tempo. Falta tempo para não pensar. Para deixar a mente livre. Exposta.
Outras crianças não tem agendas lotadas. Não tem mais sonhos. Tem um tempo de sobrevivência.
O mundo?
Este não costuma olhar para elas.
Infância passou e sonhos foram desfeitos feito papel molhado. Os aviões, estas máquinas fantásticas, que varam o céu não decolaram.
Lembro de algumas imagens da minha infância. Uma delas era olhar para o céu azul em dia de sol an praia e ver aquele pequenos avião passando com uma faixa no ar fazendo propaganda de algum produto.
O cheiro do mar, do sal e do sol se misturavam , por um momento, tudo parava e silenciava. Restava apenas o ronco lento daquele avião. Era tão bom.Não faltava nada. Havia um breve instante de paz.
É disto que me lembro no baú da minha memória.
Houve um tempo em que ficávamos assim.
Hoje respiramos compromissos.
Eu ia escrever sobre o que nos move. Os sonhos que carregamos. Aquela inquietação que nos faz acordar com tesão pela vida.
Como um dominó que vai caindo e derrubando peça por peça, fui chamando uma lembrança após a outra e falando do tempo, da infância, da lembrança e da memória.
A conexão é clara.
Precisamos de uma memória que nos proporcione prazer e nos enriqueça como pessoa. Está faltando aquele pedaço do quebra cabeça que embora não complete o quadro nos motiva a procurar a outra peça, a outra, a outra e ir até o final.
É isto que tenho sentido com toda força nestes meus 54 anos. O tempo está passando e minhas memórias de prazer estão se perdendo. Estão se desconectando. 
Fazer algo que nos possibilite uma alegria interna não está obrigatoriamente relacionado com o trabalho ou com estudo. Pode ser algo aleatório. Pode ser simples.
Pode ser até...um avião no céu em um dia de sol na praia.
Para isto, o primeiro passo é tirar o o que nos incomoda e impede da frente.
Aquele enorme elefante de justificativas e preocupações que vão se estabelecendo na nossa rotina e da qual não nos desapegamos. Eles parecem sempre estar por ali. Andando para lá e para cá. Nos lembrando que não temos agenda, que não tempos tempo, que não temos idade, que...
Tantas barreiras que vão ganhando vida que logo esquecemos de que sonhamos algo.
Por isto voltei a escrever.
Por isto voltei a ler o que quero.
Por isto quero aprender a pintar.
por isto quero voltar a correr.
Por isto quero voltar a sonhar. Porque sonho para mim é prazer de viver.
Estar vivo e não morrer.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Você está ouvindo?

Bom dia!
Boa semana!
Ontem, na missa, a homília teve como tema o "chamado" que todos nós recebemos. O chamado feito por Jesus, tal qual havia feito aos seus discípulos, para colaborarmos com o mundo levando a palavra da esperança e de Vida.
Como já disse antes, não me prendo ao credo de cada religião e, sim, as Verdades que cada uma revela. 
Neste caso, a questão que se coloca diante de cada um de nós é: "O que cada um está fazendo para colaborar com o mundo?".
Esta indagação está presente em todas as religiões e filosofias que procuram lembrar ao Homem sobre qual é sua contribuição para o drama da Humanidade. Como cada um se coloca diante do teatro da Vida. Como protagonista? Como coadjuvante? Como espectador? Qual o seu lugar na Ágora?
As várias encenações estão se desenrolando ante os nossos olhos e nossa passividade está sendo observada. 
A chamada é sobre o nosso papel e nossa contribuição. Como diz a frase; "Uma borboleta bate asas em um ponto do mundo e em outro um furacão se forma. A sincronicidade dos tempos e movimentos nos transforma em partes indissociáveis do todo. A evolução da vida, da forma e da consciência segundo a teosofista Annie Besant que foi presidente da Sociedade Teosófica nos apresenta como em diferentes estágios e sob diferentes condições a "Centelha de Vida" que somos, busca o desenvolvimento. Sofre todas as intempéries do tempo, toda as pressões e lá. bem lá no fundo de sua consciência que es expande, vai seguindo em frente.
Ontem o padre comentou sobre algo que certamente, para nós, é uma desculpa para ficarmos parados. A espera de bons ventos e tempo bom para soltar a amarra do nosso barco e partir para o drama de viver o cotidiano em toda a sua plenitude.
Lembrando as passagens do evangelho ele diz que quando Jesus chamou seus discípulos ele não prestou atenção nas imperfeições de cada um. Ele sabia que cada um tinha uma personalidade e uma característica própria. Tinham fraquezas de temperamento.
Ainda assim, chamou e disse; "vamos em frente!".
Assim é a Vida.
Não vamos estar prontos nunca. Não na totalidade que esperamos.
Não tem uma boa hora.
O melhor momento.
A hora certa. Aquela combinação perfeita entre melhor momento, palavra correta e temperamento adequado. Aprendemos a funcionar por partes em pequenos pedaços e um de cada vez. SE nos jogamos somos classificados como impulsivos, loucos e irresponsáveis.
Se vamos fatiando as situações, indo passo a passo somos nominados de cartesianos e metódicos. Entra uma tabela e outra, não experimentamos. Deixamos de aprender com erros e tentativas. A Vida vai se apequenando e moldando até ficar do tamanho de nossas expectativas. Sempre pequenas. Sempre o suficiente para viver como costumamos dizer.
Ficam da forma e do jeito em que podemos colocar no fundo de nossas gavetas e armários.
Criamos várias delas. 
Uma enormidade. Em cada uma vamos ajeitando nossas coisas. 
O problema é que chega um momento em que falta espaço dentro e fora. As gavetas não fecham e deixam transbordar nossas "peças" de roupagem. Então, chaga a ansiedade, depressão, insônia...
Não precisa ser assim.
É fácil ser diferente?
Não.
É isto!
Não tem fórmula pronta e nem felicidade permanente. Existe mutação! Existe circunstâncias e alternâncias em nossas vidas. É conosco, com todas as nossas histórias que podemos e devemos contar.
É esta a essência da homilia de ontem a noite. Venha com o que você tem e ajude o mundo a ser um lugar melhor para todos. Não julgue e não se sinta julgado. Já certamos e já erramos. Seguir em frente é essencial e nesta jornada podemos, juntos ajudarmos muitas pessoas a seguirem em frente também.
Venha!

terça-feira, 13 de junho de 2017

O que sobra, afinal?

Somos algo muito maior do que pensamos a nosso respeito. Trazemos muito mais do que pensamos carregar. Vivemos muito mais do que entendemos que seja a vida que temos.
Não somos o centro do universo.
Somos parte dele. Uma centelha que vem vagando ao longo de muitas Vidas e muitos Mundos.
Nossa jornada começou em um tempo distante e tem longa jornada pela frente.
Tempo! Este senhor que nos desafia a compreensão. que as vezes está com tanta pressa e, por outras, parece uma eternidade. Sem falar na expressão que criamos para justificar a impossibilidade de realizar algo. Falta de tempo.
Escrevemos nossa história a partir de várias experiências que vamos moldando e que nos moldam inconscientemente.
Não sabemos bem onde a caminhada começou ou onde irá terminar. As vezes, diante dos imprevistos e desafios da Vida somos testados em nossas crenças e costumes. Nossa bússola dá defeito e as marcações cartográficas perdem o senso de direção.
Nós ficamos a deriva querendo uma tábua ou um bote para nos resgatar do oceano de inseguranças e incertezas em que fomos jogados. 

O que sobra?
O que separa a confiança, da angústia.
O desespero, da serenidade.
O choro, do riso.
Exatamente tudo aquilo que você traz na sua memória interna sobre a espiritualidade e a fé.
Existe um momento ou em todo momento em que não nos bastamos. Não é o vínculo a uma religião ou a ausência dele que fará tudo melhorar em tempos de crise.
Ao contrário.
É o que você traz dentro de si.
No sábado, eu e minha família recebemos uma enorme graça. 
Como sempre, aos domingos, fui a missa com minha esposa. Só mudei o horário. Fui pela manhã.
Ao chegar, uma senhora me perguntou se eu poderia carregar a cruz na procissão de entrada e saída.
Claro que sim, respondi.
Nada acontece por acaso.
Hoje a homilia foi sobre a Santíssima Trindade sobre como cada um de nós promove o Bem coletivo no mundo.
Fiquei ali em silêncio esperando e pensando na minha trajetória de vida.
Ao pegar a cruz e me dirigir para o meio da igreja uma enorme emoção tomou conta do meu coração e me senti abraçado por uma grande energia de luz.
Juntos lá fomos nós dois. Eu e Jesus, lentamente com ele me ajudando na caminhada.
Muitos me perguntam sobre meu credo.
Alguns acham que sou cristão, outros espírita, outros budista, outros teosofista...
Na verdade sou a soma de todos e ao mesmo tempo a de nenhum.
Procuro fazer o bem e me espiritualizar em prol do mundo.
Bebo de cada ensinamento profundo de cada religião, filosofia, ciência ou conhecimento.
Cada um traz um pedaço da Verdade!
Como se diz na Sociedade Teosófica: " Não há religião superior a Verdade".
Portanto, não procure diferença em cada credo e nem julgue quem se diz sem nenhum.
Faça o Bem!
A espiritualidade é muito mais do que Ser alguma coisa!
A Espiritualidade é muito mais sobre o que damos e oferecemos aos outros.

Namastê!
Saravá!
Axé!
Paz de Cristo!


segunda-feira, 12 de junho de 2017

O que guardamos dentro de nós?

Somos tantas histórias e tantos destinos vividos que não cabemos em nós mesmos. Existem momentos em que parece que vamos transbordar e o que existe de nós na mente, no coração em um pacote de recordações vai cair pelo chão espalhando tudo de forma desorganizada.
Porque guardamos?
Nem sempre queremos mas, alguns embrulhos mesmo depois de abertos, voltam pra dentro da caixa e adormecem no fundo de nossas gavetas.
Há algum tempo resolvi escrever para fazer com que este sentimento pudesse ficar mais palatável.
Sufocamos sem sentir ou saber.
Memórias são mais do que instantes. Possuem vida, peso, cor e sentimento. Pois foi assim que elas ficaram sentadas no banco de nossa praça.
As vezes o vento suave da manhã vem e vai levando as passagens mais passarinheiras. Um leve sopro e decolam para longe. Outras nem com o vento mais forte são capazes de se movimentar.
Fincaram as estacas.
Nem tudo que escrevo tem sentido com o passado, presente ou futuro.
As vezes só quero deixar que as palavras saiam assim, aleatoriamente. Me dá a sensação de que elas vão encontrar alguém que as possa escutar.
Cada palavra que voa é um pássaro a menos na minha gaiola.
De alguma forma são nestes momentos em que escrevo que consigo abrir a portinhola e dar de comer a alguns sentimentos, água para outros e alguns deixo simplesmente sair.
Como uma revoada de andorinhas em busca de outra estação, seguem meus ventos a chamar minhas ilusões, certezas, mágoas e alegrias para sair por aí.
Com o tempo e o hábito, algumas saem para nunca mais voltar. Me sinto leve. Me sinto livre. me procuro no céu e vejo que sou o azul que me acolhe.
A escrita para mim é isto.
Como o voo do albatroz que na sua elegância de asas longas tem autonomia para voos longos e solitários.
Desajeitado em terra quando tenta alçar voo depois que se ergue no ar voa sereno e tranquilo sabendo que deixou no solo as dúvidas sobre sua capacidade de planar.
Assim somos nós.
Damos uma corrida e abrimos as asas mas quando elas parecem não ter forças para nos levantar desanimamos e tropeçamos em nossas dúvidas e inseguranças.
Logo, estamos desistindo e passamos a ciscar na praia com medo da próxima tentativa.

Tentar.
Tentar.
Cair e levantar.
Até ralar as penas. Não tem outra maneira. Fácil? Difícil?
Depende do tempo, das condições térmicas, das correntes de ar.
Para saber temos que sair de nossas tendas e olhar o medidor de ar, as bandeiras e olhar para cima, para o céu.
Faço isto com meus escritos.
Minhas palavras vão formando minha carta de voo.
Minhas rimas indicam que as condições são boas.
Meu caderno, o meu painel de bordo.
Minha caneta, o manche que vai me guiando para cima ou para baixo, para esquerda ou para direita.
Boa viagem!




sexta-feira, 9 de junho de 2017

Novos prazeres

A vida sempre nos oferece novas oportunidades, novos prazeres, novas possibilidades.
Somos nós que escolhemos seguir apenas uma trilha, um caminho ou um sentido. Criamos nossos hábitos, nossos costumes e moldamos nosso caráter.
Sempre mais cômodo seguir pelo mesmo território conhecido e entrar no velho quarto com nossas coisas em ordem ou na ordem na qual as colocamos.
Aprendemos que mudar tem o significado simbólico de ruptura, de insegurança e de instabilidade.
Sempre a relação binária de A ou B. Nada de A a Z formando novas palavras e reinventando o alfabeto. Queremos a chave certa para a escolha incerta. A expectativa da certeza corrói a coragem e a ousadia de experimentar novos sabores. O amargo não combina com o doce. O doce não convive com o salgado. Métricas, medidas e medições. Onde foram parar nossas poções e misturas da infância onde o maior prazer está em colocar no papel borrões espalhados vendo todo  sentido de arte no quadro final.
Lembro de como era maravilhoso sentar com meu filho pequeno no chão do quarto dele, espalhar várias folhas de papel A4 pelo chão, abrir as latas de tinta e, simplesmente, deixar o pincel correr solto em buscar das formas e arranjos. 
Ficávamos misturando as tintas tentando sempre uma cor nova para os rios, morros, casas, caras e traços.
Sim, traços. Nossa arte era mais abstrata sem excluir o bom e velho desenho da casa, do chão verdinho, da árvore carregada de maças, o céu azul com suas nuvens e sol, sempre ali brincando.
Tinha o elefante, a carinha de gato que todos tentam ensinar aos filhos como os primeiros movimentos em busca de uma forma de vida. 
O que é isto? perguntamos mais excitados de que os próprios filhos. vamos colocando as partes do corpo. Uma a uma até a forma real.
O grande barato era a possibilidade de despertar a curiosidade. Esta magia que ao crescermos, simplesmente perdemos. Vamos substituindo a possibilidade pela certeza, o abstrato pelo concreto, a folha pela moldura e , por fim, guardamos nossas tintas e nosso estoje de imaginação.
Somos adultos!
Crescemos!
Só escutamos; "quando é que você vai deixar de ser criança!". Para onde foram tudo foi...


Tudo acontece muito rápido quase sem deixar rastro. Deixa marca. profunda.
Vamos, por vezes levar uma vida inteira procurando este elo perdido. Nem sempre, a maternidade/paternidade vão restabelecer esta conexão emocional. Ao contrário. Os tempos são cada vez mais velozes, furiosos e digitais. Instantâneos e fluidos. Tudo passa em um piscar de olhos. os olhos não param.
pulam na cama elástica na qual nossa mente vai se moldando com tantas informações.
Até o dia que a Vida nos oferece uma nova trilha, uma nova sinalização ou um novo destino.
Tenho pensado muito nisto ultimamente.
Porque não escolher novos prazeres.
Porque não destrancar o armário da memória e pegar o material criativo que ficou lá guardado por tanto tempo.
A folha que era de A4 no passado é a minha vida.
Sobre ela posso derramar todas as cores.
Posso rabiscar todos os sons.
Posso inventar um novo céu.
Basta dar uma espiadinha.
Boa viagem!


sábado, 18 de março de 2017

Que seja uma Boa Viagem!


"Você olha sem o olhar do observador, você olha sem o valor da palavra e a medida de ontem. O olhar doa mor é diferente do olhar do pensamento. O olhar do amor leva a uma direção que o pensamento não pode seguir,e o olhar do pensamento leva a separação, conflito e sofrimento. Desse sofrimento você não pode passar ao amor. A distância entre os dois é feita por pensamento, e pensamento não pode, nem a passos largos alcançar o amor".

J. Krishnamurti

O trecho acima foi retirado do livro: " A Única Revolução" de Krishnamurti. Que beleza de  definição! Que pureza de significados contidos nesta frase. É uma verdade. Estamos sempre falando de amor. Será que compreendemos o significado do amor, seus sentidos mais profundos?
Nosso sentido de amoré cheio de conceitos, de significantes aprendidos desde nossa infância. Não sentimos o amor, pensamos no amor. Estipulamos escalas para a graduação do amor. Não nos alagamos pelo amor e nos deixamos levar por sua correnteza.
Conceituamos em frases curtas ou longos livros aquilo que parece pertencer a todos mas todos tem uma definição particular para dar.
Definimos pela forma como somos afetados.
O que seria a ausência de amor? A não capacidade de elaborar um conceito ou a redução a escalas mínimas de vínculo com o outro, coma  Vida e o mundo.
Viva e deixe viver.
Ame e deixe ser amado
aquilo que você não conhece ou vê.
As longas planícies da existência humana muitas vezes são trilhadas em caravanas. As caravanas do nosso pensamento e suas consequentes emoções desencontradas.
Quando conceituo mato.
Amarro e prendo na letra.
Coloco na linha e dou fim quando lanço sobe o papel o último ponto que não é ponto parágrafo.
Não pulo para mais uma sequência. Parei.
A aventura da vida está na jornada. Viver mais um dia, segundo, minuto ou dia.
Mais uma chance de viver esta mística experiência do intervalo de tempo entre os tempos de nossas encarnações.
Viver mais um intercurso espiritual em que nos vestimos daquilo que não somos para provar do pote do aprendizado na bacia das almas.Transitar nesta existência sem saber o valor de estarmos vivos, caminhando, despertando, adormecendo, cultivando relacionamentos, ódios,amores e paixões. Para que tudo se desmanche no ar.
Cada dia parece ser uma repetição.
Uma mesmice sem fim. Segue a Vida e seus rumos. Viver é aprender. Viver é um dia de tudo que somos. e do qual temporariamente nos afastamos.
Cada uma de nossas atitudes, pensamentos e gestações representa a poupança na nossa economia espiritual.
Lucramos ou ficamos em débito com as nossas vidas. Tudo pesa.
A árvore da vida nos dá seiva divina que irá nos acompanhar por toda a eternidade.
Será esta força superior que haverá de nos acompanhar nos momentos de alegria, de dor, de tristeza  e de realização. Será nossa bagagem.
Aqui deixamos tudo. 
O que iremos levar.
Terá valido a pena?
Pode ser breve. Que seja intenso e deixe a lembrança de que vivemos a melhor forma fazendo o que devia ser feito.




Pintando a vida!

Estou começando a pintar a minha vida. Estou escolhendo as cores, a o quadro e a paisagem.
Estou pintando meus caminhos com novas cores recombinadas no meu coração.
É lá que esvazio os baldes da vida e tento encontrar uma melhor composição.
Sinto que estou alçando voo com as asas e pincéis da minha imaginação nem sempre galeria de arte.
Na verdade, ela estava fechada para balanço. Os quadros cobertos e espalhados pelo salão dão a certeza de que em alguns momentos minha vida parou. As cores secaram e a tinta endureceu a ponta dos pincéis. Telas rasgadas pela inabilidade da mente esquiva e do coração salteador.
Quero pinta e borrar este menino, este homem, este poeta.
Quero de volta minha rimas e versos. Coloridas prosas do meio dia.
Quero bater asas!
Quero viver!
Penso até em me esquecer.
Da necessidade diária do esquecimento diurno, noturno e diário. 
Quero não lembrar do que não falei.
Quero viver o que não programei.
Quero que tenha valido a pensa
já que minha alma não é pequena,
espremer um pouco mais deste delicioso suco da vida,
esquecer a limonada amarga,
só colher morangos e margaridas.
Quero, sobretudo, que valha a pena!
Sem pena nem dó!
Viver é nem sempre fica no do ré mi,
tem que teclar o sol, lá si.
Só assim terei a certeza incerta e imprecisa de que tudo valeu a pena mais uma vez antes que eu volte para casa.
Antes que o trem saia da estação.
Antes que a alma descole do chão.

José Vicent Payá Neto

Amor! Ser mutante!

Quando minha filha estava no colégio ela leu um livro chamado "Amor sem beijo". Acho que era este o título do livro. Falava das primeiras experiências amorosas que temos quando somos adolescentes.
Aquele amor platônico que faz o dia se alongar na espera e no prazer de se estar na companhia da pessoa querida.
Tudo parece parar. O tempo, a vida, o dia a dia...
Os dias são masi longos e as noites mais estreladas. Tudo é motivo para sorrir.

Crescemos, noivamos, casamos, separamos, juntamos ou tudo junto e misturado.
O tempo passa e a sensação de que tudo corre mais lentamente parece chegar para quem entra nos enta. Cinquenta, sessenta, setenta...
Não se trata de alonga a vida e manter a disposição em dia com todas as formas que a tecnologia nos dá.
É que nós mudamos naturalmente. Descobrimos os pequenos prazeres. O silêncio da paixão. O olhar amoroso. A cumplicidade do toque.
Eu te amando no olhar e você me suspira um sopro de paixão.
Amor muda. Se transforma. Se...
O tempo nos prega esta peça.
Traz para o palco novos atores de nós mesmos.
Eles estão ali, silenciosos ensaiando o texto a espera do tempo do tempo em que eles serão os protagonistas.
A nova estréia não tem data marcada. Ela chega.
Olho minhas mãos e vejo as marcas das carícias que fiz.
Olho meus olhos e vejo as cores dos amores que vi.
Olhos meus braços e sinto a força dos abraços que dei.
Olhos minhas rugas e vejo tudo aquilo que vivi.
Está tudo ali.
O corpo é o companheiro. O coadjuvante do tempo perdido.
A alma, a eterna lembrança do amor que não se apaga.
Se foi intenso, descobre a serenidade.
Se foi bravo, encontra a paz.
Se foi louco, encontra ...
Bem, talvez não encontre. razão.
Melhor continuar assim, loucamente apaixonado pela vontade de descobri.
Novos atos e cenas
De uma história que não se acaba.
Se transforma.
Novamente, em amor.

sexta-feira, 17 de março de 2017

Memórias


Memória. Uma palavra de tantos significados e lembranças. Lembranças? As vezes perdemos a memória. Por um lapso ou de forma definitiva. Outro dia caminhando pela rua alguém passou por mim deixando um aroma no ar. Nas asas deste cheiro me vi sentado na praia olhando para o mar como tantas vezes fazia quando criança. Acordava cedo e ia caminhando até a praia e ficava ali no final do Posto 6 em Copacabana.
Cheguei a sentir a ouvir o quebrar das ondas serenas na beira da praia. Neste instante era o menino que um dia já fui e não o homem que sou afastados os dois por talvez uns 40 anos. Ou o homem de 40 anos olhando o menino que ainda iria inventar suas histórias e tecer seus caminhos.

 Ventava? Não. Tinha aquele tempo parado no ar coberto pelo manto azul do céu e as cores do mar e da areia. Memória. Para onde tu me levas. De lampejo em lampejo chego ao meu filho. menino pequeno que me faz companhia na praia. Crianças que se reencontram em gerações separadas. 
Tantas idas na praia apenas para caminhar, nadar e brincar. Amigos de infância talvez.
Hoje, a praia esta lá mas já não vamos juntos com tanta frequência.
O menino virou rapaz e eu, já não mais criança, fico a olhar.
Memória!
Nossa mente tem tantos quartos. Alguns com porta e janela. Outros com varanda a beira mar. Lá nos esticamos na rede a balançar. Para lá e para cá queremos mais e voar. Vi minha mãe e meu pai perderem a memória. Minha mãe aos poucos e meu pai do dia para noite. Memória e lembranças. 
Lembro de ficar com ela no seu quarto dando ordem as roupas. Separando por cor. Marcando com bilhetes em prateleiras abertas.
A razão vinha e fugia em minutos. Não era mais possível lembrar. A ordem não fazia mais sentido e o sentido ganhava novas cores. Um RE sentido em um mundo distante. Uma ordem? sim. Não a minha.
Assim foi com minha mãe como havia sido com minha avó materna. Volete! Era assim que eu a chamava. Uma mistura de Arlete que era seu nome com Vó. Seu quarto e uma das minhas melhores lembranças. Sua cama sempre quentinha e suas mãos em nossas cabeças sempre oferecendo um afago lento e persistente. A noite passava calma e, deitados, víamos as sombras dos carros da rua passando pelo teto do quarto. 
Memórias! Mulheres! Abraços!
Tudo começou com um aroma que passou pelo ar deixando suas trilhas a me guiar.
Guiando, chego ao ultimo encontro com as duas. Cada encontro distantes anos um do outro.
A lembrança que tenho é de que a memória volta. Por algum motivo ela volta.
Minha avó já estava em uma casa de repouso e totalmente ausente.
Um dia em uma tarde de sol fui visitá-la. Fiquei ali conversando com alguém que só existia na minha memória afetiva. Na hora de ir embora ela me olhou, riu e recordou o neto que estava diante dela.
Ao chegar em casa soube que ela havia falecido.
Com minha mãe também. No final ela foi morar com meu irmão mas antes de entrar no carro olhou para trás e sorriu mandando um beijo. A memória afetiva voltou.
Pois é...
Como explicar a relembrança? Tem razões que a própria razão desconhece. A lembrança veio feito o aroma que me chegou pela rua. Veio por seus próprios caminhos e passou deixando a marca do que passou mas estava ali, ainda no meu coração.
Portanto, assim são as memorias.
Fisicamente podem se desmanchar no ar mas afetivamente estão guardadas em algum lugar aquecidas pelo coração. A árvore da Vida não seca, floresce!



quinta-feira, 16 de março de 2017

O vaso de Deus

"Uma pessoa é o vaso mais puro do amor de Deus. É o receptáculo de Sua amorosidade, por onde Ele dispensa suas benesses. O ser humano é a medida de todas as coisas por ser a entrada e a saída do amor de Deus. O bem mais precioso que você tem é sua íntima ligação com Deus. Essa conexão e inquebrantável, ininterrupta, direta e exclusivamente pessoal. A consciência que se tem da própria ligação com Deus elimina o medo do desconhecido, do futuro, do novo e de qualquer angustia. Essa ligação nos permite a percepção da nossa natureza espiritual e da impossibilidade da morte como fim da vida. Conserve seu sentimento de ligação com Deus como algo de muito sagrado e que só a você pertence.
Seja feliz sendo uma pessoa. Apenas uma pessoa. Um ser que está no mundo para viver nele, como alguém que se sente intimamente ligado às pessoas, ao Universo e a Deus".
Trecho do livro " Felicidade sem culpa" de Adenáuer Novaes.

Nos últimos dias este foi um dos textos mais interessantes e lindos que li. Sou espiritualista e, portanto, tenho claro que somos um espirito encarnado em um corpo. O corpo, nossa morada em nossa jornada física, é este vaso. Um vaso que deve estar limpo, puro e no reto caminho. Não importa como você se refira a Deus. Este sentimento como diz o texto é uma relação intima e pessoal. Sagrada!
Hoje em dia nos vangloriamos de falar em ou de negar o seu nome. Os que creem defendem várias denominações para justificar a posse de Deus. Outros, por outro lado, negam veementemente seu nome como forma de enfrentar o desconhecido, o medo ou a finitude da vida física.
Enquanto conjecturamos continuamos a ser o que sempre fomos, somos e seremos. Uma centelha de vida em evolução permanente.  
A Vida que não se encerra nunca passa rápido e ligeiramente viramos poeira e retornamos ao berçário dos espíritos nos mundos superiores a espera de novos nascimentos e de novas oportunidades. O oleiro trabalha incessantemente e seus vasos vão e vem sempre ungidos pelo suspiro de Deus.
Por suas mãos escorrem os espíritos em sua peregrinação. Descem aos mundos inferiores como estrelas que se espalham pelo céu.  
No dia a dia nos esquecemos desta memória afetiva. Vamos perdendo a lembrança do colo de Deus e da sensação de paz e harmonia que nos alimenta nos intervalos de cada encarnação. Vivemos uma vida de luta constante. Vamos enfileirando nossas batalhas uma após a outra. Trabalho, dinheiro, família, solidão, posição social, bens, posse. Nada nos pertence. nem as pessoas, nem nossos bens, nem nossas relações afetivas. Nada.
O que nos angustia e a sensação de que estamos sós, que tudo se acaba, que o que pensamos ser solido se desmancha pelo ar. A eterna insustentável leveza do ser como já dizia Milan Kudera em um de seus livros.
Nos agarramos as pessoas, não soltamos suas escolhas quando estas não nos incluem. Mergulhamos no trabalho para que nos dê a sensação de que estamos sendo úteis. Ligamos todos os barulhos possíveis para não escutar o silêncio se nosso coração.
O paradoxo da vida é de que é justamente neste momento em que paramos e nos entregamos que a força vem e nos faz lembrar da generosidade de Deus. Sopro Divino que vem feito brisa nos lembrar calmamente que não estamos abandonados. Somos Reis! Somos espíritos em evolução e continuamos. Apesar de tudo, continuamos. Seguimos em frente acolhidos na força espiritual que habita nosso corpo, nossa emoção e nossa mente.
Somos a plasticidade do tempo que não se apaga. Somos a memória do tempo que não se dilui. Somos a centelha de vida que vence a temporalidade do tempo.

Só podemos descobrir a grandiosidade de Deus em nós quando tivermos a coragem de parar de correr atrás daquilo que não se sustenta e procurarmos abrigo em nosso lugar mais sagrado. Lá, na caverna das almas. No abrigo solitário do peregrino. No quarto amoroso de Deus temos um encontro eternamente marcado com nós mesmos. Com tudo aquilo que somos e deixamos de ser. 
Precisamos ter a força e a capacidade de nos perdoarmos, abraçarmos e gostarmos de nós mesmos.
Ninguém pode fazer isto por nós.
Deus, sopra a brisa.
Cabe a nos abrir as asas e voar!

José Vicent Payá Neto