quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Refugio



"A grande questão é reconhecer-se, não como um refugiado, mas sim como um "refugiante". Criador, não do refúgio em si, mas de sua funcionalidade. Sem função, o que seria um refugio? Apenas um lugar à espera de ser preenchido pela beleza humana". Bruna Cristina

De uma forma geral, sempre que pensamos nesta palavra, refúgio, a imagem que vem logo a nossa cabeça é a de um lugar. Normalmente, uma caverna, um canto, um quarto e por aí vai.

Refúgio pode ser, também, uma ideia. Uma rotina. O ato de escrever ou de pintar. Pode até fazer com que depois de adultos, tenhamos a necessidade de fazer recortes e colagens para podermos nos ajustar.

Refugio, refugiante, refugiado. 
Um andarilho a procura de espaço, de tempo ou até mesmo de sua ausência. A verdade é que chega uma hora em que sentimos uma necessidade inadiável de desacelerar, ir parando, respirando, parando... no 1, 2, 3 e ... desligamos.
O equilíbrio perdido apresenta a sua conta. Hora de colocar as pedras nos seus devidos lugares com seus respectivos tamanhos. Sem aumentar ou diminuir. Cada uma com seu peso e importância. Sua racionalidade ou loucura. Lascada ou lisa.
Vamos assim, tentando entender o que não faz sentido.
Sentindo o que nem sempre conseguimos entender.
Silenciar o que grita no ouvido.
Dizer o que está escondido.
Sentir o que nem sempre é permitido.
Queremos um momento de paz onde nem sempre temos ordem. Pode ser simplesmente um NADA ABSOLUTO.
Do nada vem tudo.
Do refúgio brota o sentido.
Do espaço alarga-se a visão
Nesta hora, neste minuto, neste segundo compreendemos tudo de que precisamos e seguimos em frente.
Refúgio vem da palavra.
Da narrativa.
Dos sons intercalados de cada sílaba. Cada qual com seu tom e sua cor.
Quando se harmonizam costumamos dizer que deu liga. Fluiu como um rio, como a natureza e o movimento do universo.
Seu nome: conversa.
Seu sentido: escuta.
Seu resultado: acolhimento.
Foi assim que escutei a frase que abre este texto. Em uma conversa noturna sobre o sentido da escrita e do relato.
Do aparente e do revelado.
Do conto que contado tantas vezes, vira história. A nossa história. Tudo vira sentido em diferentes formas gestuais de expressão.








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