sábado, 18 de março de 2017

Que seja uma Boa Viagem!


"Você olha sem o olhar do observador, você olha sem o valor da palavra e a medida de ontem. O olhar doa mor é diferente do olhar do pensamento. O olhar do amor leva a uma direção que o pensamento não pode seguir,e o olhar do pensamento leva a separação, conflito e sofrimento. Desse sofrimento você não pode passar ao amor. A distância entre os dois é feita por pensamento, e pensamento não pode, nem a passos largos alcançar o amor".

J. Krishnamurti

O trecho acima foi retirado do livro: " A Única Revolução" de Krishnamurti. Que beleza de  definição! Que pureza de significados contidos nesta frase. É uma verdade. Estamos sempre falando de amor. Será que compreendemos o significado do amor, seus sentidos mais profundos?
Nosso sentido de amoré cheio de conceitos, de significantes aprendidos desde nossa infância. Não sentimos o amor, pensamos no amor. Estipulamos escalas para a graduação do amor. Não nos alagamos pelo amor e nos deixamos levar por sua correnteza.
Conceituamos em frases curtas ou longos livros aquilo que parece pertencer a todos mas todos tem uma definição particular para dar.
Definimos pela forma como somos afetados.
O que seria a ausência de amor? A não capacidade de elaborar um conceito ou a redução a escalas mínimas de vínculo com o outro, coma  Vida e o mundo.
Viva e deixe viver.
Ame e deixe ser amado
aquilo que você não conhece ou vê.
As longas planícies da existência humana muitas vezes são trilhadas em caravanas. As caravanas do nosso pensamento e suas consequentes emoções desencontradas.
Quando conceituo mato.
Amarro e prendo na letra.
Coloco na linha e dou fim quando lanço sobe o papel o último ponto que não é ponto parágrafo.
Não pulo para mais uma sequência. Parei.
A aventura da vida está na jornada. Viver mais um dia, segundo, minuto ou dia.
Mais uma chance de viver esta mística experiência do intervalo de tempo entre os tempos de nossas encarnações.
Viver mais um intercurso espiritual em que nos vestimos daquilo que não somos para provar do pote do aprendizado na bacia das almas.Transitar nesta existência sem saber o valor de estarmos vivos, caminhando, despertando, adormecendo, cultivando relacionamentos, ódios,amores e paixões. Para que tudo se desmanche no ar.
Cada dia parece ser uma repetição.
Uma mesmice sem fim. Segue a Vida e seus rumos. Viver é aprender. Viver é um dia de tudo que somos. e do qual temporariamente nos afastamos.
Cada uma de nossas atitudes, pensamentos e gestações representa a poupança na nossa economia espiritual.
Lucramos ou ficamos em débito com as nossas vidas. Tudo pesa.
A árvore da vida nos dá seiva divina que irá nos acompanhar por toda a eternidade.
Será esta força superior que haverá de nos acompanhar nos momentos de alegria, de dor, de tristeza  e de realização. Será nossa bagagem.
Aqui deixamos tudo. 
O que iremos levar.
Terá valido a pena?
Pode ser breve. Que seja intenso e deixe a lembrança de que vivemos a melhor forma fazendo o que devia ser feito.




Pintando a vida!

Estou começando a pintar a minha vida. Estou escolhendo as cores, a o quadro e a paisagem.
Estou pintando meus caminhos com novas cores recombinadas no meu coração.
É lá que esvazio os baldes da vida e tento encontrar uma melhor composição.
Sinto que estou alçando voo com as asas e pincéis da minha imaginação nem sempre galeria de arte.
Na verdade, ela estava fechada para balanço. Os quadros cobertos e espalhados pelo salão dão a certeza de que em alguns momentos minha vida parou. As cores secaram e a tinta endureceu a ponta dos pincéis. Telas rasgadas pela inabilidade da mente esquiva e do coração salteador.
Quero pinta e borrar este menino, este homem, este poeta.
Quero de volta minha rimas e versos. Coloridas prosas do meio dia.
Quero bater asas!
Quero viver!
Penso até em me esquecer.
Da necessidade diária do esquecimento diurno, noturno e diário. 
Quero não lembrar do que não falei.
Quero viver o que não programei.
Quero que tenha valido a pensa
já que minha alma não é pequena,
espremer um pouco mais deste delicioso suco da vida,
esquecer a limonada amarga,
só colher morangos e margaridas.
Quero, sobretudo, que valha a pena!
Sem pena nem dó!
Viver é nem sempre fica no do ré mi,
tem que teclar o sol, lá si.
Só assim terei a certeza incerta e imprecisa de que tudo valeu a pena mais uma vez antes que eu volte para casa.
Antes que o trem saia da estação.
Antes que a alma descole do chão.

José Vicent Payá Neto

Amor! Ser mutante!

Quando minha filha estava no colégio ela leu um livro chamado "Amor sem beijo". Acho que era este o título do livro. Falava das primeiras experiências amorosas que temos quando somos adolescentes.
Aquele amor platônico que faz o dia se alongar na espera e no prazer de se estar na companhia da pessoa querida.
Tudo parece parar. O tempo, a vida, o dia a dia...
Os dias são masi longos e as noites mais estreladas. Tudo é motivo para sorrir.

Crescemos, noivamos, casamos, separamos, juntamos ou tudo junto e misturado.
O tempo passa e a sensação de que tudo corre mais lentamente parece chegar para quem entra nos enta. Cinquenta, sessenta, setenta...
Não se trata de alonga a vida e manter a disposição em dia com todas as formas que a tecnologia nos dá.
É que nós mudamos naturalmente. Descobrimos os pequenos prazeres. O silêncio da paixão. O olhar amoroso. A cumplicidade do toque.
Eu te amando no olhar e você me suspira um sopro de paixão.
Amor muda. Se transforma. Se...
O tempo nos prega esta peça.
Traz para o palco novos atores de nós mesmos.
Eles estão ali, silenciosos ensaiando o texto a espera do tempo do tempo em que eles serão os protagonistas.
A nova estréia não tem data marcada. Ela chega.
Olho minhas mãos e vejo as marcas das carícias que fiz.
Olho meus olhos e vejo as cores dos amores que vi.
Olhos meus braços e sinto a força dos abraços que dei.
Olhos minhas rugas e vejo tudo aquilo que vivi.
Está tudo ali.
O corpo é o companheiro. O coadjuvante do tempo perdido.
A alma, a eterna lembrança do amor que não se apaga.
Se foi intenso, descobre a serenidade.
Se foi bravo, encontra a paz.
Se foi louco, encontra ...
Bem, talvez não encontre. razão.
Melhor continuar assim, loucamente apaixonado pela vontade de descobri.
Novos atos e cenas
De uma história que não se acaba.
Se transforma.
Novamente, em amor.

sexta-feira, 17 de março de 2017

Memórias


Memória. Uma palavra de tantos significados e lembranças. Lembranças? As vezes perdemos a memória. Por um lapso ou de forma definitiva. Outro dia caminhando pela rua alguém passou por mim deixando um aroma no ar. Nas asas deste cheiro me vi sentado na praia olhando para o mar como tantas vezes fazia quando criança. Acordava cedo e ia caminhando até a praia e ficava ali no final do Posto 6 em Copacabana.
Cheguei a sentir a ouvir o quebrar das ondas serenas na beira da praia. Neste instante era o menino que um dia já fui e não o homem que sou afastados os dois por talvez uns 40 anos. Ou o homem de 40 anos olhando o menino que ainda iria inventar suas histórias e tecer seus caminhos.

 Ventava? Não. Tinha aquele tempo parado no ar coberto pelo manto azul do céu e as cores do mar e da areia. Memória. Para onde tu me levas. De lampejo em lampejo chego ao meu filho. menino pequeno que me faz companhia na praia. Crianças que se reencontram em gerações separadas. 
Tantas idas na praia apenas para caminhar, nadar e brincar. Amigos de infância talvez.
Hoje, a praia esta lá mas já não vamos juntos com tanta frequência.
O menino virou rapaz e eu, já não mais criança, fico a olhar.
Memória!
Nossa mente tem tantos quartos. Alguns com porta e janela. Outros com varanda a beira mar. Lá nos esticamos na rede a balançar. Para lá e para cá queremos mais e voar. Vi minha mãe e meu pai perderem a memória. Minha mãe aos poucos e meu pai do dia para noite. Memória e lembranças. 
Lembro de ficar com ela no seu quarto dando ordem as roupas. Separando por cor. Marcando com bilhetes em prateleiras abertas.
A razão vinha e fugia em minutos. Não era mais possível lembrar. A ordem não fazia mais sentido e o sentido ganhava novas cores. Um RE sentido em um mundo distante. Uma ordem? sim. Não a minha.
Assim foi com minha mãe como havia sido com minha avó materna. Volete! Era assim que eu a chamava. Uma mistura de Arlete que era seu nome com Vó. Seu quarto e uma das minhas melhores lembranças. Sua cama sempre quentinha e suas mãos em nossas cabeças sempre oferecendo um afago lento e persistente. A noite passava calma e, deitados, víamos as sombras dos carros da rua passando pelo teto do quarto. 
Memórias! Mulheres! Abraços!
Tudo começou com um aroma que passou pelo ar deixando suas trilhas a me guiar.
Guiando, chego ao ultimo encontro com as duas. Cada encontro distantes anos um do outro.
A lembrança que tenho é de que a memória volta. Por algum motivo ela volta.
Minha avó já estava em uma casa de repouso e totalmente ausente.
Um dia em uma tarde de sol fui visitá-la. Fiquei ali conversando com alguém que só existia na minha memória afetiva. Na hora de ir embora ela me olhou, riu e recordou o neto que estava diante dela.
Ao chegar em casa soube que ela havia falecido.
Com minha mãe também. No final ela foi morar com meu irmão mas antes de entrar no carro olhou para trás e sorriu mandando um beijo. A memória afetiva voltou.
Pois é...
Como explicar a relembrança? Tem razões que a própria razão desconhece. A lembrança veio feito o aroma que me chegou pela rua. Veio por seus próprios caminhos e passou deixando a marca do que passou mas estava ali, ainda no meu coração.
Portanto, assim são as memorias.
Fisicamente podem se desmanchar no ar mas afetivamente estão guardadas em algum lugar aquecidas pelo coração. A árvore da Vida não seca, floresce!



quinta-feira, 16 de março de 2017

O vaso de Deus

"Uma pessoa é o vaso mais puro do amor de Deus. É o receptáculo de Sua amorosidade, por onde Ele dispensa suas benesses. O ser humano é a medida de todas as coisas por ser a entrada e a saída do amor de Deus. O bem mais precioso que você tem é sua íntima ligação com Deus. Essa conexão e inquebrantável, ininterrupta, direta e exclusivamente pessoal. A consciência que se tem da própria ligação com Deus elimina o medo do desconhecido, do futuro, do novo e de qualquer angustia. Essa ligação nos permite a percepção da nossa natureza espiritual e da impossibilidade da morte como fim da vida. Conserve seu sentimento de ligação com Deus como algo de muito sagrado e que só a você pertence.
Seja feliz sendo uma pessoa. Apenas uma pessoa. Um ser que está no mundo para viver nele, como alguém que se sente intimamente ligado às pessoas, ao Universo e a Deus".
Trecho do livro " Felicidade sem culpa" de Adenáuer Novaes.

Nos últimos dias este foi um dos textos mais interessantes e lindos que li. Sou espiritualista e, portanto, tenho claro que somos um espirito encarnado em um corpo. O corpo, nossa morada em nossa jornada física, é este vaso. Um vaso que deve estar limpo, puro e no reto caminho. Não importa como você se refira a Deus. Este sentimento como diz o texto é uma relação intima e pessoal. Sagrada!
Hoje em dia nos vangloriamos de falar em ou de negar o seu nome. Os que creem defendem várias denominações para justificar a posse de Deus. Outros, por outro lado, negam veementemente seu nome como forma de enfrentar o desconhecido, o medo ou a finitude da vida física.
Enquanto conjecturamos continuamos a ser o que sempre fomos, somos e seremos. Uma centelha de vida em evolução permanente.  
A Vida que não se encerra nunca passa rápido e ligeiramente viramos poeira e retornamos ao berçário dos espíritos nos mundos superiores a espera de novos nascimentos e de novas oportunidades. O oleiro trabalha incessantemente e seus vasos vão e vem sempre ungidos pelo suspiro de Deus.
Por suas mãos escorrem os espíritos em sua peregrinação. Descem aos mundos inferiores como estrelas que se espalham pelo céu.  
No dia a dia nos esquecemos desta memória afetiva. Vamos perdendo a lembrança do colo de Deus e da sensação de paz e harmonia que nos alimenta nos intervalos de cada encarnação. Vivemos uma vida de luta constante. Vamos enfileirando nossas batalhas uma após a outra. Trabalho, dinheiro, família, solidão, posição social, bens, posse. Nada nos pertence. nem as pessoas, nem nossos bens, nem nossas relações afetivas. Nada.
O que nos angustia e a sensação de que estamos sós, que tudo se acaba, que o que pensamos ser solido se desmancha pelo ar. A eterna insustentável leveza do ser como já dizia Milan Kudera em um de seus livros.
Nos agarramos as pessoas, não soltamos suas escolhas quando estas não nos incluem. Mergulhamos no trabalho para que nos dê a sensação de que estamos sendo úteis. Ligamos todos os barulhos possíveis para não escutar o silêncio se nosso coração.
O paradoxo da vida é de que é justamente neste momento em que paramos e nos entregamos que a força vem e nos faz lembrar da generosidade de Deus. Sopro Divino que vem feito brisa nos lembrar calmamente que não estamos abandonados. Somos Reis! Somos espíritos em evolução e continuamos. Apesar de tudo, continuamos. Seguimos em frente acolhidos na força espiritual que habita nosso corpo, nossa emoção e nossa mente.
Somos a plasticidade do tempo que não se apaga. Somos a memória do tempo que não se dilui. Somos a centelha de vida que vence a temporalidade do tempo.

Só podemos descobrir a grandiosidade de Deus em nós quando tivermos a coragem de parar de correr atrás daquilo que não se sustenta e procurarmos abrigo em nosso lugar mais sagrado. Lá, na caverna das almas. No abrigo solitário do peregrino. No quarto amoroso de Deus temos um encontro eternamente marcado com nós mesmos. Com tudo aquilo que somos e deixamos de ser. 
Precisamos ter a força e a capacidade de nos perdoarmos, abraçarmos e gostarmos de nós mesmos.
Ninguém pode fazer isto por nós.
Deus, sopra a brisa.
Cabe a nos abrir as asas e voar!

José Vicent Payá Neto

segunda-feira, 13 de março de 2017

Palavras ou Vidas ao vento?

As palavras tem este poder.
Abraçam, entrelaçam e acolhem.
Palavras,também,silenciam, dilaceram e despedaçam.
As vezes são ditas sem que o som se faça presente.
São tantos os efeitos quanto a profundidade que alcançam em cada um de nós.
Ficam na superfície se não nos incomodam.
Mergulham um pouco se nos alertam.
Vão as maiores profundidades se nos tocam a alma.
Lá ficamos em apneia. Sem ar. Suspensos em nossas reflexões. Inflexões da alma. Silêncio profundo! Na maioria das vezes não conseguimos ter.
Fazemos barulho. Nos lançamos aos sons imperfeitos que preenchem cada espaço das entrelinhas de nossas dúvidas.
Ficar só, por exemplo.
O mergulho profundo as vezes desavisado.
Vem como que uma pancada. Uma freada na rua.
Um susto.
Ontem estava escutando a homilia na igreja e uma das reflexões era justamente sobre este estalo que precisamos ter ou proporcionar ao nosso espirito.
O padre comentava que diante de tantas "tentações" do mundo moderno e de tantas angústias sobre a Vida, nossa mortalidade, imortalidade e o tempo que passa sem pedir passagem nos devemos simplesmente ir.
Tomar uma atitude e viver.
Sair pelo mundo sem malas e bagagens.
Sem esquemas.
Ir com o que temos e nos colocarmos diante dos desafios com a confiança necessária em si mesmo.
Não importa a sua religião ou espiritualidade. Nem mesmo importa a ausência de qualquer credo. Sempre seremos instados a dizer presente diante da Vida. Da nossa Vida. Da Vida que recebemos.
Morremos tantas vezes. Diariamente. Nem nos damos conta.
Quando dormimos,  apagamos. 
Adeus as nossas certezas e garantias.
Adeus ensinamentos e acumulações.
Apenas, seguimos.
Pois é...
Sábado vi o filme "Aquarius".
Filme maravilhoso. Um poema que fala em suas rimas temporais, do tempo que passa, das lembranças e certezas que ficam apesar do tempo.
Sobre o que vale a pena ou não.
Sobre deixar ir. Não prender.
Olhar para trás e ver o que vivemos. Para os filhos que tivemos e criamos. Para os filhos que não vieram deixando a sala vazia e o quarto arrumado.
Parentes e amigos que já partiram, que apenas perdemos de vista ou simplesmente que não se fizeram íntimos.
Pessoas. Historias. Memorias.
Hoje pela manhã estava lendo o livro;" Viagens com Epicuro, Jornada a uma olha grega em busca de uma vida plena" de Daniel Klein. Em um trecho ele comenta: "Se um homem não consegue dar sentido à sua vida, ou a qualquer parte dela, tudo o que resta são coisas que o distraiam da falta de sentido, embora poucos as reconheçam como tais. Mas, aqui e ali, provavelmente nos deparamos com indícios de que tais distrações não têm sentido em si mesmas. Svendsen escreve: " As pessoas mais hiperativas sao justamente as que custam menos a se entediar. Temos uma inexistência quase absoluta de momentos inativos, correndo de uma atividade para outra, porque não
suportamos encarar um tempo que seja vazio. Paradoxalmente, esse tempo inchado, quando visto em retrospecto, muitas vezes apavora de tão vazio".
José Vicent Payá Neto




quarta-feira, 8 de março de 2017

Navegando

Desde cedo tenho uma relação profunda com o ato de escrever. Outro dia recordava com minha enteada sobre o hábito que eu tinha na minha infância de colocar no papel as minhas emoções.
Nem sempre tinha certeza de quando estava no comando da caneta ou era por ela conduzido.
As emoções mais profundas são assim. Quando cutucadas derramam-se sobre nós feito rio que nem sempre segue curso firme e lento.
Ganha força e vai deslocando os barrancos de nossas margens. Leva tudo!
Sempre corri este risco. Sempre confiei nas linhas que iam se sucedendo uma pós a outra.
Nunca pensei que pudesse parar. 
Este fluxo sempre foi libertador.
Todavia, pára. E interrompido. Adormece e, hoje, leva tempo para despertar.
Nem sempre é um beijo que desperta a alma distante.
As paginas que preenchidas acalmam a mente omo que por encanto ou quebra deste, batem asas e levam nossas memorias e cognições. Nossas sinapses emocionais desmancham-se e perdemos contato com aquilo que queremos abraçar dentro de nós.
E a pura verdade.
Assim como a inspiração veio, ela vai.
Sem marcar hora ou lugar.
Obedece o fluxo das lembranças que sem saber de onde vem aparecem e nos trazem velhas histórias e possíveis interpretações.
Quem sabe,
quando tudo se dissipa no ar desmanchando-se em pó mágico ou poeira de estrada,
a vida na verdade quer nos dar um descanso. |Um alento ou sopro de serenidade.
Nem tudo na verdade precisa ser lembrado ou relembrado.
Ontem a noite após acordar de um pesadelo fiquei pensando sobre isto já que o sono tinha partido para suas terras distantes e silenciosas.
Sim.
Precisamos aprender a deixar ir.
Deixar ir é uma dádiva que acalma nosso espírito, nosso corpo e nossa mente.
Aquilo que veio precisa seguir assim como nós viemos, aportamos e , um dia, iremos continuar a nossa jornada de tantas viagens que precisamos fazer depois de tantas que já fizemos.
Comecei falando da escrita e de como ela sempre me foi uma boa companhia.
O livro da vida tem suas linhas traçadas por outros personagens em épocas distantes. Em outras vidas e em outras companhias traçamos caminhos e fizemos escolhas.
Todas viraram bagagens e colocaram ou tiraram o peso da nossa embarcação.
O curso traçado vai ser novamente trilhado.
Nem sempre nossas cartas náuticas serão seguras o suficiente para nos manter distantes das rochas.
Vamos precisar confiar no nosso instinto. Baixar as velas e ir levando o leme em harmonia com o tempo, o vento e seu movimento.
A vida é isto!

José Vicent Payá Neto