quarta-feira, 8 de março de 2017

Navegando

Desde cedo tenho uma relação profunda com o ato de escrever. Outro dia recordava com minha enteada sobre o hábito que eu tinha na minha infância de colocar no papel as minhas emoções.
Nem sempre tinha certeza de quando estava no comando da caneta ou era por ela conduzido.
As emoções mais profundas são assim. Quando cutucadas derramam-se sobre nós feito rio que nem sempre segue curso firme e lento.
Ganha força e vai deslocando os barrancos de nossas margens. Leva tudo!
Sempre corri este risco. Sempre confiei nas linhas que iam se sucedendo uma pós a outra.
Nunca pensei que pudesse parar. 
Este fluxo sempre foi libertador.
Todavia, pára. E interrompido. Adormece e, hoje, leva tempo para despertar.
Nem sempre é um beijo que desperta a alma distante.
As paginas que preenchidas acalmam a mente omo que por encanto ou quebra deste, batem asas e levam nossas memorias e cognições. Nossas sinapses emocionais desmancham-se e perdemos contato com aquilo que queremos abraçar dentro de nós.
E a pura verdade.
Assim como a inspiração veio, ela vai.
Sem marcar hora ou lugar.
Obedece o fluxo das lembranças que sem saber de onde vem aparecem e nos trazem velhas histórias e possíveis interpretações.
Quem sabe,
quando tudo se dissipa no ar desmanchando-se em pó mágico ou poeira de estrada,
a vida na verdade quer nos dar um descanso. |Um alento ou sopro de serenidade.
Nem tudo na verdade precisa ser lembrado ou relembrado.
Ontem a noite após acordar de um pesadelo fiquei pensando sobre isto já que o sono tinha partido para suas terras distantes e silenciosas.
Sim.
Precisamos aprender a deixar ir.
Deixar ir é uma dádiva que acalma nosso espírito, nosso corpo e nossa mente.
Aquilo que veio precisa seguir assim como nós viemos, aportamos e , um dia, iremos continuar a nossa jornada de tantas viagens que precisamos fazer depois de tantas que já fizemos.
Comecei falando da escrita e de como ela sempre me foi uma boa companhia.
O livro da vida tem suas linhas traçadas por outros personagens em épocas distantes. Em outras vidas e em outras companhias traçamos caminhos e fizemos escolhas.
Todas viraram bagagens e colocaram ou tiraram o peso da nossa embarcação.
O curso traçado vai ser novamente trilhado.
Nem sempre nossas cartas náuticas serão seguras o suficiente para nos manter distantes das rochas.
Vamos precisar confiar no nosso instinto. Baixar as velas e ir levando o leme em harmonia com o tempo, o vento e seu movimento.
A vida é isto!

José Vicent Payá Neto






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