quinta-feira, 16 de março de 2017

O vaso de Deus

"Uma pessoa é o vaso mais puro do amor de Deus. É o receptáculo de Sua amorosidade, por onde Ele dispensa suas benesses. O ser humano é a medida de todas as coisas por ser a entrada e a saída do amor de Deus. O bem mais precioso que você tem é sua íntima ligação com Deus. Essa conexão e inquebrantável, ininterrupta, direta e exclusivamente pessoal. A consciência que se tem da própria ligação com Deus elimina o medo do desconhecido, do futuro, do novo e de qualquer angustia. Essa ligação nos permite a percepção da nossa natureza espiritual e da impossibilidade da morte como fim da vida. Conserve seu sentimento de ligação com Deus como algo de muito sagrado e que só a você pertence.
Seja feliz sendo uma pessoa. Apenas uma pessoa. Um ser que está no mundo para viver nele, como alguém que se sente intimamente ligado às pessoas, ao Universo e a Deus".
Trecho do livro " Felicidade sem culpa" de Adenáuer Novaes.

Nos últimos dias este foi um dos textos mais interessantes e lindos que li. Sou espiritualista e, portanto, tenho claro que somos um espirito encarnado em um corpo. O corpo, nossa morada em nossa jornada física, é este vaso. Um vaso que deve estar limpo, puro e no reto caminho. Não importa como você se refira a Deus. Este sentimento como diz o texto é uma relação intima e pessoal. Sagrada!
Hoje em dia nos vangloriamos de falar em ou de negar o seu nome. Os que creem defendem várias denominações para justificar a posse de Deus. Outros, por outro lado, negam veementemente seu nome como forma de enfrentar o desconhecido, o medo ou a finitude da vida física.
Enquanto conjecturamos continuamos a ser o que sempre fomos, somos e seremos. Uma centelha de vida em evolução permanente.  
A Vida que não se encerra nunca passa rápido e ligeiramente viramos poeira e retornamos ao berçário dos espíritos nos mundos superiores a espera de novos nascimentos e de novas oportunidades. O oleiro trabalha incessantemente e seus vasos vão e vem sempre ungidos pelo suspiro de Deus.
Por suas mãos escorrem os espíritos em sua peregrinação. Descem aos mundos inferiores como estrelas que se espalham pelo céu.  
No dia a dia nos esquecemos desta memória afetiva. Vamos perdendo a lembrança do colo de Deus e da sensação de paz e harmonia que nos alimenta nos intervalos de cada encarnação. Vivemos uma vida de luta constante. Vamos enfileirando nossas batalhas uma após a outra. Trabalho, dinheiro, família, solidão, posição social, bens, posse. Nada nos pertence. nem as pessoas, nem nossos bens, nem nossas relações afetivas. Nada.
O que nos angustia e a sensação de que estamos sós, que tudo se acaba, que o que pensamos ser solido se desmancha pelo ar. A eterna insustentável leveza do ser como já dizia Milan Kudera em um de seus livros.
Nos agarramos as pessoas, não soltamos suas escolhas quando estas não nos incluem. Mergulhamos no trabalho para que nos dê a sensação de que estamos sendo úteis. Ligamos todos os barulhos possíveis para não escutar o silêncio se nosso coração.
O paradoxo da vida é de que é justamente neste momento em que paramos e nos entregamos que a força vem e nos faz lembrar da generosidade de Deus. Sopro Divino que vem feito brisa nos lembrar calmamente que não estamos abandonados. Somos Reis! Somos espíritos em evolução e continuamos. Apesar de tudo, continuamos. Seguimos em frente acolhidos na força espiritual que habita nosso corpo, nossa emoção e nossa mente.
Somos a plasticidade do tempo que não se apaga. Somos a memória do tempo que não se dilui. Somos a centelha de vida que vence a temporalidade do tempo.

Só podemos descobrir a grandiosidade de Deus em nós quando tivermos a coragem de parar de correr atrás daquilo que não se sustenta e procurarmos abrigo em nosso lugar mais sagrado. Lá, na caverna das almas. No abrigo solitário do peregrino. No quarto amoroso de Deus temos um encontro eternamente marcado com nós mesmos. Com tudo aquilo que somos e deixamos de ser. 
Precisamos ter a força e a capacidade de nos perdoarmos, abraçarmos e gostarmos de nós mesmos.
Ninguém pode fazer isto por nós.
Deus, sopra a brisa.
Cabe a nos abrir as asas e voar!

José Vicent Payá Neto

Nenhum comentário:

Postar um comentário