segunda-feira, 13 de março de 2017

Palavras ou Vidas ao vento?

As palavras tem este poder.
Abraçam, entrelaçam e acolhem.
Palavras,também,silenciam, dilaceram e despedaçam.
As vezes são ditas sem que o som se faça presente.
São tantos os efeitos quanto a profundidade que alcançam em cada um de nós.
Ficam na superfície se não nos incomodam.
Mergulham um pouco se nos alertam.
Vão as maiores profundidades se nos tocam a alma.
Lá ficamos em apneia. Sem ar. Suspensos em nossas reflexões. Inflexões da alma. Silêncio profundo! Na maioria das vezes não conseguimos ter.
Fazemos barulho. Nos lançamos aos sons imperfeitos que preenchem cada espaço das entrelinhas de nossas dúvidas.
Ficar só, por exemplo.
O mergulho profundo as vezes desavisado.
Vem como que uma pancada. Uma freada na rua.
Um susto.
Ontem estava escutando a homilia na igreja e uma das reflexões era justamente sobre este estalo que precisamos ter ou proporcionar ao nosso espirito.
O padre comentava que diante de tantas "tentações" do mundo moderno e de tantas angústias sobre a Vida, nossa mortalidade, imortalidade e o tempo que passa sem pedir passagem nos devemos simplesmente ir.
Tomar uma atitude e viver.
Sair pelo mundo sem malas e bagagens.
Sem esquemas.
Ir com o que temos e nos colocarmos diante dos desafios com a confiança necessária em si mesmo.
Não importa a sua religião ou espiritualidade. Nem mesmo importa a ausência de qualquer credo. Sempre seremos instados a dizer presente diante da Vida. Da nossa Vida. Da Vida que recebemos.
Morremos tantas vezes. Diariamente. Nem nos damos conta.
Quando dormimos,  apagamos. 
Adeus as nossas certezas e garantias.
Adeus ensinamentos e acumulações.
Apenas, seguimos.
Pois é...
Sábado vi o filme "Aquarius".
Filme maravilhoso. Um poema que fala em suas rimas temporais, do tempo que passa, das lembranças e certezas que ficam apesar do tempo.
Sobre o que vale a pena ou não.
Sobre deixar ir. Não prender.
Olhar para trás e ver o que vivemos. Para os filhos que tivemos e criamos. Para os filhos que não vieram deixando a sala vazia e o quarto arrumado.
Parentes e amigos que já partiram, que apenas perdemos de vista ou simplesmente que não se fizeram íntimos.
Pessoas. Historias. Memorias.
Hoje pela manhã estava lendo o livro;" Viagens com Epicuro, Jornada a uma olha grega em busca de uma vida plena" de Daniel Klein. Em um trecho ele comenta: "Se um homem não consegue dar sentido à sua vida, ou a qualquer parte dela, tudo o que resta são coisas que o distraiam da falta de sentido, embora poucos as reconheçam como tais. Mas, aqui e ali, provavelmente nos deparamos com indícios de que tais distrações não têm sentido em si mesmas. Svendsen escreve: " As pessoas mais hiperativas sao justamente as que custam menos a se entediar. Temos uma inexistência quase absoluta de momentos inativos, correndo de uma atividade para outra, porque não
suportamos encarar um tempo que seja vazio. Paradoxalmente, esse tempo inchado, quando visto em retrospecto, muitas vezes apavora de tão vazio".
José Vicent Payá Neto




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