sexta-feira, 9 de junho de 2017

Novos prazeres

A vida sempre nos oferece novas oportunidades, novos prazeres, novas possibilidades.
Somos nós que escolhemos seguir apenas uma trilha, um caminho ou um sentido. Criamos nossos hábitos, nossos costumes e moldamos nosso caráter.
Sempre mais cômodo seguir pelo mesmo território conhecido e entrar no velho quarto com nossas coisas em ordem ou na ordem na qual as colocamos.
Aprendemos que mudar tem o significado simbólico de ruptura, de insegurança e de instabilidade.
Sempre a relação binária de A ou B. Nada de A a Z formando novas palavras e reinventando o alfabeto. Queremos a chave certa para a escolha incerta. A expectativa da certeza corrói a coragem e a ousadia de experimentar novos sabores. O amargo não combina com o doce. O doce não convive com o salgado. Métricas, medidas e medições. Onde foram parar nossas poções e misturas da infância onde o maior prazer está em colocar no papel borrões espalhados vendo todo  sentido de arte no quadro final.
Lembro de como era maravilhoso sentar com meu filho pequeno no chão do quarto dele, espalhar várias folhas de papel A4 pelo chão, abrir as latas de tinta e, simplesmente, deixar o pincel correr solto em buscar das formas e arranjos. 
Ficávamos misturando as tintas tentando sempre uma cor nova para os rios, morros, casas, caras e traços.
Sim, traços. Nossa arte era mais abstrata sem excluir o bom e velho desenho da casa, do chão verdinho, da árvore carregada de maças, o céu azul com suas nuvens e sol, sempre ali brincando.
Tinha o elefante, a carinha de gato que todos tentam ensinar aos filhos como os primeiros movimentos em busca de uma forma de vida. 
O que é isto? perguntamos mais excitados de que os próprios filhos. vamos colocando as partes do corpo. Uma a uma até a forma real.
O grande barato era a possibilidade de despertar a curiosidade. Esta magia que ao crescermos, simplesmente perdemos. Vamos substituindo a possibilidade pela certeza, o abstrato pelo concreto, a folha pela moldura e , por fim, guardamos nossas tintas e nosso estoje de imaginação.
Somos adultos!
Crescemos!
Só escutamos; "quando é que você vai deixar de ser criança!". Para onde foram tudo foi...


Tudo acontece muito rápido quase sem deixar rastro. Deixa marca. profunda.
Vamos, por vezes levar uma vida inteira procurando este elo perdido. Nem sempre, a maternidade/paternidade vão restabelecer esta conexão emocional. Ao contrário. Os tempos são cada vez mais velozes, furiosos e digitais. Instantâneos e fluidos. Tudo passa em um piscar de olhos. os olhos não param.
pulam na cama elástica na qual nossa mente vai se moldando com tantas informações.
Até o dia que a Vida nos oferece uma nova trilha, uma nova sinalização ou um novo destino.
Tenho pensado muito nisto ultimamente.
Porque não escolher novos prazeres.
Porque não destrancar o armário da memória e pegar o material criativo que ficou lá guardado por tanto tempo.
A folha que era de A4 no passado é a minha vida.
Sobre ela posso derramar todas as cores.
Posso rabiscar todos os sons.
Posso inventar um novo céu.
Basta dar uma espiadinha.
Boa viagem!


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