segunda-feira, 12 de junho de 2017

O que guardamos dentro de nós?

Somos tantas histórias e tantos destinos vividos que não cabemos em nós mesmos. Existem momentos em que parece que vamos transbordar e o que existe de nós na mente, no coração em um pacote de recordações vai cair pelo chão espalhando tudo de forma desorganizada.
Porque guardamos?
Nem sempre queremos mas, alguns embrulhos mesmo depois de abertos, voltam pra dentro da caixa e adormecem no fundo de nossas gavetas.
Há algum tempo resolvi escrever para fazer com que este sentimento pudesse ficar mais palatável.
Sufocamos sem sentir ou saber.
Memórias são mais do que instantes. Possuem vida, peso, cor e sentimento. Pois foi assim que elas ficaram sentadas no banco de nossa praça.
As vezes o vento suave da manhã vem e vai levando as passagens mais passarinheiras. Um leve sopro e decolam para longe. Outras nem com o vento mais forte são capazes de se movimentar.
Fincaram as estacas.
Nem tudo que escrevo tem sentido com o passado, presente ou futuro.
As vezes só quero deixar que as palavras saiam assim, aleatoriamente. Me dá a sensação de que elas vão encontrar alguém que as possa escutar.
Cada palavra que voa é um pássaro a menos na minha gaiola.
De alguma forma são nestes momentos em que escrevo que consigo abrir a portinhola e dar de comer a alguns sentimentos, água para outros e alguns deixo simplesmente sair.
Como uma revoada de andorinhas em busca de outra estação, seguem meus ventos a chamar minhas ilusões, certezas, mágoas e alegrias para sair por aí.
Com o tempo e o hábito, algumas saem para nunca mais voltar. Me sinto leve. Me sinto livre. me procuro no céu e vejo que sou o azul que me acolhe.
A escrita para mim é isto.
Como o voo do albatroz que na sua elegância de asas longas tem autonomia para voos longos e solitários.
Desajeitado em terra quando tenta alçar voo depois que se ergue no ar voa sereno e tranquilo sabendo que deixou no solo as dúvidas sobre sua capacidade de planar.
Assim somos nós.
Damos uma corrida e abrimos as asas mas quando elas parecem não ter forças para nos levantar desanimamos e tropeçamos em nossas dúvidas e inseguranças.
Logo, estamos desistindo e passamos a ciscar na praia com medo da próxima tentativa.

Tentar.
Tentar.
Cair e levantar.
Até ralar as penas. Não tem outra maneira. Fácil? Difícil?
Depende do tempo, das condições térmicas, das correntes de ar.
Para saber temos que sair de nossas tendas e olhar o medidor de ar, as bandeiras e olhar para cima, para o céu.
Faço isto com meus escritos.
Minhas palavras vão formando minha carta de voo.
Minhas rimas indicam que as condições são boas.
Meu caderno, o meu painel de bordo.
Minha caneta, o manche que vai me guiando para cima ou para baixo, para esquerda ou para direita.
Boa viagem!




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