quarta-feira, 21 de junho de 2017

Sonhando acordado

Quando pequenos imaginamos mil possibilidades para nossa vida. Vida adulta ainda é uma imagem muito distante, embaçada e da qual não queremos nenhum tipo de lembrança.
O tempo presente é aquele da infância em que pensamos que este tempo não passa.
Na verdade, nem sabemos dele. Só lembramos quando somos acordados de nossas brincadeiras, sonhos e liberdade para cumprir uma obrigação. Ir dormir. Fazer o tal de dever de casa. Dever de casa para criança deveria ser sempre brincar, correr, pintar, rir e se distrair.
Vejo hoje, várias crianças com agendas de obrigações que mais parecem compromissos de um pequeno executivo. Falta tempo. Falta tempo para não pensar. Para deixar a mente livre. Exposta.
Outras crianças não tem agendas lotadas. Não tem mais sonhos. Tem um tempo de sobrevivência.
O mundo?
Este não costuma olhar para elas.
Infância passou e sonhos foram desfeitos feito papel molhado. Os aviões, estas máquinas fantásticas, que varam o céu não decolaram.
Lembro de algumas imagens da minha infância. Uma delas era olhar para o céu azul em dia de sol an praia e ver aquele pequenos avião passando com uma faixa no ar fazendo propaganda de algum produto.
O cheiro do mar, do sal e do sol se misturavam , por um momento, tudo parava e silenciava. Restava apenas o ronco lento daquele avião. Era tão bom.Não faltava nada. Havia um breve instante de paz.
É disto que me lembro no baú da minha memória.
Houve um tempo em que ficávamos assim.
Hoje respiramos compromissos.
Eu ia escrever sobre o que nos move. Os sonhos que carregamos. Aquela inquietação que nos faz acordar com tesão pela vida.
Como um dominó que vai caindo e derrubando peça por peça, fui chamando uma lembrança após a outra e falando do tempo, da infância, da lembrança e da memória.
A conexão é clara.
Precisamos de uma memória que nos proporcione prazer e nos enriqueça como pessoa. Está faltando aquele pedaço do quebra cabeça que embora não complete o quadro nos motiva a procurar a outra peça, a outra, a outra e ir até o final.
É isto que tenho sentido com toda força nestes meus 54 anos. O tempo está passando e minhas memórias de prazer estão se perdendo. Estão se desconectando. 
Fazer algo que nos possibilite uma alegria interna não está obrigatoriamente relacionado com o trabalho ou com estudo. Pode ser algo aleatório. Pode ser simples.
Pode ser até...um avião no céu em um dia de sol na praia.
Para isto, o primeiro passo é tirar o o que nos incomoda e impede da frente.
Aquele enorme elefante de justificativas e preocupações que vão se estabelecendo na nossa rotina e da qual não nos desapegamos. Eles parecem sempre estar por ali. Andando para lá e para cá. Nos lembrando que não temos agenda, que não tempos tempo, que não temos idade, que...
Tantas barreiras que vão ganhando vida que logo esquecemos de que sonhamos algo.
Por isto voltei a escrever.
Por isto voltei a ler o que quero.
Por isto quero aprender a pintar.
por isto quero voltar a correr.
Por isto quero voltar a sonhar. Porque sonho para mim é prazer de viver.
Estar vivo e não morrer.

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