quarta-feira, 28 de junho de 2017

Varredura do Bem!

"Se fosse possível apagar da memória as pessoas que o feriram ou o frustraram, quem você apagaria? Quem você varreria da sua memória?...
...A necessidade neurótica de ser perfeito impede-nos de dar risadas de nossas tolices, e nossa estupidez, de nossas fobias e manias, o que asfixia a nossa capacidade de reciclar o lixo psíquico que adquirimos ao longo da vida. Somos ótimos para acumular detritos em nossa mente. Você recicla seus conflitos, desconstrói suas mágoas, abranda as suas perdas?"
Livro Gestão da Emoção de Augusto Cury

Comecei a leitura deste instigante livro ontem a noite. Fui na estante do escritório de casa e fiquei ali, exposto aos livros esperando que viessem conversar comigo e dar os seus motivos para que eu os escolhesse.
Este ou aquele.
Quem iria sair da estante e se jogar em meus braços me enlaçando com suas histórias, dicas e provocações?
Procurava uma leitura leve. Procurava algo que pudesse acomodar minha alma, minha mente e minhas emoções em um sofá despreocupando-me de grandes reflexões. Queria férias para cuca e para memória. Queria, como se diz, relaxar.
Como ando escrevendo, refletindo e maturando a questão do bem estar, escolhi o livro cujo texto compartilhei acima.
"Gestão da Emoção" de Augusto Cury. A vida é uma caixinha mesmo. Caixinha de grandes descobertas, músicas, surpresas e sobressaltos. Nos abre janelas e portas, na mesma proporção em nos fecha em copas.
Na verdade, não é a vida que faz algo conosco. É sobre como deixamos nos impactar com cada uma de suas brisas ou tormentas.
Deitado em minha cama com a cachorrinha aos meus pés pedindo um carinho dei de cara com a frase que abre esta postagem."Se fosse possível apagar da memória as pessoas que o feriram ou o frustraram, quem você apagaria? Quem você varreria da sua memória?...".
A pergunta veio como um trem na minha direção. Pensei logo nas pessoas que de alguma forma me atingiram de forma negativa, que deixaram marcas que ainda estão abertas, que me fizeram chorar. Na verdade, nos últimos dias estava pensando sobre este tema. Sobre as marcas emocionais e mentais que ficaram na minha cabeça e no meu coração ao longo destes anos. 
Estava lavando a louça depois do jantar e o movimento suave e repetido de ensaboar e deixar a água cair no prato em minhas mãos me fez pensar em como já era hora de perdoar algumas pessoas. 
Pensava mais em como elas tinha me dado coisas boas apesar de tudo. A mente faz isto conosco. É um solo fértil. Uma semente jogada, seja do bem ou do mal. Se deixarmos, cria raiz e vira árvore frondosa.
Destas que, ou nos acalmam ou nos ferem com seus galhos secos e emaranhados. Nos dá sombra ou arranha. 
Somo o jardineiro! Somos nós que deixamos o jardim exposto, que jogamos as sementes e que molhamos e regamos.
No jardim da nossa mente, os conflitos, as derrotas, as palavras, o riso,o choro, os silêncios, os elogios e as críticas são parte do adubo mental e emocional que vamos acumulando em camadas sobrepostas
.
O universo cabe em nós. O universo escuta nossos chamados e, em algumas situações, atende aos nossos pedidos.
O que pedimos?
O que desejamos?
Do que nos ressentimos?
Do que temos medo?
O provérbio já ensina;" cuidado com o que você pede. Você pode ser atendido?".
Como estamos sempre olhando para as nossas coisas, para nossa vida. Para nossas "tragédias" é difícil admitir que conseguimos ter um senso de oportunidade, para desejar o bem ao próximo. Que somos capazes de ser ser melhor do que nos imaginamos.
Esta é a questão?
Até quando vamos ficar lustrando aquilo que acumulamos dentro de nós? As vezes, uma vida inteira.
Pois é...
Que tal criarmos o nosso programa de reciclagem?
Reciclar implica em aprendermos a lidar conosco da melhor forma possível sem tanta culpa por nossos erros e falhas.
O perdão começa em nós.
Não é fácil colocar todo mundo ou tudo na sala para conversar.
Como na terapia, convidar para um passeio e uma caminhada um de cada vez pode ser uma boa ideia.
Abrir a porta da casa ou da nossa estufa e simplesmente convidar: "Ei, vamos dar uma volta? Vamos conversar um pouco?.
Freud fazia isto quando queria pensar nos seus pacientes e nas suas teorias.
Acho que podemos nos surpreender com o quanto de Bem podemos gerar para nós mesmos e para os outros. Veremos que somos capazes de olhar para aquela lembrança que não nos fazia bem e descobrir que ela pode sair da mesa, ser embrulhada e jogada fora quando o caminhão do lixo passar. As vezes não é fácil. As vezes será muito difícil e só o tempo e nossa coragem em enfrentar o desafio nos manterá no rumo certo. Rumo certo? Melhor pensar em estar sempre caminhando, em estar indo. Vivendo!
É possível ousar conosco. Sermos nosso próprio desafio. 
O importante é que não precisamos estar sozinhos nesta busca de sentido e paz interna.
Não precisamos nos bastar.
O Segredo é saber que tanto quanto ouvir, pedir ajuda é a melhor forma de encontrar uma solução.


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