quarta-feira, 18 de julho de 2018

Viver!

Foto tirada durante a minha viagem a Budapeste
Bom dia!
Retornando ao meu blog "Cadernos de Viagem"!
Já tem um bom tempo que não escrevo por aqui ou mesmo no meu diário físico.
Acho que diários são assim. Vão obedecendo uma cronologia diferente do tempo físico.
Nem sempre temos novidades internas ou nem sempre conseguimos perceber a relevância de algum fato ou momento externo e interno.
Assim, fica a impressão de que não existe nada de substancial acontecendo conosco. Só a vida nos levando.
Pior. Ela leva mesmo, aproveitando-se da nossa inconsciência, apatia ou tédio.
Neste caso, nos tira vida e tempo. Ambos não voltam. A passagem é somente de ida. O que voltam são as recordações e , estas, nem sempre, são boas. Por vezes, ficaram empoeiradas e guardadas a sete chaves no fundo de nossos baús.
Resolvi voltar. Criei coragem e subi até o quarto de cima. Entreabri a porta e ainda não sei o que vou encontrar.
Estou marcando um reencontro comigo mesmo mesmo e as meus laços partidos ou perdidos.
Colocar para fora um pouco do que andei aguardando por tanto tempo. Como dizia o bom e velho Freud, dando aquela boa limpada na chaminé.


Foto que tirei em Praga
É como um rio que nasce em uma nascente, cresce com a força das águas e vai seguindo seu rumo.
Ao longo do trajeto ele, o rio, não sabe se é longo ou curto, portanto vai seguindo, alargando e reduzindo as reduzindo suas bordas, ultrapassando as pedras e sempre buscando uma maneira de passar pelos obstáculos que se colocam a sua frente.
Se é um conjunto de pedras, ele vai encontrar pequenas frestas por ponde se esquivar. Se tem um tronco, aí sim, ele pode ficar travado. Vai parar e com ele sua força vai se reduzir. Tudo vai parando até parar de vez até o momento que venha uma torrente e arraste tudo rio abaixo.
Um rio é assim. A vida é assim. Acho que nós somos este rio que começou em algum ponto em que não foi a barriga de nossa mãe. Acho que ali foi o porto. Foi ali, naquele ventre materno que a vida nos acomodou e que demos início, no mundo físico, a trajetória desta vida.
É assim que vejo tudo. É assim que os olhos do meu espírito criador vê. É assim que me lembro dos espíritos da natureza dizendo que dali em diante, mesmo que eu não notasse a presença deles, tudo ia ficar bem e sempre estariam comigo. No meu coração. Agora, era comigo.

Um eterno recomeço. Como se diz na literatura indiana e oriental; é o "Eterno Vir a Ser". Sou uma pessoa espiritualista. Fui educado na igreja católica, ingressei na Sociedade Teosófica e frequentei o espiritismo. Li vários livros e vários autores de diferentes escolas filosóficas e  religiosas.

Não devemos nos aprisionar a dogmas, religiões e filosofias. Devemos estudá-las, respeitá-las e compreendê-las. Cada qual tem o direito de seguir seu caminho. Não é porque uma pessoa se declara ateu que ele não tem o essencial dentro de si. AMOR! Ao contrário, talvez tenha mais a ensinar a quem só julga. Vamos viver de forma livre e não procurar culpados. Não vamos acender fogueiras. Vamos jogar água da vida para ser refrigério das almas que precisam do nosso amor.
Quer um conselho?
Foto que fiz em Paraga
Abra todos os cadeados e jogue-os todos no rio. Ele, sábio, irá levar para longe tudo o que ali ficou guardado por tanto tempo. Se for dor, melhor. Se for amor, ele fica não vai.

Hoje, me defino como uma pessoa espiritualista. Não sinto necessidade de dizer "Sou isto!" Todos os caminhos levam a Roma e todas as correntes religiosas ou não levam a espiritualidade, ao coração do ser humano. Ao mundo. Como dizia Buda; " Cessa de fazer o mal e aprende a fazer o bem". Deus é amor. Deus é perdão. Deus é unidade na diversidade. É isto que nos une. A nossa essência que não se acaba quando fecharmos os olhos mas sim quando abrimos cada um deles. 
É por isto que estou indo fazer terapia.
Para que possa, com ajuda, reabrir os olhos e limpar aquilo que está embaçando a VIDA!
Vamos ver o que me aguarda!

Foto feita em Praga

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Festa de aniversário!

A maior celebração da vida é estar vivo. Óbvio? Nem tanto. Levamos nossa vida meio no piloto automático.
Vamos descartando os dias até que chega a data do nosso aniversário e nos espantamos como o tempo passou rápido. Mais um ano se foi.
Quando crianças e adolescentes nem percebemos. Os dias parecem não passar e a sensação é de uma vida inteira com todo tempo do mundo para nossas expectativas e sonhos.
A vida passa muito rápido.
Em um cochilo e lá se vão tantos anos. Assistindo ao Rock in Rio nos surpreendemos com alguns cantores e suas bandas que teimam em desafiar o tempo. Nos emocionamos com suas canções e viajamos no tempo. Somos capazes de dizer onde estávamos, com quem estávamos e o que fazíamos em um certo tempo da nossa vida.
Este tempo passou. Ele não volta. Ele fica no passado. São nossas recordações e lembranças que voltam. Perguntas. Arrependimentos.Alegrias.Tristezas.Pessoas. Épocas.
Tudo está lá. Adormecido.
Aniversários deveriam ser antídotos contra o passado.
Que pudessem dissolver o próprio tempo deixando-nos livres para olhar o hoje. 
Perceber o valor da nossa própria companhia e do nosso Bem Querer.
Acho que esta é a verdadeira magia por traz da festa de aniversário.
A possibilidade de você ao apagar a velinha , desejar um novo recomeço e se perdoar pelo que passou.
Renovação!
Renovação da vida e dos propósitos.
São tantos papéis que são impostos. Tantas expectativas. Tantos planos.
A vida é breve.
Daqui a pouco sem avisar o trem apita e nos diz que é hora de partir.
Nosso aniversário deveria ser uma ocasião para nos despirmos.
Para deixar para trás nossas roupas velhas e os livros já lidos.
Arrumar nosso armário e deixá-lo leve.
Guardar as melhores imagens.
Se perdoar.
Perdoar os outros.
Fechar os olhos e desejar que a primeira fatia seja para você. Afinal, apesar de tudo, você chegou até aqui.
Daqui para frente não sabemos mas pode ser tudo diferente.
Comece então se amando!


segunda-feira, 3 de julho de 2017

Gaivota

Joguei uma gaivota pela janela.
Fiquei olhando ela ir embora.
Chovia, era domingo.
O céu estava encurralado entre dois prédios. Escuro.
Lá foi minha gaivota.
Chovia e fazia frio.
Até onde foi?
Não sei.
Perdi de vista.
O domingo acabou.
A janela ainda está aberta.
O menino?
Talvez ainda esteja lá.
Naquele domingo, naquela janela esperando ver até onde a gaivota voou.

José Vicent Payá Neto


Teatro da vida


Estava procurando uma imagem que pudesse ter relação com a expressão "entulhos emocionais" e acabei encontrando esta frase acima. Gritamos nem sempre de felicidade. Gritamos mais por nossos aborrecimentos do que por nossas realizações.Aprendemos, desde cedo a ser econômicos com nossa alegria.
Escutei muitas vezes quando pequeno, adolescente e adulto a frase; " para que tanta alegria e riso?". Claro que ninguém sobrevive sem algum nível de encolhimento emocional a tanta castração. É por isto que como diz a frase acima, a outra metade é silêncio. Os silêncios se acumulam em uma sinfonia sem nota ou acorde. Vamos adestrando nossa balança emocional. Calibrando as medidas. Tentando estabelecer um peso que gere equilíbrio permanente. Aceitação social.

A redoma começa cedo quando vamos inibindo nossos filhos quanto a sua curiosidade. Criamos os medos, tornamos as florestas mais escuras e ameaçadoras e tornamos a nossa casa e presença física sinônimo de segurança.
Ouvimos calados as histórias que nos contam e recontamos as mesmas histórias aos nossos filhos. A saudade que sentimos da infância muitas vezes é esta sensação de segurança e de estabilidade perdidas na vida madura para além das portas e janelas de casa.
O que era aventura virou solidão.
Invocamos as lembranças de uma infância que nos moldou de alguma forma.
Junto com a segurança as imagens esquecidas trazem retalhos de emoções muitas vezes guardadas a sete  chaves.

As flores ficaram pelo caminho. Estão ressecadas. O tempo parou.
Se voltarmos a olhar para trás corremos o sério risco de voltarmos a ser uma criança que não desabrochou, murchou e ficou lá esquecida na memória apagada da nossa mente. Não cresceu. Estas idas e vindas tem um custo. O custo de olhar para o que não mais somos e aceitar aquilo em que nos transformamos. Pensar que a mudança pode ser daqui para frente. Aquele tempo passado não volta.
Tenho pensado muito nisto. Talvez porque veja meu filho realizando sua jornada de uma forma mais leve e serena.
Penso que de alguma forma me reinventei e não deixei que o brilho dele se apagasse. Ao contrário, Aflorou em uma vida renovada de afeto contínuo.
Descobrir que podemos ser uma boa companhia para nós mesmos faz uma enorme diferença. Faz com que a vida seja um pouco mais leve. Faz com que novos encontros e reencontros sejam mais saudáveis.
Somos feitos de amor pois somos divinos por natureza. Somos livres e quando adormecemos experimentamos a possibilidade de uma vida mais plena em mundos diferentes e épocas variadas.
Este momento em que não somos aquilo que nos julgamos é que nos permite acreditar que existam outros enredos e outros sonhos a serem sonhados.
Não digo que seja fácil. O risco é que seja possível. 
É este risco que precisamos correr. Um risco por algo que nos faça bem.
A reconciliação nos dá paz. Deixa nossa roupa assentar. 
O show continua!
O espetáculo não acaba.
O palco da vida sempre se abre para uma nova peça.
Somos novamente crianças perdidas de nós mesmos. Sem tantas críticas e julgamentos.
Podemos pensar então na nossa velhice que tanto nos angustia como ponto de chegada, finitude, decrepitude de uma outra maneira.
Pois, também, esta roupa vai ficar pelo caminho. Com sua narrativa. Este é o segredo. Não tentarmos misturar as narrativas e os personagens.
Estes vão se sucedendo. Cada qual com sua dificuldade de memorizar a fala e o papel.
Porém, no final, ao final, todos vão ficando pelo chão.
O que sobra é aquilo que sempre esteve ali.
O brilho de cada um como criatura divina que nãos e apaga.


quarta-feira, 28 de junho de 2017

Varredura do Bem!

"Se fosse possível apagar da memória as pessoas que o feriram ou o frustraram, quem você apagaria? Quem você varreria da sua memória?...
...A necessidade neurótica de ser perfeito impede-nos de dar risadas de nossas tolices, e nossa estupidez, de nossas fobias e manias, o que asfixia a nossa capacidade de reciclar o lixo psíquico que adquirimos ao longo da vida. Somos ótimos para acumular detritos em nossa mente. Você recicla seus conflitos, desconstrói suas mágoas, abranda as suas perdas?"
Livro Gestão da Emoção de Augusto Cury

Comecei a leitura deste instigante livro ontem a noite. Fui na estante do escritório de casa e fiquei ali, exposto aos livros esperando que viessem conversar comigo e dar os seus motivos para que eu os escolhesse.
Este ou aquele.
Quem iria sair da estante e se jogar em meus braços me enlaçando com suas histórias, dicas e provocações?
Procurava uma leitura leve. Procurava algo que pudesse acomodar minha alma, minha mente e minhas emoções em um sofá despreocupando-me de grandes reflexões. Queria férias para cuca e para memória. Queria, como se diz, relaxar.
Como ando escrevendo, refletindo e maturando a questão do bem estar, escolhi o livro cujo texto compartilhei acima.
"Gestão da Emoção" de Augusto Cury. A vida é uma caixinha mesmo. Caixinha de grandes descobertas, músicas, surpresas e sobressaltos. Nos abre janelas e portas, na mesma proporção em nos fecha em copas.
Na verdade, não é a vida que faz algo conosco. É sobre como deixamos nos impactar com cada uma de suas brisas ou tormentas.
Deitado em minha cama com a cachorrinha aos meus pés pedindo um carinho dei de cara com a frase que abre esta postagem."Se fosse possível apagar da memória as pessoas que o feriram ou o frustraram, quem você apagaria? Quem você varreria da sua memória?...".
A pergunta veio como um trem na minha direção. Pensei logo nas pessoas que de alguma forma me atingiram de forma negativa, que deixaram marcas que ainda estão abertas, que me fizeram chorar. Na verdade, nos últimos dias estava pensando sobre este tema. Sobre as marcas emocionais e mentais que ficaram na minha cabeça e no meu coração ao longo destes anos. 
Estava lavando a louça depois do jantar e o movimento suave e repetido de ensaboar e deixar a água cair no prato em minhas mãos me fez pensar em como já era hora de perdoar algumas pessoas. 
Pensava mais em como elas tinha me dado coisas boas apesar de tudo. A mente faz isto conosco. É um solo fértil. Uma semente jogada, seja do bem ou do mal. Se deixarmos, cria raiz e vira árvore frondosa.
Destas que, ou nos acalmam ou nos ferem com seus galhos secos e emaranhados. Nos dá sombra ou arranha. 
Somo o jardineiro! Somos nós que deixamos o jardim exposto, que jogamos as sementes e que molhamos e regamos.
No jardim da nossa mente, os conflitos, as derrotas, as palavras, o riso,o choro, os silêncios, os elogios e as críticas são parte do adubo mental e emocional que vamos acumulando em camadas sobrepostas
.
O universo cabe em nós. O universo escuta nossos chamados e, em algumas situações, atende aos nossos pedidos.
O que pedimos?
O que desejamos?
Do que nos ressentimos?
Do que temos medo?
O provérbio já ensina;" cuidado com o que você pede. Você pode ser atendido?".
Como estamos sempre olhando para as nossas coisas, para nossa vida. Para nossas "tragédias" é difícil admitir que conseguimos ter um senso de oportunidade, para desejar o bem ao próximo. Que somos capazes de ser ser melhor do que nos imaginamos.
Esta é a questão?
Até quando vamos ficar lustrando aquilo que acumulamos dentro de nós? As vezes, uma vida inteira.
Pois é...
Que tal criarmos o nosso programa de reciclagem?
Reciclar implica em aprendermos a lidar conosco da melhor forma possível sem tanta culpa por nossos erros e falhas.
O perdão começa em nós.
Não é fácil colocar todo mundo ou tudo na sala para conversar.
Como na terapia, convidar para um passeio e uma caminhada um de cada vez pode ser uma boa ideia.
Abrir a porta da casa ou da nossa estufa e simplesmente convidar: "Ei, vamos dar uma volta? Vamos conversar um pouco?.
Freud fazia isto quando queria pensar nos seus pacientes e nas suas teorias.
Acho que podemos nos surpreender com o quanto de Bem podemos gerar para nós mesmos e para os outros. Veremos que somos capazes de olhar para aquela lembrança que não nos fazia bem e descobrir que ela pode sair da mesa, ser embrulhada e jogada fora quando o caminhão do lixo passar. As vezes não é fácil. As vezes será muito difícil e só o tempo e nossa coragem em enfrentar o desafio nos manterá no rumo certo. Rumo certo? Melhor pensar em estar sempre caminhando, em estar indo. Vivendo!
É possível ousar conosco. Sermos nosso próprio desafio. 
O importante é que não precisamos estar sozinhos nesta busca de sentido e paz interna.
Não precisamos nos bastar.
O Segredo é saber que tanto quanto ouvir, pedir ajuda é a melhor forma de encontrar uma solução.


segunda-feira, 26 de junho de 2017

Calma na alma.

A leitura liberta!
Um livro tem a possibilidade de nos levar para tantos outros lugares que não aquele em que nos encontramos.
Possibilita esta viagem criativa para dentro de outros mundos que não o nosso.
Um livro na mão é um portal aberto. Você é guiado por outros personagens para viagens que nem sonhou fazer.
Algumas, para dentro de si mesmo.
O texto da imagem foi exatamente o que pensei ao longo da semana que passou.
As vezes a rotina do dia a dia é tão massacrante que não aguentamos a entediante sequencia de ações que se repetem sem comando, apenas se sucedem em nossa vida. Andamos pelo mesmo trajeto para ir ao trabalho, voltamos pelo mesmo trajeto, arrumamos a mesa da mesma forma, comemos, tomamos banho, ligamos a televisão, desligamos a televisão, conversamos conversas diárias, dormimos e acordamos. Tudo novamente, mais uma vez.
Damos corda e seguimos em frente.
até o dia que o mundo cai na nossa cabeça. Uma doença, uma separação, uma morte, perda de emprego...
O que houve?
Estava tudo em ordem?
Como foi acontecer?
O inesperado bate na nossa porta e pede licença para entrar.
Não, não é o inesperado.
É a vida que corre sem a nossa autorização.
O tempo que passa sem a nossa atenção.
As pessoas que nascem, crescem, vivem e morrem sem a nossa ligação.
Conectados a rotina esquecemos o que acontece de verdade.
Porque comecei a falar disto tudo se na verdade comecei a falar sobre os livros.
Porque os livros trazem as especiarias que são capazes de nos abrir uma nova janela.
A janela do conhecimento.
Misturado no caldeirão das nossas emoções, a cada livro lido, vamos redescobrindo nosso tempero.
Reencontramos o riso, o choro, a dúvida, a interrogação, a explicação, o misticismo, o espiritualismo, a Vida.
Enfim, nos emocionamos.
O aprendizado nos emociona porque nos mostra que é possível.
Acalmar a alma que clama pelo voo, pelo bater de asas, pela imaginação perdida.
O livro faz isto.
Nos dá a asas para voar. As vezes voos cegos. As vezes voos só no equipamento em meio a tempestades.
Todas as estações e temperaturas.
Até mesmo voamos em céu de brigadeiro, azul e limpo. Onde vemos as nuvens e sentimos a brisa boa da calma. Da calma em nossa alma que segue serena sabedora de sua rota.
Sim, podemos encontrar esta calma.
Sim, podemos encontrar esta paz dentro de nós.
Ela vai durar o tempo que permitirmos.
O farfalhar das páginas viradas liberam o doce aroma dos livros novos.Puros e intactos.
Até aquele momento aquela história estava ali adormecida esperando o despertar.
Penso nisso sempre que entro em uma livraria. Principalmente naquelas em que tem um sininho na entrada que toca toda hora em que um cliente entra.
Quem será o escolhido?
Todos os personagens se aquietam e parecem sair dos livros e ficar em cima das capas dos livros acenando para que sejam os agraciados com a nossa atenção.
Seguimos, passamos os dedos e escolhemos um. Folheamos e deixamos novamente na pilha de livros.
Aquela será uma viagem que não faremos. Não naquele momento. Talvez nunca.
E se na nossa vida fosse assim?
Um dia abrimos a nossa livraria-coração e anunciamos a nossa presença. Certamente todas as nossas emoções e pensamos vão despertar.
Talvez, liberem o aroma das lembranças guardadas, das alegrias vividas e das dores esquecidas.
Vamos correr os dedos levemente...
A viagem?
Cabe a você responder?

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Sonhando acordado

Quando pequenos imaginamos mil possibilidades para nossa vida. Vida adulta ainda é uma imagem muito distante, embaçada e da qual não queremos nenhum tipo de lembrança.
O tempo presente é aquele da infância em que pensamos que este tempo não passa.
Na verdade, nem sabemos dele. Só lembramos quando somos acordados de nossas brincadeiras, sonhos e liberdade para cumprir uma obrigação. Ir dormir. Fazer o tal de dever de casa. Dever de casa para criança deveria ser sempre brincar, correr, pintar, rir e se distrair.
Vejo hoje, várias crianças com agendas de obrigações que mais parecem compromissos de um pequeno executivo. Falta tempo. Falta tempo para não pensar. Para deixar a mente livre. Exposta.
Outras crianças não tem agendas lotadas. Não tem mais sonhos. Tem um tempo de sobrevivência.
O mundo?
Este não costuma olhar para elas.
Infância passou e sonhos foram desfeitos feito papel molhado. Os aviões, estas máquinas fantásticas, que varam o céu não decolaram.
Lembro de algumas imagens da minha infância. Uma delas era olhar para o céu azul em dia de sol an praia e ver aquele pequenos avião passando com uma faixa no ar fazendo propaganda de algum produto.
O cheiro do mar, do sal e do sol se misturavam , por um momento, tudo parava e silenciava. Restava apenas o ronco lento daquele avião. Era tão bom.Não faltava nada. Havia um breve instante de paz.
É disto que me lembro no baú da minha memória.
Houve um tempo em que ficávamos assim.
Hoje respiramos compromissos.
Eu ia escrever sobre o que nos move. Os sonhos que carregamos. Aquela inquietação que nos faz acordar com tesão pela vida.
Como um dominó que vai caindo e derrubando peça por peça, fui chamando uma lembrança após a outra e falando do tempo, da infância, da lembrança e da memória.
A conexão é clara.
Precisamos de uma memória que nos proporcione prazer e nos enriqueça como pessoa. Está faltando aquele pedaço do quebra cabeça que embora não complete o quadro nos motiva a procurar a outra peça, a outra, a outra e ir até o final.
É isto que tenho sentido com toda força nestes meus 54 anos. O tempo está passando e minhas memórias de prazer estão se perdendo. Estão se desconectando. 
Fazer algo que nos possibilite uma alegria interna não está obrigatoriamente relacionado com o trabalho ou com estudo. Pode ser algo aleatório. Pode ser simples.
Pode ser até...um avião no céu em um dia de sol na praia.
Para isto, o primeiro passo é tirar o o que nos incomoda e impede da frente.
Aquele enorme elefante de justificativas e preocupações que vão se estabelecendo na nossa rotina e da qual não nos desapegamos. Eles parecem sempre estar por ali. Andando para lá e para cá. Nos lembrando que não temos agenda, que não tempos tempo, que não temos idade, que...
Tantas barreiras que vão ganhando vida que logo esquecemos de que sonhamos algo.
Por isto voltei a escrever.
Por isto voltei a ler o que quero.
Por isto quero aprender a pintar.
por isto quero voltar a correr.
Por isto quero voltar a sonhar. Porque sonho para mim é prazer de viver.
Estar vivo e não morrer.