segunda-feira, 3 de julho de 2017

Gaivota

Joguei uma gaivota pela janela.
Fiquei olhando ela ir embora.
Chovia, era domingo.
O céu estava encurralado entre dois prédios. Escuro.
Lá foi minha gaivota.
Chovia e fazia frio.
Até onde foi?
Não sei.
Perdi de vista.
O domingo acabou.
A janela ainda está aberta.
O menino?
Talvez ainda esteja lá.
Naquele domingo, naquela janela esperando ver até onde a gaivota voou.

José Vicent Payá Neto


Teatro da vida


Estava procurando uma imagem que pudesse ter relação com a expressão "entulhos emocionais" e acabei encontrando esta frase acima. Gritamos nem sempre de felicidade. Gritamos mais por nossos aborrecimentos do que por nossas realizações.Aprendemos, desde cedo a ser econômicos com nossa alegria.
Escutei muitas vezes quando pequeno, adolescente e adulto a frase; " para que tanta alegria e riso?". Claro que ninguém sobrevive sem algum nível de encolhimento emocional a tanta castração. É por isto que como diz a frase acima, a outra metade é silêncio. Os silêncios se acumulam em uma sinfonia sem nota ou acorde. Vamos adestrando nossa balança emocional. Calibrando as medidas. Tentando estabelecer um peso que gere equilíbrio permanente. Aceitação social.

A redoma começa cedo quando vamos inibindo nossos filhos quanto a sua curiosidade. Criamos os medos, tornamos as florestas mais escuras e ameaçadoras e tornamos a nossa casa e presença física sinônimo de segurança.
Ouvimos calados as histórias que nos contam e recontamos as mesmas histórias aos nossos filhos. A saudade que sentimos da infância muitas vezes é esta sensação de segurança e de estabilidade perdidas na vida madura para além das portas e janelas de casa.
O que era aventura virou solidão.
Invocamos as lembranças de uma infância que nos moldou de alguma forma.
Junto com a segurança as imagens esquecidas trazem retalhos de emoções muitas vezes guardadas a sete  chaves.

As flores ficaram pelo caminho. Estão ressecadas. O tempo parou.
Se voltarmos a olhar para trás corremos o sério risco de voltarmos a ser uma criança que não desabrochou, murchou e ficou lá esquecida na memória apagada da nossa mente. Não cresceu. Estas idas e vindas tem um custo. O custo de olhar para o que não mais somos e aceitar aquilo em que nos transformamos. Pensar que a mudança pode ser daqui para frente. Aquele tempo passado não volta.
Tenho pensado muito nisto. Talvez porque veja meu filho realizando sua jornada de uma forma mais leve e serena.
Penso que de alguma forma me reinventei e não deixei que o brilho dele se apagasse. Ao contrário, Aflorou em uma vida renovada de afeto contínuo.
Descobrir que podemos ser uma boa companhia para nós mesmos faz uma enorme diferença. Faz com que a vida seja um pouco mais leve. Faz com que novos encontros e reencontros sejam mais saudáveis.
Somos feitos de amor pois somos divinos por natureza. Somos livres e quando adormecemos experimentamos a possibilidade de uma vida mais plena em mundos diferentes e épocas variadas.
Este momento em que não somos aquilo que nos julgamos é que nos permite acreditar que existam outros enredos e outros sonhos a serem sonhados.
Não digo que seja fácil. O risco é que seja possível. 
É este risco que precisamos correr. Um risco por algo que nos faça bem.
A reconciliação nos dá paz. Deixa nossa roupa assentar. 
O show continua!
O espetáculo não acaba.
O palco da vida sempre se abre para uma nova peça.
Somos novamente crianças perdidas de nós mesmos. Sem tantas críticas e julgamentos.
Podemos pensar então na nossa velhice que tanto nos angustia como ponto de chegada, finitude, decrepitude de uma outra maneira.
Pois, também, esta roupa vai ficar pelo caminho. Com sua narrativa. Este é o segredo. Não tentarmos misturar as narrativas e os personagens.
Estes vão se sucedendo. Cada qual com sua dificuldade de memorizar a fala e o papel.
Porém, no final, ao final, todos vão ficando pelo chão.
O que sobra é aquilo que sempre esteve ali.
O brilho de cada um como criatura divina que nãos e apaga.


quarta-feira, 28 de junho de 2017

Varredura do Bem!

"Se fosse possível apagar da memória as pessoas que o feriram ou o frustraram, quem você apagaria? Quem você varreria da sua memória?...
...A necessidade neurótica de ser perfeito impede-nos de dar risadas de nossas tolices, e nossa estupidez, de nossas fobias e manias, o que asfixia a nossa capacidade de reciclar o lixo psíquico que adquirimos ao longo da vida. Somos ótimos para acumular detritos em nossa mente. Você recicla seus conflitos, desconstrói suas mágoas, abranda as suas perdas?"
Livro Gestão da Emoção de Augusto Cury

Comecei a leitura deste instigante livro ontem a noite. Fui na estante do escritório de casa e fiquei ali, exposto aos livros esperando que viessem conversar comigo e dar os seus motivos para que eu os escolhesse.
Este ou aquele.
Quem iria sair da estante e se jogar em meus braços me enlaçando com suas histórias, dicas e provocações?
Procurava uma leitura leve. Procurava algo que pudesse acomodar minha alma, minha mente e minhas emoções em um sofá despreocupando-me de grandes reflexões. Queria férias para cuca e para memória. Queria, como se diz, relaxar.
Como ando escrevendo, refletindo e maturando a questão do bem estar, escolhi o livro cujo texto compartilhei acima.
"Gestão da Emoção" de Augusto Cury. A vida é uma caixinha mesmo. Caixinha de grandes descobertas, músicas, surpresas e sobressaltos. Nos abre janelas e portas, na mesma proporção em nos fecha em copas.
Na verdade, não é a vida que faz algo conosco. É sobre como deixamos nos impactar com cada uma de suas brisas ou tormentas.
Deitado em minha cama com a cachorrinha aos meus pés pedindo um carinho dei de cara com a frase que abre esta postagem."Se fosse possível apagar da memória as pessoas que o feriram ou o frustraram, quem você apagaria? Quem você varreria da sua memória?...".
A pergunta veio como um trem na minha direção. Pensei logo nas pessoas que de alguma forma me atingiram de forma negativa, que deixaram marcas que ainda estão abertas, que me fizeram chorar. Na verdade, nos últimos dias estava pensando sobre este tema. Sobre as marcas emocionais e mentais que ficaram na minha cabeça e no meu coração ao longo destes anos. 
Estava lavando a louça depois do jantar e o movimento suave e repetido de ensaboar e deixar a água cair no prato em minhas mãos me fez pensar em como já era hora de perdoar algumas pessoas. 
Pensava mais em como elas tinha me dado coisas boas apesar de tudo. A mente faz isto conosco. É um solo fértil. Uma semente jogada, seja do bem ou do mal. Se deixarmos, cria raiz e vira árvore frondosa.
Destas que, ou nos acalmam ou nos ferem com seus galhos secos e emaranhados. Nos dá sombra ou arranha. 
Somo o jardineiro! Somos nós que deixamos o jardim exposto, que jogamos as sementes e que molhamos e regamos.
No jardim da nossa mente, os conflitos, as derrotas, as palavras, o riso,o choro, os silêncios, os elogios e as críticas são parte do adubo mental e emocional que vamos acumulando em camadas sobrepostas
.
O universo cabe em nós. O universo escuta nossos chamados e, em algumas situações, atende aos nossos pedidos.
O que pedimos?
O que desejamos?
Do que nos ressentimos?
Do que temos medo?
O provérbio já ensina;" cuidado com o que você pede. Você pode ser atendido?".
Como estamos sempre olhando para as nossas coisas, para nossa vida. Para nossas "tragédias" é difícil admitir que conseguimos ter um senso de oportunidade, para desejar o bem ao próximo. Que somos capazes de ser ser melhor do que nos imaginamos.
Esta é a questão?
Até quando vamos ficar lustrando aquilo que acumulamos dentro de nós? As vezes, uma vida inteira.
Pois é...
Que tal criarmos o nosso programa de reciclagem?
Reciclar implica em aprendermos a lidar conosco da melhor forma possível sem tanta culpa por nossos erros e falhas.
O perdão começa em nós.
Não é fácil colocar todo mundo ou tudo na sala para conversar.
Como na terapia, convidar para um passeio e uma caminhada um de cada vez pode ser uma boa ideia.
Abrir a porta da casa ou da nossa estufa e simplesmente convidar: "Ei, vamos dar uma volta? Vamos conversar um pouco?.
Freud fazia isto quando queria pensar nos seus pacientes e nas suas teorias.
Acho que podemos nos surpreender com o quanto de Bem podemos gerar para nós mesmos e para os outros. Veremos que somos capazes de olhar para aquela lembrança que não nos fazia bem e descobrir que ela pode sair da mesa, ser embrulhada e jogada fora quando o caminhão do lixo passar. As vezes não é fácil. As vezes será muito difícil e só o tempo e nossa coragem em enfrentar o desafio nos manterá no rumo certo. Rumo certo? Melhor pensar em estar sempre caminhando, em estar indo. Vivendo!
É possível ousar conosco. Sermos nosso próprio desafio. 
O importante é que não precisamos estar sozinhos nesta busca de sentido e paz interna.
Não precisamos nos bastar.
O Segredo é saber que tanto quanto ouvir, pedir ajuda é a melhor forma de encontrar uma solução.


segunda-feira, 26 de junho de 2017

Calma na alma.

A leitura liberta!
Um livro tem a possibilidade de nos levar para tantos outros lugares que não aquele em que nos encontramos.
Possibilita esta viagem criativa para dentro de outros mundos que não o nosso.
Um livro na mão é um portal aberto. Você é guiado por outros personagens para viagens que nem sonhou fazer.
Algumas, para dentro de si mesmo.
O texto da imagem foi exatamente o que pensei ao longo da semana que passou.
As vezes a rotina do dia a dia é tão massacrante que não aguentamos a entediante sequencia de ações que se repetem sem comando, apenas se sucedem em nossa vida. Andamos pelo mesmo trajeto para ir ao trabalho, voltamos pelo mesmo trajeto, arrumamos a mesa da mesma forma, comemos, tomamos banho, ligamos a televisão, desligamos a televisão, conversamos conversas diárias, dormimos e acordamos. Tudo novamente, mais uma vez.
Damos corda e seguimos em frente.
até o dia que o mundo cai na nossa cabeça. Uma doença, uma separação, uma morte, perda de emprego...
O que houve?
Estava tudo em ordem?
Como foi acontecer?
O inesperado bate na nossa porta e pede licença para entrar.
Não, não é o inesperado.
É a vida que corre sem a nossa autorização.
O tempo que passa sem a nossa atenção.
As pessoas que nascem, crescem, vivem e morrem sem a nossa ligação.
Conectados a rotina esquecemos o que acontece de verdade.
Porque comecei a falar disto tudo se na verdade comecei a falar sobre os livros.
Porque os livros trazem as especiarias que são capazes de nos abrir uma nova janela.
A janela do conhecimento.
Misturado no caldeirão das nossas emoções, a cada livro lido, vamos redescobrindo nosso tempero.
Reencontramos o riso, o choro, a dúvida, a interrogação, a explicação, o misticismo, o espiritualismo, a Vida.
Enfim, nos emocionamos.
O aprendizado nos emociona porque nos mostra que é possível.
Acalmar a alma que clama pelo voo, pelo bater de asas, pela imaginação perdida.
O livro faz isto.
Nos dá a asas para voar. As vezes voos cegos. As vezes voos só no equipamento em meio a tempestades.
Todas as estações e temperaturas.
Até mesmo voamos em céu de brigadeiro, azul e limpo. Onde vemos as nuvens e sentimos a brisa boa da calma. Da calma em nossa alma que segue serena sabedora de sua rota.
Sim, podemos encontrar esta calma.
Sim, podemos encontrar esta paz dentro de nós.
Ela vai durar o tempo que permitirmos.
O farfalhar das páginas viradas liberam o doce aroma dos livros novos.Puros e intactos.
Até aquele momento aquela história estava ali adormecida esperando o despertar.
Penso nisso sempre que entro em uma livraria. Principalmente naquelas em que tem um sininho na entrada que toca toda hora em que um cliente entra.
Quem será o escolhido?
Todos os personagens se aquietam e parecem sair dos livros e ficar em cima das capas dos livros acenando para que sejam os agraciados com a nossa atenção.
Seguimos, passamos os dedos e escolhemos um. Folheamos e deixamos novamente na pilha de livros.
Aquela será uma viagem que não faremos. Não naquele momento. Talvez nunca.
E se na nossa vida fosse assim?
Um dia abrimos a nossa livraria-coração e anunciamos a nossa presença. Certamente todas as nossas emoções e pensamos vão despertar.
Talvez, liberem o aroma das lembranças guardadas, das alegrias vividas e das dores esquecidas.
Vamos correr os dedos levemente...
A viagem?
Cabe a você responder?

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Sonhando acordado

Quando pequenos imaginamos mil possibilidades para nossa vida. Vida adulta ainda é uma imagem muito distante, embaçada e da qual não queremos nenhum tipo de lembrança.
O tempo presente é aquele da infância em que pensamos que este tempo não passa.
Na verdade, nem sabemos dele. Só lembramos quando somos acordados de nossas brincadeiras, sonhos e liberdade para cumprir uma obrigação. Ir dormir. Fazer o tal de dever de casa. Dever de casa para criança deveria ser sempre brincar, correr, pintar, rir e se distrair.
Vejo hoje, várias crianças com agendas de obrigações que mais parecem compromissos de um pequeno executivo. Falta tempo. Falta tempo para não pensar. Para deixar a mente livre. Exposta.
Outras crianças não tem agendas lotadas. Não tem mais sonhos. Tem um tempo de sobrevivência.
O mundo?
Este não costuma olhar para elas.
Infância passou e sonhos foram desfeitos feito papel molhado. Os aviões, estas máquinas fantásticas, que varam o céu não decolaram.
Lembro de algumas imagens da minha infância. Uma delas era olhar para o céu azul em dia de sol an praia e ver aquele pequenos avião passando com uma faixa no ar fazendo propaganda de algum produto.
O cheiro do mar, do sal e do sol se misturavam , por um momento, tudo parava e silenciava. Restava apenas o ronco lento daquele avião. Era tão bom.Não faltava nada. Havia um breve instante de paz.
É disto que me lembro no baú da minha memória.
Houve um tempo em que ficávamos assim.
Hoje respiramos compromissos.
Eu ia escrever sobre o que nos move. Os sonhos que carregamos. Aquela inquietação que nos faz acordar com tesão pela vida.
Como um dominó que vai caindo e derrubando peça por peça, fui chamando uma lembrança após a outra e falando do tempo, da infância, da lembrança e da memória.
A conexão é clara.
Precisamos de uma memória que nos proporcione prazer e nos enriqueça como pessoa. Está faltando aquele pedaço do quebra cabeça que embora não complete o quadro nos motiva a procurar a outra peça, a outra, a outra e ir até o final.
É isto que tenho sentido com toda força nestes meus 54 anos. O tempo está passando e minhas memórias de prazer estão se perdendo. Estão se desconectando. 
Fazer algo que nos possibilite uma alegria interna não está obrigatoriamente relacionado com o trabalho ou com estudo. Pode ser algo aleatório. Pode ser simples.
Pode ser até...um avião no céu em um dia de sol na praia.
Para isto, o primeiro passo é tirar o o que nos incomoda e impede da frente.
Aquele enorme elefante de justificativas e preocupações que vão se estabelecendo na nossa rotina e da qual não nos desapegamos. Eles parecem sempre estar por ali. Andando para lá e para cá. Nos lembrando que não temos agenda, que não tempos tempo, que não temos idade, que...
Tantas barreiras que vão ganhando vida que logo esquecemos de que sonhamos algo.
Por isto voltei a escrever.
Por isto voltei a ler o que quero.
Por isto quero aprender a pintar.
por isto quero voltar a correr.
Por isto quero voltar a sonhar. Porque sonho para mim é prazer de viver.
Estar vivo e não morrer.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Você está ouvindo?

Bom dia!
Boa semana!
Ontem, na missa, a homília teve como tema o "chamado" que todos nós recebemos. O chamado feito por Jesus, tal qual havia feito aos seus discípulos, para colaborarmos com o mundo levando a palavra da esperança e de Vida.
Como já disse antes, não me prendo ao credo de cada religião e, sim, as Verdades que cada uma revela. 
Neste caso, a questão que se coloca diante de cada um de nós é: "O que cada um está fazendo para colaborar com o mundo?".
Esta indagação está presente em todas as religiões e filosofias que procuram lembrar ao Homem sobre qual é sua contribuição para o drama da Humanidade. Como cada um se coloca diante do teatro da Vida. Como protagonista? Como coadjuvante? Como espectador? Qual o seu lugar na Ágora?
As várias encenações estão se desenrolando ante os nossos olhos e nossa passividade está sendo observada. 
A chamada é sobre o nosso papel e nossa contribuição. Como diz a frase; "Uma borboleta bate asas em um ponto do mundo e em outro um furacão se forma. A sincronicidade dos tempos e movimentos nos transforma em partes indissociáveis do todo. A evolução da vida, da forma e da consciência segundo a teosofista Annie Besant que foi presidente da Sociedade Teosófica nos apresenta como em diferentes estágios e sob diferentes condições a "Centelha de Vida" que somos, busca o desenvolvimento. Sofre todas as intempéries do tempo, toda as pressões e lá. bem lá no fundo de sua consciência que es expande, vai seguindo em frente.
Ontem o padre comentou sobre algo que certamente, para nós, é uma desculpa para ficarmos parados. A espera de bons ventos e tempo bom para soltar a amarra do nosso barco e partir para o drama de viver o cotidiano em toda a sua plenitude.
Lembrando as passagens do evangelho ele diz que quando Jesus chamou seus discípulos ele não prestou atenção nas imperfeições de cada um. Ele sabia que cada um tinha uma personalidade e uma característica própria. Tinham fraquezas de temperamento.
Ainda assim, chamou e disse; "vamos em frente!".
Assim é a Vida.
Não vamos estar prontos nunca. Não na totalidade que esperamos.
Não tem uma boa hora.
O melhor momento.
A hora certa. Aquela combinação perfeita entre melhor momento, palavra correta e temperamento adequado. Aprendemos a funcionar por partes em pequenos pedaços e um de cada vez. SE nos jogamos somos classificados como impulsivos, loucos e irresponsáveis.
Se vamos fatiando as situações, indo passo a passo somos nominados de cartesianos e metódicos. Entra uma tabela e outra, não experimentamos. Deixamos de aprender com erros e tentativas. A Vida vai se apequenando e moldando até ficar do tamanho de nossas expectativas. Sempre pequenas. Sempre o suficiente para viver como costumamos dizer.
Ficam da forma e do jeito em que podemos colocar no fundo de nossas gavetas e armários.
Criamos várias delas. 
Uma enormidade. Em cada uma vamos ajeitando nossas coisas. 
O problema é que chega um momento em que falta espaço dentro e fora. As gavetas não fecham e deixam transbordar nossas "peças" de roupagem. Então, chaga a ansiedade, depressão, insônia...
Não precisa ser assim.
É fácil ser diferente?
Não.
É isto!
Não tem fórmula pronta e nem felicidade permanente. Existe mutação! Existe circunstâncias e alternâncias em nossas vidas. É conosco, com todas as nossas histórias que podemos e devemos contar.
É esta a essência da homilia de ontem a noite. Venha com o que você tem e ajude o mundo a ser um lugar melhor para todos. Não julgue e não se sinta julgado. Já certamos e já erramos. Seguir em frente é essencial e nesta jornada podemos, juntos ajudarmos muitas pessoas a seguirem em frente também.
Venha!

terça-feira, 13 de junho de 2017

O que sobra, afinal?

Somos algo muito maior do que pensamos a nosso respeito. Trazemos muito mais do que pensamos carregar. Vivemos muito mais do que entendemos que seja a vida que temos.
Não somos o centro do universo.
Somos parte dele. Uma centelha que vem vagando ao longo de muitas Vidas e muitos Mundos.
Nossa jornada começou em um tempo distante e tem longa jornada pela frente.
Tempo! Este senhor que nos desafia a compreensão. que as vezes está com tanta pressa e, por outras, parece uma eternidade. Sem falar na expressão que criamos para justificar a impossibilidade de realizar algo. Falta de tempo.
Escrevemos nossa história a partir de várias experiências que vamos moldando e que nos moldam inconscientemente.
Não sabemos bem onde a caminhada começou ou onde irá terminar. As vezes, diante dos imprevistos e desafios da Vida somos testados em nossas crenças e costumes. Nossa bússola dá defeito e as marcações cartográficas perdem o senso de direção.
Nós ficamos a deriva querendo uma tábua ou um bote para nos resgatar do oceano de inseguranças e incertezas em que fomos jogados. 

O que sobra?
O que separa a confiança, da angústia.
O desespero, da serenidade.
O choro, do riso.
Exatamente tudo aquilo que você traz na sua memória interna sobre a espiritualidade e a fé.
Existe um momento ou em todo momento em que não nos bastamos. Não é o vínculo a uma religião ou a ausência dele que fará tudo melhorar em tempos de crise.
Ao contrário.
É o que você traz dentro de si.
No sábado, eu e minha família recebemos uma enorme graça. 
Como sempre, aos domingos, fui a missa com minha esposa. Só mudei o horário. Fui pela manhã.
Ao chegar, uma senhora me perguntou se eu poderia carregar a cruz na procissão de entrada e saída.
Claro que sim, respondi.
Nada acontece por acaso.
Hoje a homilia foi sobre a Santíssima Trindade sobre como cada um de nós promove o Bem coletivo no mundo.
Fiquei ali em silêncio esperando e pensando na minha trajetória de vida.
Ao pegar a cruz e me dirigir para o meio da igreja uma enorme emoção tomou conta do meu coração e me senti abraçado por uma grande energia de luz.
Juntos lá fomos nós dois. Eu e Jesus, lentamente com ele me ajudando na caminhada.
Muitos me perguntam sobre meu credo.
Alguns acham que sou cristão, outros espírita, outros budista, outros teosofista...
Na verdade sou a soma de todos e ao mesmo tempo a de nenhum.
Procuro fazer o bem e me espiritualizar em prol do mundo.
Bebo de cada ensinamento profundo de cada religião, filosofia, ciência ou conhecimento.
Cada um traz um pedaço da Verdade!
Como se diz na Sociedade Teosófica: " Não há religião superior a Verdade".
Portanto, não procure diferença em cada credo e nem julgue quem se diz sem nenhum.
Faça o Bem!
A espiritualidade é muito mais do que Ser alguma coisa!
A Espiritualidade é muito mais sobre o que damos e oferecemos aos outros.

Namastê!
Saravá!
Axé!
Paz de Cristo!