segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Reflexões sobre a psicanálise

No feriado do dia 12/10 fui assistir ao bom filme "Hestórias de Psicanálise - Leitores de Freud com minhas duas psicólogas preferidas . Meu amor Cristina e minha enteada Bruna.
Segue o link: http://www.itaucinemas.com.br/filme/hestorias-da-psicanalise

Na cena final do filme comecei a esboçar um poema, uma poesia ou apenas uma reflexão.
Esta semana, a noite sozinho resolvi tirá-lo de minha cabeça e meu coração e colocá-lo nas páginas de meu diário pessoal. Um pequeno caderno de anotações que tenho comigo.
Segue o que escrevi:
Na cena final, a câmera vai seguindo por uma série de ruas filmando o chão que muda os desenhos de sua calçada na medida em que mudam as calçadas e os lugares.
São ruas, esquinas e cruzamentos se sucedendo. Em dado momento não sabia mais se estava seguindo pelas ruas ou sentado na cadeira do cinema.
Comecei a colocar as palavras no caderno e elas, tal qual, as ruas, foram se sucedendo e se acumulando formando frases e pensamentos.
Ruas, esquinas, caminhos e cruzamentos sem fim.
Esquinas, dobramentos e desdobramentos seguimos assim.
Nossas vidas seguem um fluxo contínuo entre cruzamentos, sinais, fechados e abertos.
Navegamos dentro de novas almas.
As vezes avançando. As vezes parando. As vezes em uma encruzilhada sem saber para onde ir.
Estacionamos.
Procuramos uma vaga para guardar nossas recordações.
Quando iremos voltar para pegá-las novamente?
Só quando reaprendermos o caminho. Ou nos perdermos de vez em outras descobertas e descaminhos.
Eu sei ,parece trânsito, ruas e esquinas.
Quadra, quarteirões e bairros.
Lugares e memórias. Bueiros.
Lugares perdidos no inconsciente.
Lembranças de por onde andamos, crescemos, vivemos e nos abandonamos.
Fomos?
Não sei. Talvez venhamos a ver. O que? Não sei. talvez, novas ruas, esquinas, dobramentos e cruzamentos. Alma não pára, vida que segue.
Andamos assim.
Quem sabe se nesta caminhada venhamos esbarrar com nós mesmos e ao pedirmos desculpas, possamos, quem sabe,
gostar mais de nós mesmos do jeito que somos e com tudo que temos.
Seja aqui ou no inconsciente. mas isto já é papo para outra caminhada.
Entre ruas, esquinas...
José Vicent Payá Neto

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Terapia pela escrita

Tem dias que nada parece engrenar. Nem o pensamento, nem o sentimento e muito menos a nossa rotina diária de casa-trabalho-casa. Existem momentos em que esta rotina ou a soma de todas as rotinas nas nossas vidas provoca pane geral. Folha em branco incapaz de gerar algo prazeroso ou, até mesmo, algo.
Folhas amassadas são a expressão do escritor sem ideias. Expressão máxima para falta de criatividade.
Confesso que tenho andado um pouco assim. A sucessão da mesmice tem sido árida e difícil de digerir. As folhas rasgadas do caderno da vida, vão se acumulando na mesa antes de irem para o lixo.
Lá pelos caminhos do inconsciente para adormecerem no porão, este canto da casa que não gostamos de abrir ou visitar com regularidade. Engraçado é que por conta disto resolvi escrever um pouco. 
Pensar cansa?
Os intelectuais dirão que o que cansa é a ignorância de não pensar.
Filosofias a parte, cansa. As pausas, longas ou curtas, são necessárias na nossa vida diária. A simetria da vida nos seus enredos diários pode enlouquecer. Por isto é bom sair da trilha de vez em quando. 
Como dizia Freud; "limpar a chaminé".
Uma certa recreação mental com direito a piquenique na praia é muito bom. Restaurador eu diria. Apenas não pensar em nada ou, não tão seriamente. Se dar o direito de rir das pequenas bobagens.
Somos muito condicionados e rapidamente adotamos uma rotina. Caminho traçado e aprendido. caminho seguido.
Temos a falsa impressão de que o conhecido e sabido nos alivia das intempéries da vida diária. Não!
Pelo contrário. Em algum instante começamos a rogar pelo novo, pelo desafiador, pela imprevisibilidade e pelo pequeno grande prazer da descoberta. Ainda que gere erro, perda ou dano. Queremos uma dose de alegria. Vem a nostalgia da infância e nos joga na cara as imagens sucessivas de quando éramos pequenos e tudo parecia uma grande aventura. A juventude e o frescor do vento, da chuva ou o silêncio solar da praia e das ondas quebrando no mar.
Abrimos os olhos.
Tudo passou. É um tempo que não volta. É um tempo que ficou.
Hora da terapia!
Hora de falar daquilo que nos incomoda, que está enrolado e enredado feito novelo de lã.
Não podemos ser o gato a enrolar mais ainda. Precisamos virar costureiros de nós mesmos. Puxar o fio e, lentamente, ir trazendo cada história que está ali, guardada a sete chaves.
Desfazer a bagunça de nossas tantas memórias.
Reaquecer nossas lembranças mais queridas e olharmos com calma o fogo arder na lareira da alma deixando queimar a madeira velha e os papéis embotados e mofados.
É hora de se deixar tocar pelas mãos leves e habilidosas dos curandeiros da alma. Deixar-nos tocar pela palavra sensível e, até mesmo, dolorosa daqueles que nos amam.
Hora de sentar, ouvir e deixar-se abraçar por você mesmo.
Hora de gostar de você mesmo.
Hora de reencontrar você mesmo.
De olhar no espelho e sorrir.
Prazer!
Te reconheço!

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Dê uma chance à Vida!


A vida é um caminhar constante que não começou agora. Esta trilha vem sendo percorrida a várias eras. O fio que sustenta esta longa caminhada são nossas escolhas. As opções que vamos construindo a cada segundo seja no pensamento, na palavra, na emoção ou na expressão física.
Assim, pouco a pouco, vamos tecendo novas redes que nem sempre nos sustentam mantendo-nos equilibrados e sempre em frente.
Um piscar de olhos e pronto a corda se rompe e nos desequilibramos podendo cair de forma profunda ou levemente. Aos poucos vamos percebendo e compreendendo que não precisamos fazer esta jornada de forma tão introspectiva e introvertida. Podemos olhar em volta e descobrir a alegria de ter alguém que nos ampare, conforte, escute e abrace.
Um abraço cala forte em nosso peito. Traz toda paz de que necessitamos. Tudo, as vezes, se resume nisto. Um abraço!
Porque? 
Porque aprendemos que temos que ser fortes.
Porque aprendemos que não podemos chorar.
Porque aprendemos que não podemos nos expor.
Porque aprendemos que não podemos falhar.
Porque aprendemos que temos que dar certo.
Porque aprendemos que não podemos sofrer.
Porque aprendemos que tudo tem que ser alegria.
Quando, na verdade, nem sempre está tudo claro, límpido, quentinho e reconfortante.
Está escuro, frio e estamos com um inexplicável desconforto.
Não sabemos sua procedência ou razão.
Hoje em dia, cada vez mais, nossa sociedade nos empurra para uma indústria da felicidade e da padronização dos sentidos. Com a chegada das Redes Sociais os espaços privados, poucos, se foram. Somos invadidos por hordas de comentários e posts nos martelando a necessidade de felicidade , bem estar e sucesso o tempo todo.
Não podemos mais acordar e dizer; "puxa, hoje não estou legal." Não! Hoje tem que ser; "Me sinto um falcão voando nas regiões mais altas do sucesso. Estou bem". Desconforto, desconforta. Principalmente àqueles que, assim, também se sentem mas que não podem se expressar.
Um grito parado no ar.
Abafado pela intolerância do nosso estilo de vida.
Este mês é a campanha contra a prevenção do suicídio. O amarelo é a cor da moda. Incrível como se percebem poucos compartilhamentos. Algo próximo do, "este problema não é comigo". Um grito parado e abafado no ar.

Falar é a melhor solução. Escutar é nossa obrigação. Para tanto precisamos começar a desacelerar nossa vida. Precisamos baixar nossas velas e deixar o barco entrar em uma certa zona de calmaria. Só assim vamos reparar nos pequenos peixes, nos corais, nas algas, no musgo, nos grandes peixes e, principalmente, nas redes. Nas redes jogadas ao mar e que aprisionam a vida sufocando-a até não mais poder.
Faça um favor a si mesmo.Fale!Grite!Pare!Abrace!Escute!Ampare!
Somos a toda Vida que existe dentro e fora de nós!

Como nós todos estamos vivos, obviamente, a vida já está em nós, portanto se temos qualquer dificuldade para saber o significado da vida, isso significa que nós não conhecemos realmente a nós mesmos, ou até mesmo que há uma distorção em nossa percepção e, portanto, nós não estamos realmente vendo o que é. Talvez essa seja a razão pela qual a reta visão ou reta percepção é o primeiro passo – de acordo com o Senhor Buddha – no Nobre Óctuplo Caminho para o Nirvana, o que significa que ninguém pode nos dizer qual é o significado da vida porque temos de vê-lo por nós mesmos. Como é dito em Cartas dos Mahatmas: “a iluminação tem de vir de dentro”. (Cartas dos Mahatmas para A.P.Sinnett. Brasília, Ed. Teosófica, 2001. v. 1. p. 134). 
De fato, conforme nossa vasta literatura, seria fácil dizer que “o propósito da vida é a evolução” e encerrar a investigação, mas como o Dr. Taimni diz sabiamente em Princípios de Trabalho da Sociedade Teosófica:  
“É natural que nos perguntemos qual poderia ser o propósito deste poderoso e infinito esquema, e os filósofos têm especulado em vão, desde tempos imemoriais, sobre o ‘porquê’ do universo. O estudante de Filosofia Esotérica compreende que o conhecimento a respeito destas questões últimas (Caracteriza o que se denomina em sânscrito comoatipraśna, ou seja, questão última além da compreensão do intelecto humano – N.A.). está além do alcance do intelecto humano e que, portanto, é inútil procurar por uma solução intelectual do ‘porquê’ da manifestação. Este Grande Mistério do universo está oculto nas profundezas da Consciência Divina e somente aqueles que podem mergulhar profundamente naquele incomensurável oceano de conhecimento podem conhecer diretamente algo deste Supremo Segredo. Mas há um aspecto deste propósito divino na manifestação que podemos ver e compreender. É que ele provê um campo para a evolução da Vida em todos os seus diferentes estágios”. (TAIMNI, I.K. Princípios de Trabalho da Sociedade Teosófica Brasília, Ed. Teosófica, 1994. p. 14). 


segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Humildade

"Sê humilde se queres atingir a sabedoria e mais ainda quando a tiveres adquirido" Helena Petrovna Blavatsky.

Ensinamento mais do que necessário para os dias atuais em que vivemos tempos de intolerância, violência, intransigência e sofrimento.
A cada dia que passa novas descobertas são realizadas pela ciência. Porém, ainda somos uma Humanidade capaz de desperdiçar diariamente alimentos que dariam conta de alimentar 800 milhões de pessoas.
Nos prendemos a julgar o próximo a partir de nossas próprias convicções sejam estas políticas, religiosas, econômicas ou sociais como observamos recentemente na discussão sobre oi uso ou não em praias francesas do burkini por mulheres muçulmanas. Colocamos "nossos valores" a frente de um possível entendimento. Nesta hora não olhamos o outro. Enxergamos apenas nossas próprias convicções.
Humildade é uma palavra simples. Sonoramente silenciosa. Para ser compreendida e vivida em cada momento como um agradecimento permanente por tudo que a vida nos dá e proporciona. Sejam as coisas boas ou as dificuldades no nosso caminho.

Não se trata de uma servilidade a fé cega e alienante como poderiam pensar algumas pessoas. Humildade é capacidade de se resignar para compreender o que nos está sendo mostrado em uma face que nem sempre nossa razão ou emoção é capaz de absorver e compreender.
Os golpes que a vida na maioria das vezes nos tira do prumo e nos deixa uma sensação de irracionalidade da vida. 
O eterno porque? Porque aconteceu comigo? Normalmente a dúvida vem quando os fatos nos tiram alguma coisa. Muitas vezes a segurança e previsibilidade. Sentimentos que criamos como maneira de viver mas que no fim, só nos desprotege.
O caminho em cada uma das vidas que vivemos e foram tantas que se passaram e haverão de passar é estreito e na maioria das oportunidades instável e cheio de surpresas.
Queremos certeza onde só podemos encontrar brumas. Queremos resultados antecipados onde só podemos encontrar infinitas possibilidades. Queremos calma onde só existe mudança.
Portanto, humildade seria uma forma silenciosa de observar, compreender e receber o que a vida nos oferece.

Assim como os mares e as marés. Os ciclos solares e lunares. As vagas de vida que vem e que vão. Tudo passa. Ainda isto passará como dizem os aforismos ocultistas. Nos cabe buscar a clareza espiritual para discernir sobre o que está acontecendo conosco, com a nossa família, com a nossa vida e com a dos outros.
As piores experiências e elas podem ocorrer a qualquer momento, nos devastam por completo como uma tsunami que arrasa nossos alicerces mais profundos.
Perdemos a fé!
Perdemos a esperança!
Desencantamos do mundo!
Ainda assim haveremos de seguir em frente! Ainda assim será necessário acordar, arrumar a bagunça. Reorganizar a vida e seguir em frente.
A vontade de ancorarmos nosso barco nas nossas tristezas e dramas será forte. Aparentemente justificável.
Ainda assim, temos de seguir em frente e deixar que a Vida entre novamente por todos os nossos poros. Será necessário deixar que a luz nos banhe com sua infinita capacidade de renovação e renascimento para que possamos descobrir em nós, o sentido "aparentemente" perdido de que viver vale muito a pena.
Não é fácil.
Viver não é fácil.
Queremos que o sopro do vento nos traga sempre conforto como o algodão que acaricia e limpa a nossa pele das impurezas da lida diária. As vezes, será a lixa dura que irá fazer o trabalho de transformação e de renascimento. Vai arrancar de nós uma dor profunda e uma incompreensão infinita da vida nos oferecendo uma nova pele ainda sensível ao toque que aos poucos irá readquirir sua textura para nos dar novamente um senso de conforto.
Que possamos em nossos corações sermos humildes e compassivos conosco nos perdoando e perdoando ao próximo. Que possamos encontrar na aparente lama dura que nos assola em um desmoronamento as trilhas e veios por onde um novo rio de esperança possa correr.
Força a todos que neste momento estão seja aqui ou em outros planos passando por algumas dificuldade.
Que os Seres de luz possam dar conforto e orientação!
Paz a todos os Seres!



quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Nossa viagem pessoal


Nossa viagem é longa.
Atravessa o tempo.
Vivemos vidas, épocas e situações as mais variadas.
O instante em que esta viagem se encerra e quando ela recomeça nos foge do controle.
Vivemos como se buscássemos este cálice.
O cálice, não da imortalidade, mas da resposta sobre quando tudo acaba.
Fim?
Recomeço?
Tempos e movimentos. Apenas palavras e indagações? Não! Na verdade, deveriam ser. Ou não.
Para que fazê-las?
Faríamos algo de diferente? Começaríamos tudo de novo como se nada tivesse valido a pena.
Uma viagem é uma viagem. Traz os bons tempos e as tempestades. Traz o dia e a noite. O sol e a chuva.
O vento e a calmaria.
Tudo a seu tempo. Que tempo?
O que vem, o que passou ou o que está escapando aos dedos desatentos de nossas mentes inquietas.
Vá!
Solte seu balão!
Deixe ele ir e vá corrigindo o rumo aos poucos. Dê pressão no ar para subir. Jogue fora uns sacos para ele ficar veloz.
Feche os olhos.
Sonhe.
Siga.
Sempre em frente!

" ...anos mais tarde, conheci alguém que estava se preparando para partir em sua primeira grande viagem. "Perto dos lugares onde você vai, não é a grande coisa, comentou ela.
Depois outra pessoa escreveu dizendo que tinha visitado "apenas" vinte países. O quê Vinte países é muita coisa. Muitos nunca vão a lugar nenhum.
Abraçar coisas novas muitas vezes nos obriga a encarar nossos medos, por mais triviais que eles possam parecer. Lidar com o medo não é fingir que ele não existe, mas se recursar a deixar que ele controle as suas decisões. Quando você se arrisca em novos territórios pela primeira vez, isto sim é uma grande coisa". Citação do livro "A felicidade da busca" - jornadas que transformam nossas vidas" de Chris Guillebeau.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Acolhida

Como você está escutando e acolhendo a palavra do Senhor? Este foi o tema da missa de hoje. Acolhida. Como acolhemos em nossa casa a palavra?
Independente de sua religião, filosofia, crença ou descrença esta é uma bela reflexão interna.
Como estamos disponíveis, se é que estamos, para acolher ao próximo.
São tantas as distrações e tantas as angústias da vida moderna que nos esquecemos daquilo que nos é mais caro.
A serenidade espiritual para acolher os bons ensinamentos e seguir em frente procuranfo fazer o melhor pelo próximo e pela Vida tornando-a mais pura, limpa e cheia de significados.
Acolher a palavra é estar aberto ao bom ensinamento. Tenha certeza, de que ele vem. Vem cheio de luz e força para nos manter de pé.
Muitas vezes em meio a tantas amarguras queremos apenas a solução que nos prive da dor.
Nem sempre é fácil. Viver não é fácil.
Porém, é possível!
A Vida é uma dádiva!
Estar encarnado é um merecimento. Uma oportunidade de seguir em frente fortalecido pela boa prática.
Que possamos manter nossa porta aberta àqueles que nos trazem luz.
Que possamos compreender a sua presença e distinguir o joio do trigo.


segunda-feira, 4 de julho de 2016

Oração da Jornada Mundial da Juventude - Cracóvia 2016

Deus, Pai misericordioso, / que revelastes Vosso amor em Vosso Filho Jesus Cristo/e, no Espírito Santo, Consolador, o derramastes sobre nós,/a Vós confiamos o futuro do mundo e de toda a humanidade. / De maneira especial a Vós confiamos os jovens / de todos os idiomas, povos e nações. / Guia-os e protegei-os nos complicados caminhos de hoje. / Dai-lhes a graça de poder colher abundantes frutos a partir da experiência da Jornada Mundial da Juventude de Cracóvia. / Pai Celeste, fazei-nos testemunhas da Vossa misericórdia. / Ensinai-nos a levar a fé aos que duvidam, a esperança aos desanimados, /o amor aos indiferentes, o perdão a quem faz mal / e alegria aos infelizes. / Fazei com que a centelha do amor misericordioso/ que acendestes dentro de nós se converta em chama que transforma os corações / e renova a face da Terra. / Maria, Mãe de Misericórdia, rogai por nós. / São João Paulo II rogai por nós.



sexta-feira, 24 de junho de 2016

Pelas Portas de Ouro - Mabel Collins - A Lição

"Nenhum homem pode julgar a outro senão na medida do seu próprio discernimento; não prejudiques as tuas próprias possibilidades de desenvolvimento, condenando em outros a possessão de faculdades que não conheces.
O pensamento se lança com maior rapidez que o fluido elétrico; cada aspiração resplandescente relampagueia e chama a atenção do Mestre distante, que sempre vela.
"Confia ao Senhor tua carga", confia no Ser Superior. Usa do corpo como de um meio para dar maior força à conexão com o espírito e para abrir caminho às suas descidas.
Mata a ambição; é um inimigo mortal e covarde, cujo poder sobre ti se acha aumentado pela provação dos demais.
É Carma quem te manda a este mundo, ao qual chegas só, no qual te deixa só e do qual tirar-te sozinho. A Lei de Carma é a lei da conservação da energia, tanto nos planos mortais como nos espirituais da natureza.
O corpo é o retrato da mente. O artista ao contemplar suas discordâncias, deplora seu fracasso mas não sabe como remediá-lo. Isto é incumbência do espírito e uma vez isto verificado, fica no exterior um reflexo verdadeiro da Alma interna.
O mané que alimenta o espírito, se oculta à vista. O Espírito Universal o proporciona".

Pelas Portas de Ouro - Mabel Collins - A Lição

"Que é um Mahatma? É seu corpo físico? Não: pois tem que parecer mais ou menos depressa, se bem que pode ser conservado durante um período que para nós resulta larguíssimo. Um Mahatma é aquele que vive em sua individualidade mais elevada. E para O conhecer verdadeiramente deve-o ser por meio da individualidade na qual Ele permanece.
O saber aumente em proporção ao uso que fazemos dele mesmo; quanto mais ensinamos, tanto mais aprendemos. Portanto, busca a Verdade com a fé de uma criança e com a Vontade de um Iniciado e dá parte que possui àquele que não possui a necessária para o seu consolo durante a jornada. Um mero sussurro do mistério divino que chegue aos ouvidos de um caminhante exausto, borra em ti as manchas de muitas más ações cometidas durante tuas emigrações através da matéria.
Jamais a filosofia pode ser aprendida por meio de fenômenos. Trata de aniquilar o desejo pelos mesmos. A todos os estudantes de Ocultismo que existem no mundo lhes têm advertido seus Mestres que é um hábito que, satisfazendo-o, se desenvolve. Vale mais abandonar o estudo do que cair nos perigos da magia negra.

Que é o sentimento do Eu mesmo? Um hóspede passageiro, somente e tudo quanto com ele se relaciona à maneira do espelhismo do grande deserto. O homem é vítima daquilo que o rodeia enquanto vive na atmosfera da sociedade. Pode o Mahatma desejar favorecer-nos todo o possível e, entretanto, ser impotente para isso. A vontade do neófito  tem que ser também o imã que unicamente deve chamar a atenção do Mahatma. Segue suas atrações à maneira da agulha com seus arcano à presença de um Adepto; a mera consideração entusiástica não produz nenhum efeito.
As almas débeis se contentam com meros desejos; as grandes possuem vontades.
Em cada homem permanecem ocultos os germes de faculdades que jamais se desenvolverão na terra e que não têm referência alguma com este plano de conhecimento.

terça-feira, 21 de junho de 2016

Pelas Portas de Ouro - Mabel Collins - A Lição!

"O discípulo vai ao Mestre sem condições. Vai, porém, para não voltar. Para ele são dispensadas as ilusões da matéria e daí é um estrangeiro no mundo das ações, mesmo quando nele deva viver de novo.
Flamígero é o crisol da prova e grande é o perigo quando o neófito alcançou os "estados de exaltação", A cada um dos passos que dá, aguardam-no à espreita os inimigos do espírito, para destruir a soberania e rechaça-lo outra vez ao plano da matéria. Estes inimigos vivem na matéria e estão persuadidos de que sua existência permanece confinada nela; daí sua decisão em manter a matéria apartada do conhecimento do espírito. Sua segurança depende das trevas e do pecado, pois são filhos destas condições e cessarão de existir quando a lâmpada que arde no interior lance sua luz sobre o mundo.
As tentações obstruem o caminho daqueles que pedem muito, sem merecer nem sequer um pouco. Logo que o estudante se põe em contato com o oculto, encontra-se no umbral com os demônios que nele vagam; os demônios da concupiscência, da inconstância, da desconfiança e da covardia.

Deve o estudante encontrar em suas próprias intuições todas as provas necessárias para demonstrar a existência dos Mestres de Sabedoria nesta terra. Atrás do biombo dos sentidos repousa a alma do homem, fator insondável do universo , tão desconhecido para seu possuidor como para os que o observam. É a intuição seu único meio de comunicação e a linguagem da mesma é compreendida unicamente por aquele que possui os conhecimentos arcanos ou ocultismo.
Logo que o Mestre iniciou o seu discípulo, põe o selo do mistico sobre seus lábios e ainda os cerra para evitar o perigo da debilidade ou da indiscrição.

É o sentimento do isolamento pessoal o que causa a morte; a genuína filantropia põe o indivíduo em relação com o Espírito Divino e lhe concede assim a vida eterna. Sendo o Espírito Divino onipenetrante, todos aqueles que por si mesmo relacionados com outras entidades que gozam das mesmas relações.
Daí é que os Mahatmas permanecem em relação magnética e constante com todos aqueles que lograram libertar-se da natureza animal inferior. por este meio é com os Mahatmas têm que ser conhecidos ante tudo.
Até que o Mestre diga que vás a Ele, permanece com a humanidade e trabalha do modo mais altruístico em prol do seu progresso e adiantamento. Isto só pode ser causa da satisfação verdadeira".



segunda-feira, 20 de junho de 2016

Pelas Portas de Ouro - Mabel Collins

" A regra do Mahatma é aproximar-se a cada um, em cujo interior brilha, embora com o mais débil fulgor, o mais rápido vislumbre da verdade, com nossos pensamentos e ações e durante a noite, com as lutas da nossa alma.

A história do nosso desejo pelo desenvolvimento espiritual a escrevemos durante o dia, com cada uma de nossas aspirações da verdade, com nossos pensamentos e ações e, durante  a noite, com as lutas da nossa alma.

Nas páginas do livro do Carma, escritos estão, até em seus detalhes mais insignificantes, nossos esforços individuais; quando a débil vontade seja já suficientemente enérgica para impedir mais renascimentos neste mundo, no qual o espírito vive sonhando, encontraremos na Existência Real, todos os capítulos que tenhamos escrito durante todas as nossas transições. Então, unicamente seremos capazes de ler o livro inteiro, desde o princípio até o fim e poderemos conhecer a natureza da longa jornada desde o espírito à matéria, para voltar de novo ao todo.

O conflito da intuição contra a inteligência tem coberto a humanidade com as ruínas da desesperação. Jamais se renderá o homem a consentir ser o veículo permanente de nenhuma classe de ideias, a não ser que satisfaçam, por completo à totalidade da sua natureza; a união, tão só, da inteligência e da intuição, terminará o conflito.

Colhe o que puderes dos ensinamentos e, ao desenvolver a devoção, mantém, diante de ti, teu próprio exemplo".



O Mestre

Livro: Pelas Portas de Ouro
Autora: Mabel Collins

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Pelas Portas de Ouro - Mabel Collins

Terminando mais uma leitura teosófica maravilhosa. O Livro Pelas Portas de Ouro de Mabel Collins nos toca o coração e a nossa espiritualidade mais profunda.
Aquela que por vezes fica esquecida dentro de nós sufocada pela rotina diária e pelos desafios materiais do mundo físico. Aos poucos na queda na matéria vamos perdendo este vínculo com nossa realeza espiritual, nossa origem divina e cheia de luz. 
A lembrança do Logos Solar fica em algum canto de nossa mente como uma memória afetiva distante. Quando nos deparamos, nunca por acaso, com uma leitura espiritual como esta, somos tomados por completo por seus ensinamentos espirituais de enorme valia na trilha que todos devemos traçar em direção ao Logos Solar ainda que leve muitas vidas.
O livro resgata os valores necessários e as ferramentas que devemos colocar em nossas mochilas. Aprender a ver e ouvir com os sentidos internos são algumas delas.
Humildade no aprendizado, a principal. Boa leitura!

Resumo:

"A autora já é muito conhecida pelas várias e importantes obras que produziu sobre misticismo e ocultismo. Delas cumpre destacar Luz no Caminho, que é uma das mais citadas pelas autoridades de diferentes escolas filosóficas e religiosas ocidentais e orientais.
Pelas PORTAS DE OURO, do mesmo gênero, mostra os passos que cada peregrino tem de dar em sua longa jornada evolucionária para transpor os portais que o conduzem à meta final que é a conquista e posse da fonte inesgotável de felicidade que se oculta no íntimo de seu próprio ser. E nessa jornada não faltarão mãos amigas para ajudá-lo nos momentos precisos.
Em linguagem bem acessível, rica de exemplos e ilustrações, a autora põe a matéria ao alcance de toda inteligência, para suas reflexões e orientações prática na vida cotidiana.

"Oculta e escondida no coração do mundo e no coração do homem está  aluz que pode iluminar toda a vida, o futuro e o passado. Não devemos, por acaso, ir em sua busca? Seguramente alguns devem fazê-lo e então, talvez, estes adicionarão o que falta a este pobre pensamento fragmentário".

Livro: Pelas portas de ouro
Autor: Mabel Collins
Editora Pensamento

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Rubem Alves - final

Com base nos meus conhecimentos híbridos de psicanálise e magia, meu diagnóstico é o seguinte: você sofre de uma possessão demoníaca intermitente. Imagino seu sorriso de incredulidade ao ler isto.

Como é possível que um homem como Rubem Alves ainda acredite em demônios? Demônios são fantasias do imaginário religioso...
De fato, demônios são fantasias do imaginário religioso. As religiões os pintaram como seres repulsivos, com cara de bode, chifres na cabeça, peludos, com rabo, masculinos, genitais em forquilha para penetrar dois orifícios ao mesmo tempo e especialistas em soltar ventilações sulfúricas malcheirosas pelas ventas e partes inferiores. Invisíveis, vagam pelos espaços vazios à procura de ninhos onde botar seus ovos.

Escolhida a vítima, eles se aproximam e por meio de truques sedutores tentam entrar na casa onde desejam se aninhar. Se o dono da casa é bobo e acredita na conversa deles, entram , tomam posse do espaço e não entram, tomam posse do espaço e não saem pacificamente.

Você já deve ter ouvido falar: " Ele ficou fora de si". Se ficou fora de si, quem é que ficou dentro de si? Só pode ser um Outro que não ele. Então, naquele momento, o corpo já não é posse dele. Está sob controle de um Outro, que faz coisas que ele jamais faria.

Nos tribunais se usa falar em " privação dos sentidos" para se referir ao ficar "fora de si", enquanto "um outro" fica dentro de si. Isso quer dizer que a própria linguagem dos juízes e advogados reconhece como real essa situação em que o corpo fica possuído por uma entidade estranha. Assim, se o meu corpo cometeu um crime sob a condição de "privação de sentidos", isto é, enquanto estava possuído por um estranho, eu não cometi. Não sou culpado, não posso ser condenado.

Não descarte os demônios com seu sorriso zombeteiro. Pode ser que o nome e as imagens não sirvam mais. Mas a "coisa" continua a existir com outros nomes. É como um vírus de computador - ele entra sem permissão e faz a maior confusão. Pois assim são os demônios...

Vírus, demônios, dois nomes diferentes para a mesma coisa. Com uma diferença: é mais fácil se livrar dos vírus que dos demônios.

Livro: Sobre demônios e pecados
Autor: Rubem Alves

terça-feira, 14 de junho de 2016

Rubem Alves - Continuação

Sua descrição da metamorfose pela qual você passa me fez lembrar aquele personagem de um seriado, o Hulk. Normalmente homem simpático e franzino, de repente, quando provocado, ele se transformava num outro, um gigante. Ninguém diria que se tratava da mesma pessoa. Os olhos ficavam estranhos, vidrados, o corpo inchava com músculos descomunais, a pele verdejava, as roupas se rasgavam e ele ficava possuído por uma força e uma fúria incontroláveis. Ainda bem que não é isso que acontece com você, pois, se fosse, sua despesa com o alfaiate seria enorme...


Tudo acontece repentinamente. O conselho de contar até dez não serve para nada. Antes de começar a contagem você está possuído. Tudo em você fica diferente, e os outros o olham com espanto. Mas esse Outro em que você se transformou nem liga. Não há palavra que o segure. É como se fosse uma ejaculação de fúria. Aí, passado o surto, o Outro deixa a cena. Some. E você volta, coberto de vergonha, para o corpo onde o Outro o havia expulsado. É hora de tentar consertar os estragos.
Você sabe pedir desculpas. Isso é uma virtude. Mas também sabe que há coisas que não podem ser consertadas. pode ser que a pessoa magoada pelo Hulk o desculpe, mas é impossível que ela se esqueça do que viu. Ela viu o Outro que mora em você e de que ninguém gosta. Nem mesmo você.
Seu horror é triplo. Primeiro, o horror por aquilo que o Outro, com a sua cara faz.

Segundo, o horror de que os outros o tenham visto daquele jeito monstruoso. Você deve conhecer um brinquedinho, não sei o nome em português. Em inglês é jack-in-the-box. É um cubo de metal com uma manivela. O cubo metálico é bonitinho por fora. Aí, a gente vai rodando a manivela e, de repente, a tampa se abre e de dentro do cubo salta uma cabeça grotesca que nos dá um susto. Vendo o cubo fechado, ninguém suspeitaria da cabeça assustadora que está dentro dele. Pois você é parecido com o jack-in-the-box. Todo mundo fica com medo de rodar a manivela.
Terceiro, o simples horror de que more em você um hóspede desconhecido que está além do seu controle racional. Se conselhos racionais valessem alguma coisa, eu lhes daria vários, e até poderia escrever um livro de autoajuda sobre o assunto. Mas, quando o hóspede desconhecido entra em cena, já é tarde demais para fazer qualquer coisa. Até mesmo os anjos da guarda fogem...

Continua em outro post.

Livro: Sobre demônios e pecados
Autor: Rubem Alves

terça-feira, 7 de junho de 2016

O Plano Divino

Uma das ideias mais inspiradoras e iluminadoras que a Filosofia Oculta deu ao mundo moderno é aquela da operação de um Grande Plano por detrás dos fenômenos, aparentemente caóticos e sem propósito, que estão eternamente ocorrendo nas diferentes partes do universo. Ninguém que observe o trabalho da Natureza, mesmo que ocasionalmente, pode razoavelmente duvidar que haja alguma espécie de Inteligência operando por detrás dos fenômenos naturais. Mas há uma grande distância entre esta crença vaga e geral, e a concepção definida de que tudo na manifestação, desde um sistema solar até um grão de poeira, é governado pela Lei e é parte de um Grande Plano, que está gradualmente se desenvolvendo no universo, em suas diferentes partes e em diferentes épocas.
A ciência está interessada somente na investigação destes fenômenos naturais e não está preocupada em saber se há ou não um plano por detrás deles. A filosofia apenas pergunta se existe um tal plano. Mas o Ocultismo sabe e afirma, fundamentado no conhecimento direto, que há um Plano por detrás de todo o universo manifestado, e que cada unidade neste vasto esquema, seja grande ou pequena, está executando uma parte deste Plano. Assim como na execução do projeto de um grande edifício o esquema total pode ser dividido em projetos menores com muitas ramificações, cada unidade realizando sua parte em coordenação com as outras, assim também o Divino Arquiteto usa todo o universo manifestado para a execução do Seu Plano, dividindo. Seu trabalho entre sistemas solares e planetas que aparecem em diferentes regiões do espaço no correr da vastidão do tempo. Cada unidade neste estupendo esquema preocupa-se somente com a tarefa que lhe compete, embora ela esteja intimamente relacionada com a totalidade do esquema e nele se encaixe de uma maneira perfeita.

É natural que nos perguntemos qual poderia ser o propósito deste poderoso e infinito esquema, e os filósofos têm especulado em vão, desde tempos imemoriais, sobre o “porquê” do universo. O estudante de Filosofia Esotérica compreende que o conhecimento a respeito destas questões últimas está além do alcance do intelecto humano e que, portanto, é inútil procurar por uma solução intelectual do “porquê” da manifestação. Este Grande Mistério do universo está oculto nas profundezas da Consciência Divina e somente aqueles que podem mergulhar profundamente naquele incomensurável oceano de conhecimento podem conhecer diretamente algo deste Supremo Segredo.
Mas há um aspecto deste propósito divino na manifestação que podemos ver e compreender. É que ele provê um campo para a evolução da Vida em todos os seus diferentes estágios. A investigação oculta tem mostrado, definitivamente, que nosso sistema solar é um vasto teatro no qual a Vida está evoluindo em suas miríades de formas e elevando-se, através de diferentes estágios, às alturas de esplendor divino, o qual não tem limites e está completamente além da imaginação humana. Este aspecto do Plano o qual podemos alcançar intelectualmente, e cuja apresentação ao mundo é uma das principais preocupações da Sociedade Teosófica, dá um novo sentido à vida e transforma a história natural e humana, de um panorama sem propósito de mudanças biológicas e sociológicas, num vasto desfile no qual vemos marchando firmemente para a meta a nós destinada. Ninguém que realmente tenha compreendido o significado desta concepção pode deixar de empenhar-se de todo o coração no fascinante trabalho que torna possível a realização deste esquema evolutivo.
Como este Plano Divino, que vemos operando na evolução da vida e da forma em toda a parte, não é uma mera crença piedosa ou uma especulação filosófica mas, na realidade, é como o funcionamento de uma fábrica moderna, ele naturalmente requer os serviços de um vasto exército de agentes que são responsáveis pelo funcionamento de suas diversas partes e por sua conclusão bem sucedida. Estes agentes são as hierarquias de Anjos e Adeptos que desde os planos mais sutis guiam as forças da Natureza e realizam as mudanças e ajustes nas instituições humanas que são necessárias à operação eficiente e harmoniosa do Plano.
Uma destas hierarquias atuando em nossa Terra é a Grande Fraternidade Branca, a qual consiste de Super-homens que atingiram a Libertação mas permanecem em contato com a nossa humanidade, para levar adiante o trabalho relacionado ao esquema evolutivo. Todos estes Adeptos, que preferem ser chamados de nossos Irmãos Mais Velhos, ainda que estejam incomensuravelmente acima de nós, não possuem as mesmas características ou capacidades, nem estão fazendo a mesma espécie de trabalho. Eles desenvolveram-se por diferentes linhas e têm diferentes partes do Plano para realizar. Mas como a mais estreita união de consciência e uma sabedoria consumada caracteriza a todos Eles, o estupendo trabalho de guiar e controlar a evolução humana prossegue harmoniosa e eficientemente à medida que as raças vão se sucedendo e as eras passam umas após as outras.
Como os membros desta Hierarquia Oculta constituem o governo interno do mundo e são responsáveis pela evolução ordenada de toda a vida neste planeta, Deles partem os vários movimentos que gradualmente vão mudando as condições no mundo, de acordo com os requisitos do Plano; por Eles são guiadas a ascensão e a queda das civilizações, o desenvolvimento de raças e sub-raças, à medida que estas se sucedem uma após a outra no palco do mundo e provêm as múltiplas condições para a evolução da humanidade. O crescimento desses vários movimentos em diferentes partes do mundo e sua reunião para o conflito ou para a fusão harmônica, vistos do exterior, parecem ser produtos de mero acaso nas mudanças sociais e políticas, mas, vistos com a visão interna, este panorama que o Tempo nos apresenta nada mais é do que o desdobramento do Plano Divino em nossa Terra, guiado e controlado por seus agentes invisíveis por trás do véu dos acontecimentos.
A Sociedade Teosófica é um destes movimentos, lançada no mundo por alguns membros da Fraternidade Branca com um propósito definido. Não podemos pretender conhecer ou compreender qual é este propósito em sua totalidade mas, pelo que nos foi revelado, está claro que este movimento tem, no momento atual, pelo menos três funções bem definidas, ainda que não especificadas. Estas podem ser assim apresentadas:
1. Dar à humanidade certas verdades mais profundas da vida, que são necessárias para o próximo passo na evolução humana.
2. Instilar certos princípios diretivos universais nas mentes das pessoas em geral, tais como o da Fraternidade, de modo que possa se tomar factível o advento de uma ordem mundial melhor.
3. Prover agentes no mundo exterior que compreendam o Plano de modo geral, podendo assim, conscientemente cooperar com os Irmãos Mais Velhos no trabalho que Eles estão executando para o melhoramento da raça humana.


Deste modo, vemos que a fundação da Sociedade Teosófica é parte de um movimento definido para erguer um canto do véu que, até agora, vinha ocultando da humanidade os mistérios mais profundos da vida e Aqueles que possuem as chaves destes mistérios. Provavelmente, chegou o tempo de dar à humanidade uma oportunidade de cooperar diretamente com seus Irmãos Mais Velhos que, desconhecidos e não reconhecidos, têm por eras guiado a humanidade, educando-a e trazendo-a ao presente estágio da evolução. Mas esta cooperação pode tomar-se uma realidade definida e uma força na direção do progresso somente quando as verdades da Filosofia Esotérica permearem o pensamento mundial e realizarem as mudanças fundamentais necessárias na vida e nos pontos de vista do homem médio. No presente momento, no mundo, a Sociedade Teosófica é um pequeno núcleo de tais homens, que estão tentando compreender estas verdades e preparando-se, consciente ou inconscientemente, para este trabalho em conjunto com seus Irmãos Mais Velhos, agora e no futuro. Assim que este núcleo cresça e a maior influência da Sociedade Teosófica trouxer condições mais favoráveis ao mundo para a aceitação destas verdades, pode-se esperar que os Irmãos Mais Velhos darão uma direção mais direta nos assuntos do mundo, tomando-se assim possível para nós avançar mais rápida e facilmente para a meta a nós destinada.
Assim vemos que a Sociedade Teosófica não é exatamente como as outras sociedades espalhadas pelo mundo afora, nas quais um grupo de pessoas se associam e trabalham em conjunto para atingir um objetivo definido. Como outras sociedades, ela também tem um trabalho definido a fazer no mundo, isto é, o estudo e a disseminação de verdades concernentes aos problemas mais profundos da vida. Mas ela tem outra função muito mais importante, e esta é a de servir como um agente direto no trabalho dos Irmãos Mais Velhos para a reforma e regeneração do mundo.
Esta última função da Sociedade Teosófica é muito importante e deveria ser perfeitamente compreendida por todo membro que queira tomar parte ativa em seu trabalho. Pode haver alguns membros em nossa Sociedade que preferem pensar nela como uma mera associação para o estudo e disseminação de certas ideias, que não aceitam este ponto de vista de sua ligação com os Irmãos Mais Velhos, e que podem mesmo nem acreditar na existência de tais seres. Tais pessoas têm direito a ter os seus pontos de vista pessoais e elas podem ser membros muito úteis da Sociedade. Mas a grande maioria de seus membros tem convicção definida, baseada em fatos bem comprovados, de que a Sociedade Teosófica não é um mero corpo acadêmico, mas um instrumento direto dos Irmãos Mais Velhos através do qual esperam realizar mudanças definidas no mundo, com o conhecimento e a cooperação de seus membros.

Esse fato, da ligação vital da Sociedade com Aqueles que são os verdadeiros guias da humanidade, confere uma dignidade especial ao nosso trabalho, tangenciando quase o sagrado, e dá à maioria de seus membros ativos aquela inspiração e entusiasmo que são tão necessários numa tarefa desta natureza. Isso os habilita a permanecer firmes e imperturbáveis nas crises periódicas que ocorrem na Sociedade e às vezes abalam-na até suas fundações. Eles sentem, em tais ocasiões, que sua lealdade aos Grandes Seres e aos princípios universais que Eles corporificam, transcende quaisquer diferenças que possam surgir com relação aos métodos de trabalho e, portanto, aconteça o que acontecer, não desertam do trabalho da grande causa que a Sociedade representa. O vasto Plano lá está, e cada membro pode planejar seu próprio trabalho cuidadosamente, e executá-lo da melhor maneira que lhe seja possível, sabendo que quaisquer que sejam suas limitações, ele de algum modo será usado no trabalho muito maior que os Irmãos Mais Velhos estão executando, incessantemente, para o soerguimento da humanidade.
FONTE:
      TAIMNI, I. K. Principios de trabalho da Sociedade Teosófica. Trad. Milton Lavrador, Rev. Marina Vollares Len

Tempo

Tudo que precisamos em alguns momentos da nossa vida diante do corre corre torrencial de prazos, trabalho, casa, filhos, estudos e afins é uma boa parada.
Parar mesmo.Literalmente! 
Esquecer quaisquer consequências do nosso gesto e simplesmente parar.
Nem toda velocidade que nos impomos é necessária. Na maioria das vezes é apenas a repetição do que nos ensinaram, uma forma de fugirmos de nós mesmos ou apenas uma encenação de importância duvidosa já que nos trará sérias e desagradáveis consequências. A pior delas é não perceber que o tempo passou e qual o tempo que ocupamos dentro do tempo passado e corrido.
Vamos modelando uma forma de ser e de estar.
Sempre em trânsito entre estações, esquinas, ruas e becos.
Por vezes, sem saída.

Não vai adiantar termos nossa mala 007, nossos papéis, computadores e smartphone. Neste momento, seremos só nós mesmos com nossas escolhas. Corridas, esbaforidas e apressadas. Afinal, tempo é dinheiro. Rapidez é eficiência. Ousadia é maturidade. Trabalho é ...
Muro na cara quando perdemos uma pessoa próxima, quando adoecemos, quando uma paixão acaba, quando perdemos nosso emprego, quando vemos que nossos filhos cresceram, quando as horas diminuem sua pressa e nos mostram que algo passou. Ficou. Não foi conosco,

E aí?
Como é que vai ser agora?
Na hora que já é aurora e o tempo passou.
Vai querer quebrar o relógio e sue tique taque incessante?
Parra faz bem.
Parando, serenamos.
Serenando, acalmamos.
Acalmando, escutamos.
Escutando, vemos.
Vendo, notamos.
Notando, percebemos.


Que portas se abrem!
Quebre seus muros e salte do tempo que passa querendo te pegar.
Tempo é também tempo de ficar e de estar.
Na sua sempre preciosa companhia!
Namastê!

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Um pouco de Rubem Alves

A Possessão Demoníaca

Sabendo que em épocas passadas pratiquei a piscanálise, você pediu que eu fizesse o diagnóstico de uma perturbação que o aflige de tempos em tempos.
Li a descrição de seus sintomas com a maior atenção. Você é uma pessoa educada, profissional competente, maduro, generoso, respeitado. Mas, repentinamente, por causa de um pequeno incidente, passa por uma súbita metamorfose. Você deixa de ser o que normalmente é e passa a ser um outro, o Mr.Hyde monstruoso da novela de Robert Louis Stevenson, The Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde, publicada em português com o título O médico e o monstro.

Para início de conversa, devo informá-lo de que  a psicanálise é um tipo de feitiçaria,e , a se acreditar na opinião de William R. Fairbairn, psicanalista que todo mundo respeita, a função do terapeuta é exorcizar demônios. O paciente, então, é alguém que está  possuído por um poder estranho. O que varia não é a doença, mas a intensidade da febre.
Casos como o seu não são raros e ocupam um lugar destacado na literatura. Há de se levantar a hipótese de que todo mundo é louco por dentro. O que não é de todo mau, tanto assim que Fernando Pessoa dava graças a Deus por ser louco. Loucura e criatividade moram em quartos vizinhos...
Nos tempos em que eu era feiticeiro, estava atendendo uma paciente que disse:
- É eu tenho ideia fraca...
Em tom de brincadeira, interferi:
- Ato lá! Nesta sala somente eu tenho ideias fracas...
Ela ficou espantada e não entendeu. Aí expliquei:
- Eu penso as mesmas loucuras que você pensa...
Levantei-me e a chamei para ver o quadro de Hierondymus Bosch O jardim das delícias. É uma loucura completa. De onde Bosh tirou  aquelas imagens e cenas medonhas? De dentro da própria cabeça. Quer dizer: a cabeça de Bosch era um hospício, morada de loucuras. Mas ele não era louco. Era um artista, pintor. Ele não era louco porque suas ideias eram "fracas"> Ele sabia que não eram verdade. Não eram coisas. Eram criações de sua imaginação. Só existiam na cabeça dele. Agora, se ele pensasse que aquelas imagens e cenas eram realidade, seria um louco varrido. Seu lugar seria o hospício. Em vez disso, seu lugar é o Museu do Prado.


- Eu penso as mesmas coisas estranhas que você - continuei - Mas sei que são só pensamentos, nuvens brancas levadas por uma brisa. Eu mando neles. E com eles faço literatura. Mas seus pensamentos são fortes. as nuvens brancas se transformam em nuvens negras, e chove, com trovões e relâmpagos, e você fica toda molhada. Você não é dona deles. Eles mandam em você. Você fica "possuída" por eles...

* O Jardim das Delícias Terrenas é um tríptico de Hieronymus Bosch, que descreve a história do Mundo a partir da criação, apresentando o paraíso terrestre e o Inferno nas asas laterais. Ao centro aparece um Bosch que celebra os prazeres da carne, com participantes desinibidos, sem sentimento de culpa. A obra expõe ainda símbolos e atividades sexuais com vividez. Especula-se sobre seus financiadores, que poderiam ser adeptos do amor livre, já que parece improvável que alguma igreja tradicional a tenha encomendado.
Ligada à "utopia" por um lado, mas representando o lugar da vida humana por outro, Bosch revela uma atualidade do seu tempo, dado que essa vida está entre o paraíso e o inferno como se conta no Génesis. O tríptico, quando fechado, tem uma citação transcrita desse livro "Ele mesmo ordenou e tudo foi criado". Entre o bem e o mal está o pecado, preposição cristã. No jardim, painel central, estão representações da luxúria, mensagem de fragilidade nas envolvências do vidro e das flores, refletem um carácter efémero da vida, passagem etérea do gozo, do prazer.
Enquanto "utopia", porque transcreve de modo imaginário na imagem um "real", que mais se aproxima do surreal, e representa, mesmo que toda a sociedade e a cultura ocidental esteja marcada por essa estrutura, uma história “utópica” do seu tempo. Entre um “bem” e um “mal” está a vida e o pecado, de certo foi aplicado, mas no início seria apenas uma projeção.

Trítico fechado

O trítico fechado: A Criação do mundo,óleo sobre tábua, 220 x 195 cm.
quadro fechado na sua parte exterior alude ao terceiro dia da criação do mundo. Representa um globo terráqueo, com a Terra dentro de uma esfera transparente, símbolo, segundo Tolnay, da fragilidade do universo. Há apenas formas vegetais e minerais, não há animais nem pessoas. Está pintado em tons grises, branco e preto, o que se corresponde a um mundo sem o Sol nem a Lua embora também seja uma forma de conseguir um dramático contraste com o colorido interior, entre um mundo antes do homem e outro povoado por infinidade de seres (Belting.[1]
Tradicionalmente, a imagem que amostra o trítico fechado interpretou-se como o terceiro dia da criação. O número três era considerado um número completo, perfeito, já que em si mesmo encerra o princípio e o fim. E aqui, ao se fechar, transforma-se, no número um, no círculo: de novo nos permite vislumbrar a perfeição absoluta e, talvez, a trindade divina. No canto superior esquerdo aparece uma pequena imagem de Deus, com uma tiara e a Bíblia sobre os joelhos. Na parte superior pode-se ler a frase, extraída do salmo 33, IPSE DIXIT ET FACTA S(OU)NT / IPSE MAN(N)DAVIT ET CREATA S(OU)NT, que significa "Ele o diz, e todo foi feito. Ele o mandou, e tudo foi criado". Outros interpretam que pudera representar a Terra após o dilúvio.

Trítico aberto

Ao abrir-se, o trítico apresenta, no painel esquerdo, uma imagem do paraíso onde se representa o último dia da criação, com Eva e Adão, e no painel central representa a loucura solta: a luxúria. Nesta tábua central aparece o ato sexual e é onde se descobrem todos os prazeres carnais, que são a prova de que o homem perdera a graça. Por último temos a tábua da direita onde se representa a condena no inferno; nela o pintor amostra um palco apoteótico e cruel, no qual o ser humano é condenado pelo seu pecado.
A estrutura da obra, em si, também conta com um enquadre simbólico: ao abrir-se, realmente fecha-se simbolicamente, porque no seu conteúdo está o princípio e o fim humano. O princípio na primeira tábua, que representa o Gênesis e o Paraíso, e o fim na terceira, que representa o Inferno.
* Fonte: Wikipédia
Continua no próximo post. 

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Vamos conversar sobre depressão? Vejam este filme!

https://www.youtube.com/watch?v=dFKsN9J0hTM

Entre dois mundos

Estou lendo no momento, entre outros títulos, este livro espiritualista. Excelente e apaixonante leitura. Segue abaixo a resenha escrita pela Editora Pensamento.

"A leitura deste livro é empolgante e muito instrutiva. Trata-se do relato autobiográfico de Arthur Guirdham, médico psiquiatra cujo conhecimento de si e das pessoas que o rodeavam passou por uma grande renovação tão logo pôde descobrir que as doenças que o afligiam e que vinham sendo tratadas pela psiquiatria, com o desenvolvimento da análise, mesclavam-se com fatos de uma outra existência, na qual Guirdham tinha sido um cátaro. Como todos os seus irmãos de seita, nessa vida, ele sofrera as perseguições da Inquisição européia no século XIII.
Os cátaros formavam várias seitas condenadas pela Igreja e que tinham por princípio doutrinal o dualismo, ou seja, a crença em dois princípios universais, sendo um deles responsável pelo mundo e spiritual, e outro pelo mundo material. Com o passar do tempo, os cátaros foram violentamente perseguidos pelo poder eclesiástico e pelo poder civil, tanto no Oriente quanto no Ocidente.
Muitos desses fatos são relatados no volume que o leitor tem ora em mãos. O conhecimento deles enriquecerá a visão de mundo de quem esteja interessado nas vidas e nos acontecimentos passados. Como disse o autor: " Tive uma revelação. Não posso, portanto, deixar de contar esta história a outras pessoas. Se a não contasse, não poderia viver em paz comigo mesmo".

Livro: Entre dois Mundos - Relato autobiográfico da experiência ´psíquica de um médico
Autor: Arthur Guirdham
Editora Pensamento
198 páginas

Comprei este livro em 1998 quando era membro da Sociedade Teosófica na Loja Pitágoras. Estou lendo este livro exatos 18 anos depois. Maioridade espiritual talvez. Neste período me separei, mudei de emprego duas vezes e alternei de apartamento outras tantas vezes. O livro sempre seguiu comigo assim como tantos outros destas mesma época que ainda se encontram intocados. Em um momento da narrativa o autor comenta sobre esta situação. De termos estado em contato com uma experiência de cunho espiritual mas que naquele instante não nos damos conta. Pode ser o encontro com uma pessoa, estar em um lugar ou um livro que vem parar em nossas mãos. Sempre, em nossas vidas, encontramos pessoas que estão ali apenas para nos dar um rumo e uma orientação que vai mudar a nossa vida ou nos encaminhar em uma direção que seja mais adequada ao nosso espírito. Segue trecho em que o autor comenta este fato.

"Aprendia mais com meus pacientes do que eles comigo. Não estou permitindo aquela autodepreciação tão característica das novas gerações. Creio que isto era inevitável. Quando se tem um certo temperamento, e quando se atinge  um ceto nível, todas as pessoas que você conhece bem passam a ter um significado especial. um encontro pode ocorrer só uma vez e ser impessoal. pode mesmo acontecer que você não tenha consciência  daqueles que o iluminaram. Essa inconsciência pode durar até que seu desenvolvimento posterior lhe permita reconhecer mais claramente em que você foi ajudado. Mesmo então, haverá muitos dos quais você jamais terá conhecimento que anonimamente lhe deixaram um fermento. Esta fermentação e fruição poderá ser atribuída a outros e você nunca saberá daqueles que lançaram os primeiros esporos em seu inconsciente. De qualquer modo, estou convencido de que tudo que aprendi veio dos outros, ou através deles."

"O catarismo (do grego καϑαρός katharós, "puro") foi um movimento cristão de ascetismo extremo na Europa Ocidental entre os anos de 1100 e 1200, estreitamente ligado aos bogomilos da Trácia. O movimento foi tão forte no sul da Europa e na Europa Ocidental que a igreja Católica Romana passou a considerá-lo uma séria ameaça à religião ortodoxa. As principais manifestações do catarismo centralizavam-se na cidade de Albi, motivo pelo qual seus adeptos também receberam o nome de "albigenses".
O catarismo teve suas raízes no movimento pauliciano na Armênia e no Bogomilismo na Bulgária que teve influências dos seguidores de Paulo. Embora o termo "cátaros" tenha sido usado durante séculos para identificar o movimento, ainda é discutível se o movimento se identificava mesmo com este nome.[4] Em textos cátaros, os termos "homens bons" (Bons Hommes) ou "bons cristãos" são os termos comuns de auto-identificação.[5] A ideia de dois deuses ou princípios, sendo um bom outro mau, foi fundamental para as crenças dos cátaros. O Deus bom era o Deus do Novo Testamento e criador do reino espiritual, em oposição ao Deus mau que muitos cátaros identificavam como Satanás, o criador do mundo físico do Antigo Testamento. Toda a matéria visível foi criado por Satanás, e portanto foi contaminada com o pecado, isto incluía o corpo humano. Esse conceito é oposto à Igreja Católica monoteísta, cujo princípio fundamental é que há somente um Deus que criou todas as coisas visíveis e invisíveis. Os cátaros também pensavam que as almas humanas eram almas sem sexo deanjos aprisionadas dentro da criação física de Satanás amaldiçoado a ser reencarnado até os fiéis cátaros alcançarem a salvação por meio de um ritual chamado Consolamentum.[6] Desde o início de seu reinado, o papaInocêncio III tentou usar de diplomacia para acabar com o catarismo, mas no ano de 1208, seu delegado Pierre de Castelnau foi assassinado quando voltava para Roma depois de pregar a fé católica no sul da França.[7]Com a opção de enviar missionários católicos e juristas extinta, o papa Inocêncio III declarou Pierre de Castelnau um mártir e lançou a Cruzada dos Albigenses."
Fonte: Wikipédia.